sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Filmes mais vistos de todos os tempos

Com o auê do “Avatar” ter se tornado a maior bilheteria de todos os tempos, comecei a ficar intrigada com os números, e fui fazer uma pesquisa na internet.

Descobri que os EUA não levam em consideração o número real de espectadores para classificar a bilheteria dos filmes, mas sim a quantia arrecadada. Dessa forma, eles não consideram a valorização da moeda, muito menos o preço dos ingressos (que sobe a cada ano, ainda mais com filmes em 3D e Imax). Daí, 'é elementar, meu caro Watson', que filmes mais recentes têm maiores chances de conseguir bater o tal recorde de bilheteria.

No Brasil e na Europa, por exemplo, os rankings de bilheteria são feitos a partir do número de espectadores, convertendo-se a quantia arrecadada para a moeda vigente.

O site Box Office Mojo, que desde 1998 apura as bilheterias dos filmes ao redor do mundo, também mostra um ranking caso os valores fossem atualizados. Segundo esse critério, "... E o Vento Levou" ainda seria o filme mais visto de todos os tempos.

Se seguida esta lógica, “Avatar” ainda estaria na 26ª posição, um pouco após de “Grease - Nos Tempos da Brilhantina”. Se bem que, com o ritmo que sobem os números do último filme de James Cameron, neste momento já pode até ter ultrapassado essa marca.

Segue a lista das 100 maiores bilheterias de todos os tempos:


1º - ... E o Vento Levou (Gone With the Wind, 1939) - US$ 1,507 bilhão

2º - Star Wars - Episódio IV: Uma Nova Esperança (Star Wars - Episode IV: A New Hope, 1977) - US$ 1,328 bilhão

3º - A Noviça Rebelde (The Sound of the Music, 1965) - US$ 1,062 bilhão

4º - E.T.: O Extra-Terrestre (E.T.: The Extra-Terrestrial, 1982) - US$ 1,058 bilhão

5º - Os Dez Mandamentos (The Ten Commandments, 1956) - US$ 977 milhões

6º - Titanic (Titanic, 1997) - US$ 957 milhões

7º - Tubarão (Jaws, 1975) – US$ 955 milhões

8º - Doutor Jivago (Dr. Zhivago, 1965) - US$ 926 milhões

9º - O Exorcista (The Exorcist, 1973) - US$ 824 milhões

10º - Branca de Neve e os Sete Anões (Snow White and the Seven Dwarfs, 1937) - US$ 813 milhões

11º - Os 101 Dalmatas (One Hundred and One Dalmatians, 1961) - US$ 745 milhões

12º - Star Wars - Episódio V: O Império Contra-Ataca (Star Wars - Episode V: The Empire Strikes Back, 1980) - US$ 732 milhões

13º - Ben-Hur (Bem Hur, 1959) - US$ 731 milhões

14º - Star Wars - Episódio VI: O Retorno de Jedi (Star Wars - Episode VI: Return of the Jedi, 1983) - US$ 701 milhões

15º - Golpe de Mestre (The Sting, 1973) - US$ 665 milhões

16º - Os Caçadores da Arca Perdida (Raiders of the Lost Ark, 1981) - US$ 657 milhões

17º - Jurassic Park (Jurassic Park, 1993) - US$ 643 milhões

18º - A Primeira Noite de um Homem (The Graduate, 1967) - US$ 638 milhões

19º - Star Wars - Episódio I: A Ameaça Fantasma (Star Wars - Episode I: The Phanton Menace, 1999) - US$ 632 milhões

20º - Fantasia (Fantasia, 1940) - US$ 619 milhões

21º - O Poderoso Chefão (The Godfather, 1972) - US$ 588 milhões

22º - Forrest Gump (Forrest Gump, 1994) - US$ 585 milhões

23º - Mary Poppins (Mary Poppins, 1964) - US$ 583 milhões

24º - O Rei Leão (The Lion King, 1994) - US$ 576 milhões

25º - Grease - Nos Tempos da Brilhantina (Grease, 1978) - US$ 576 milhões

26º - Avatar (Avatar, 2009) - US$ 558 milhões

27° - 007 Contra a Chantagem Atômica (Thunderball, 1965) - US$ 558 milhões

28º - Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008) - US$ 554 milhões

29º - Mogli - O Menino Lobo (The Jungle Book, 1967) - US$ 549 milhões

30º - A Bela Adormecida (Sleeping Beauty, 1959) - US$ 542 milhões

31º - Shrek 2 (Shrek 2, 2004) - US$ 530 milhões

32° - Os Caça-Fantasmas (The Ghostbusters, 1984) - US$ 527 milhões

33° - Butch Cassidy (Butch Cassidy and the Sundance Kid, 1969) - US$ 526 milhões

34° - Love Story (Love Story, 1970) - US$ 522 milhões

35° - Homem-Aranha (Spider-Man, 2002) - US$ 518 milhões

36° - Independence Day (Independence Day, 1996) - US$ 516 milhões

37° - Esqueceram de Mim (Home Alone, 1990) - US$ 505 milhões

38° - Pinóquio (Pinocchio, 1940) - US$ 502 milhões

39° - Cleópatra (Cleopatra, 1963) - US$ 501 milhões

40° - Um Tira da Pesada (Beverly Hills Cop, 1984) - US$ 500 milhões

41° - 007 Contra Goldfinger (Goldfinger, 1964) - US$ 494 milhões

42° - Aeroporto (Airport, 1970) - US$ 493 milhões

43° - American Graffiti - Loucuras de Verão (American Graffiti, 1973) - US$ 490 milhões

44° - O Manto Sagrado (The Robe, 1953) - US$ 488 milhões

45° - Piratas do Caribe: O Baú da Morte (Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest, 2006) - US$ 482 milhões

46° - A Volta ao Mundo em 80 Dias (Around the World in 80 Days, 1956) - US$ 482 milhões

47° - Bambi (Bambi, 1942) - US$ 475 milhões

48° - Banzé no Oeste (Blazing Saddles, 1974) - US$ 471 milhões

49° - Batman (Batman, 1989) - US$ 469 milhões

50° - Os Sinos de Santa Maria (The Bells of St. Mary's, 1945) - US$ 468 milhões

51° - O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (The Lord of the Rings: The Return of the King, 2003) - US$ 459 milhões

52° - Inferno na Torre (The Towering Inferno, 1974) - US$ 457 milhões

53° - Homem-Aranha 2 (Spider-Man 2, 2004) - US$ 448 milhões

54° - Minha Bela Dama (My Fair Lady, 1964) - US$ 447 milhões

55° - O Maior Espetáculo da Terra (The Greatest Show on Earth, 1952) - US$ 447 milhões

56° - Clube dos Cafajestes (National Lampoon's Animal House, 1978) - US$ 446 milhões

57° - A Paixão de Cristo (The Passion of the Christ, 2004) - US$ 445 milhões

58° - Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith (Star Wars: Episode III - Revenge of the Sith, 2005) - US$ 442 milhões

59° - De Volta Para o Futuro (Back to the Future, 1985) - US$ 440 milhões

60° - O Senhor dos Anéis: As Duas Torres (The Lord of the Rings: The Two Towers, 2002) - US$ 429 milhões

61° - O Sexto Sentido (The Sixth Sense, 1999) - US$ 429 milhões

62° - Super Homem (Superman, 1978) - US$ 427 milhões

63° - Tootsie (Tootsie, 1982) - US$ 424 milhões

64° - Agarra-me Se Puderes (Smokey and the Bandit, 1977) - US$ 423 milhões

65° - Procurando Nemo (Finding Nemo, 2003) - US$ 423 milhões

66° - Transformers 2: A Vingança dos Derrotados (Transformers: Revenge of the Fallen, 2009) - US$ 417 milhões

67° - Amor, Sublime Amor (West Side Story, 1961) - US$ 417 milhões

68° - Harry Potter e a Pedra Filosofal (Harry Potter and the Sorcerer's Stone, 2001) - US$ 417 milhões

69° - A Dama e o Vagabundo (Lady and the Tramp, 1955) - US$ 415 milhões

70° - Contatos Imediatos do Terceiro Grau (Clode Encounters of the Third Kind, 1977) - US$ 414 milhões

71° - Lawrence da Arábia (Lawrence of Arabia, 1962) - US$ 413 milhões

72° - The Rocky Horror Picture Show (1975) - US$ 410 milhões

73° - Rocky, Um Lutador (Rocky, 1976) - US$ 410 milhões

74° - Os Melhores Anos de Nossas Vidas (The Best Years of Our Lives, 1946) - US$ 410 milhões

75° - O Destino do Poseidon (The Poseidon Adventure, 1972) - US$ 409 milhões

76° - O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel (The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring, 2001) - US$ 408 milhões

77° - Twister (Twister, 1996) - US$ 407 milhões

78° - MIB - Homens de Preto (Men in Black, 1997) - US$ 407 milhões

79° - A Ponte Sobre o Rio Kwai (The Bridge on the River Kwai, 1957) - US$ 405 milhões

80° - Deu a Louca no Mundo (It's a Mad, Mad, Mad, Mad World, 1963) - US$ 401 milhões

81° - A Família Robinson (Swiss Family Robinson, 1960) - US$ 401 milhões

82° - Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo's Nest, 1975) - US$ 400 milhões

83° - M.A.S.H. (M.A.S.H., 1970) - US$ 400 milhões

84° - Indiana Jones e o Templo da Perdição (Indiana Jones and the Temple of Doom, 1984) - US$ 399 milhões

85° - Star Wars: Episódio II - Ataque dos Clones (Star Wars: Episode II - Attack of the Clones, 2002) - US$ 398 milhões

86° - Uma Babá Quase Perfeita (Mrs. Doubtfire, 1993) - US$ 393 milhões

87° - Aladdin (Aladdin, 1992) - US$ 391 milhões

88° - Ghost - Do Outro Lado da Vida (Ghost, 1990) - US$ 383 milhões

89° - Duelo ao Sol (Duel in the Sun, 1946) - US$ 380 milhões

90° - Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra (Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl, 2003) - US$ 377 milhões

91° - A Casa de Cera (House of Wax, 1953) - US$ 376 milhões

92° - Janela Indiscreta (Rear Window, 1954) - US$ 375 milhões

93° - Jurassic Park: O Mundo Perdido (The Lost World: Jurrasic Park, 1997) - US$ 372 milhões

94° - Indiana Jones e a Última Cruzada (Indiana Jones and the Last Crusade, 1989) - US$ 375 milhões

95° - Homem-Aranha 3 (Spider-Man 3, 2007) - US$ 364 milhões

96° - O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (Terminator 2: Judgment Day, 1991) - US$ 362 milhões

97° - Sargento York (Sergeant York, 1941) - US$ 358 milhões

98° - O Grinch (How the Grinch Stole Christmas, 2000) - US$ 358 milhões

99° - Toy Story 2 (Toy Story 2, 1999) - US$ 356 milhões

100° - Top Gun - Ases Indomáveis (Top Gun, 1986) - US$ 355 milhões


Bom, está aí!


por Melissa Lipinski

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A Enseada

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Enseada, A (The Cove, 2009)

Estreia Oficial: 25 de abril de 2009
Estreia no Brasil: sem data prevista


Golfinhos são um dos animais mais simpáticos e amados do mundo. Todo mundo os adora. E, é de conhecimento geral, que são um dos mamíferos mais inteligentes da Terra. É impossível, no mínimo, não simpatizar com eles.

Por isso, este documentário, "A Cova", torna-se tão forte. Não que retratar a matança indiscriminada de qualquer animal não seja revoltante. Mas de golfinhos? Quem é que mata golfinhos, for God sake?

Deixa eu me recompor... aliás, tive que me recompor mesmo depois do filme. Nunca achei que fosse chorar vendo um documentário. E ali estou eu, ao final de "A Cova", aos prantos. Pura indignação e revolta!

Não há muito o que falar sobre este filme, ele tem mesmo é que ser assistido. E as pessoas têm que se revoltar!

Mas deixando a revolta de lado. É um belíssimo filme, muito bem estruturado. Além da aventura que os documentaristas passaram, tendo que instalar câmeras escondidas na baía onde chacinam os golfinhos, tendo que entrar às escondidas na calada da noite, e recrutando um time de especialistas para cada função. Não deve em nada a um bom filme de ação.

Enfim, assistam e divulguem. Este filme tem que ser assistido!

Fica a dica!


por Melissa Lipinski
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A Cova. Quando começou achei que seria mais um desses filmes de Eco-Chatos que não gostam que criaturas vivam em cativeiros. Mas o filme vai dando embasamento dos golfinhos, dos primórdios do uso deles em Cinema e Tv, e também o inicio do uso deles em Parques Aquáticos.

Achei genial a construção que o documentário faz. Mostrando a repreesão por parte das autoridades e a dificuldade que é mostrar algo sobre a matança de golfinhos.

A parte em que eles formam a equipe é muito boa também. O momento de colocar os equipamentos é tenso. Bem montado, boa trilha sonora, ótima fotografia.

Gostei muito e recomendo...


por Oscar R. Júnior



quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Um Homem Sério

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Homem Sério, Um (A Serious Man, 2009)

Estreia Oficial: 12 de setembro de 2009
Estreia no Brasil: 19 de fevereiro de 2010
IMDb



Mais um filme de humor negro dos irmãos Coen, este "Um Homem Sério" é uma fábula sobre as pequenas dificuldades da vida. O filme nos faz crer que o máximo que podemos fazer, diante das agruras da vida, é nos apegarmos aos nossos princípios e esperarmos que o melhor aconteça.

Michael Stuhlbarg interpreta com brilhantismo o professor (judeu) de física Larry Gopnik, cuja vida, aos poucos, vai ruindo em frente aos nossos olhos. Sua mulher está deixando-o para viver com outro homem. Seu filho fuma maconha e não se ajusta na escola. Sua filha está roubando dinheiro de sua carteira e só pensa em sair para a balada. Seu irmão está morando com ele e não faz nada da vida (pelo menos nada dentro da lei). Um de seus estudantes o está subornando para melhorar suas notas... Realmente, não tem como não enlouquecer! E tudo que Larry quer, no final das contas, é ser tratado com um homem sério.

Começando com um prólogo de humor negro que se passa em uma comunidade judaica, "Um Homem Sério" já mostra ao que veio: desde o começo fica claro que a crença (ou o destino) fala mais alto que o racional. E nem mesmo que Larry tente se apegar ao material e à lógica, com suas equações matemáticas, não adianta – ele está amaldiçoado! Talvez a explicação seja o prólogo do filme, quando um ancestral seu (assim pode-se supor) abre a porta da sua casa para um ‘dibuk’, ou seja, um espírito errante de uma pessoa morta. E pelas tradições judaicas (pelo menos é o que se pode imaginar pelo filme), não se deve convidar um ‘dibuk’ para entrar. Então, não adianta o que Larry faça, nada vai mudar o seu destino. Não que ele faça muito, pois ele sempre parece estar esperando que algo maior aconteça em sua vida para que ela mude.

Muito do brilhantismo deste filme, vem da atuação de Stuhlbarg. Ele não é um fracassado ou depressivo. Mas sim um homem que apenas quer entender porque sua vida está desmoronando e onde ele pode se ancorar, onde pode achar felicidade em meio a tanto caos. Não é uma pessoa que toma decisões, mas que quer que lhe digam o que deve fazer.

Não é um filme rápido, nem um filme de gargalhadas. Mas é engraçado, e com o toque preciso do humor peculiar dos irmãos Coen.

Não é um filme com uma lição de moral ou respostas. Mas sim, um filme que levanta muitas perguntas.

É como a história contada por um dos rabinos, sobre o dentista que achou uma mensagem nos dentes de um goy (um não-judeu): a mensagem está ali, mas o que você vai fazer com ela, isso é por sua conta.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski
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Novo filme dos Coen (Joel e Ethan Coen). Começa com uma seqüência que não faz ligação com o resto do filme. Pelo menos não achei ligação alguma a parte mais antiga com o restante do filme.

O filme tem boas situações cômicas. Realmente ninguém leva o cara a sério. Tudo e todos o tratam como um lixo humano e o coitado ainda tenta entender o que está acontecendo.

O filme conta ainda com uma quebra de expectativa. Ficamos esperando alguma reação do personagem principal que obviamente não vem. Achei que a quebra de expectativa foi demais, chegando cedo demais. Em outros filmes deles como "Onde Os Fracos Não Têm Vez" ou no "Queime Depois de Ler" há um fim que acaba antes, mas há um fim. Sei lá. Fiquei perdido no filme.

Sabe quando o filme já era pra ter acabado? Neste é o contrário. Achei que rolava um pouco mais de filme, mas nada, não foi acabar cedo, foi acabar o filme precoce demais. Não gostei muito. Talvez eu é que não tenha entendido direito.

Acontece...


por Oscar R. Júnior


terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A Mulher Invisível

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.



Mulher Invisível, A (2009)

Estreia Oficial | no Brasil: 5 de junho de 2009


Selton Mello é 'o cara' do cinema nacional. Sim, ele é um ótimo ator. Sim, ele é super carismático. E sim, ele consegue se transformar em qualquer personagem, mas sempre com o toque de... bom, Selton Mello.

E neste "A Mulher Invisível" ele consegue, mais uma vez, fazer o filme valer a pena. Não que apenas ele esteja bem na produção.

Luana Piovani encarna o que faz melhor: uma sex symbol. Ela não tem que fazer muito, só aparecer de lingerie e fazer caras e bocas sexies. Mas claro que ela também consegue segurar bem o tom cômico que a personagem exige. Fernanda Torres (sempre competente) rouba as cenas nas quais aparece. E Vladmir Brichta chama a atenção. Mas é Maria Manoella quem está melhor, no papel da vizinha que é apaixonada por Selton Mello.

A história, cheia de lugares comuns e clichês, ganha pontos nas situações engraçadas e pelo final (que foge um pouco da receita de comédias-românticas).

É só uma pena que a personagem de Maria Manoela não seja mais explorada pelo roteiro - já que o filme sempre ganha quando ela entra em cena e Luana Piovani sai.

Mas enfim, uma comédia despretensiosa, para assistir sozinho ou bem acompanhado. Vai garantir algumas boas risadas.


por Melissa Lipinski
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Da primeira vez que assisti a esse filme fui sem pretensões. Fiquei na dúvida por ter a Luana Piovani (que na minha opinião está bem desaparecida ultimamente) e também tem o Vladmir Brichta (que tinha receio por causa das atuações em novela que ele tem).
Mas o Selton Melo faz com que eu tenha interesse no filme de imediato, e não faz por menos. Ele está muito bem no filme.

Vou ser direto. O que gostei e o que não gostei.

Não gostei: achei mediana a atuação da Maria Luisa Mendonça e da Fernanda Torres. Sinto que já vi essas personagens em outros filmes.

O que gostei:

- Obviamente da atuação do Selton Mello. Boas atuações também da Luana Piovani, do Vladmir Brichta e da Maria Manoella.

- da direção de arte e o tratamento de áudio do filme, que contribuem bastante para a história.

- da participação do Marcelo Adnet, muito legal.

- da trilha sonora do filme.

Recomendo!


por Oscar R. Júnior


segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Vício Frenético

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Vício Frenético (The Bad Lieutenant - Port of Call: New Orleans, 2009)

Estreia Oficial: 4 de setembro de 2009
Estreia no Brasil: 15 de janeiro de 2010
IMDb


Neste “Vício Frenético” (mais uma tradução infeliz de título), Nicolas Cage volta à sua velha forma, e mostra uma atuação fantástica. Acho que ele se sai melhor quando faz personagens que apresentam algum problema psicológico, dependência, estresse ou apenas estão cansados da vida, visto que considero seus melhores trabalhos “O Sol de Cada Manhã”, “O Senhor das Armas”, “Os Vigaristas”, “Adaptação”, “Vivendo no Limite” e “Despedida em Las Vegas”.

Aqui não é diferente, e Cage interpreta um Tenente da polícia que, devido a um incidente logo após a passagem do furacão Katrina, começa a sentir dores nas costas e, em decorrência disso, busca alívio e conforto em todo tipo de drogas.

E Nicolas Cage consegue transformar o Tenente Terence McDonagh em um pessoa sofrida, capaz de cometer atos horríveis e inescrupulosos, como torturar duas velhinhas em um asilo afim de conseguir uma informação. Mas, devido à atuação visceral de Nicolas Cage, passamos a sentir pena do personagem, o que acaba tornando suas vis ações justificadas (por nós espectadores) pelo fato de estar se deteriorando nas drogas.

Aliás, Nicolas Cage não cansa de interpretar tipos excêntricos (e não tem medo disso). E seu Tenente McDonagh é mais um na coleção de seus personagens bizarros. O andar arrastado, as costas encurvadas, os ombros inclinados para um lado devido às dores nas costas e o insistente ato de passar a mão nos cabelos, poderiam transformar o personagem em uma caricatura, mas que, nas mãos do ator, apenas revelam o quão desorientado e abalado psicologicamente ele está ficando.

Werner Herzog faz um trabalho muito bom e sua escolha por inserir répteis (principalmente iguanas) em alusão às alucinações do personagem principal é, no mínimo, curiosa, mas sempre bem colocada.

Enfim, não é um filme 'fácil' - assim como todos de Herzog - mas é um ótimo exemplar de um longa policial, com sua trama bem amarrada e vários pontos de virada, assim como uma boa quantia de piadas para o alívio cômico de uma história bastante pesada.


por Melissa Lipinski
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“Vício Frenético”. Sim, mais uma tradução bizarra de titulo. O pior é quando o título no Brasil não te chama pra ver o filme. Esse não me chama muito, mas … assisti mesmo assim, hehe.

O filme se passa em New Orleans, a cena inicial é durante a devastação ocorrida pelo Katrina. Não foi explicado direito como Terence McDonagh (Nicolas Cage) começa a ter fortes dores nas costas. O filme só mostra o médico falando que vai sentir dores sempre.

Não fica claro pra mim como ele se machucou, mas percebemos as conseqüências desse machucado. Entender essa dor só é possível através da bela atuação de Nicolas Cage. O jeito de andar, de segurar as coisas, de respirar.

Gostei da história do filme. Ele vai se afundando cada vez mais nas drogas, no jogo, se envolvendo cada vez mais com grandes bandidos e por ai vai.

Achei que perto do fim, tudo estava dando errado pra ele, de repente, em duas seqüências tudo voltou ao normal (a do tiroteio na casa dos traficantes e a seguinte com as notícias chegando a ele na delegacia). Achei que forçaram a barra com essa resolução dos problemas, forçaram demais.

O que gostei: das alucinações que ele estava tendo com répteis. Muito bom o recurso e a fotografia desses planos.

O que não gostei: da cena inicial, dele salvando um preso. No final das contas essa cena não serviu pra nada. Só pra mostrar que ele não era tão corrupto antes de ter chegado a Tenente. Mas não preciso dessa cena pra perceber isso, pois ele tem ligações com tudo quanto é tipo de ilegalidade.

Destaco novamente a atuação do Nicolas Cage, ele é o que salva o filme. Destaque também para Eva Mendes, ele está boa no filme. Quem está apagado é o Val Kilmer, faz uma ponta só e mesmo assim achei mais ou menos.


por Oscar R. Júnior


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Simplesmente Complicado

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Simplesmente Complicado (It's Complicated, 2009)

Estreia Oficial: 23 de dezembro de 2009
Estreia no Brasil: 26 de fevereiro de 2010
IMDb



"Simplesmente Complicado" é um filme simples, engraçado, mas principalmente, protagonizado por Meryl Streep.
E tudo que Meryl faz é 'simplesmente' ótimo (sim, sou fã incondicional!). Falar que ela é uma atriz espetacular já é bastante batido - ela é uma unanimidade. E, quando você vê um filme como este, em que transparece o prazer com que ela está ali atuando, se divertindo, fica ainda melhor para o público.

E o filme poderia se resumir a ela, pois no mais, lugares comuns, situações clichês, personagens estereotipados... tudo o que podemos encontrar no 'livro de receitas' das comédias românticas.

Mas a atuação de Meryl (sim, não canso de falar dela), e sua química com Alec Baldwin transforma "Simplesmente Complicado" em algo mais.

Aliás, é interessante notar que, num mesmo ano, Streep protagonizou duas personagens que cozinhavam - no mediano "Julie & Julia", ela interpretou brilhantemente Julia Child; e aqui, ela interpreta Jane, que quando não está no quarto com Alec Baldwin, é uma doceira de mão cheia.

Falando em Baldwin, ele interpreta Jake, o ex-marido de Jane, e que, após 10 anos de separação, durante a formatura de seu filho, voltam a se envolver e acabam se tornando amantes. Baldwin mais uma vez interpreta o personagem que faz muito bem desde que assumiu seu papel na série "30 Rock", de um mulherengo sem muitos escrúpulos - e faz isso de maneira bastante eficiente e engraçada.

Já Steve Martin pouco pode fazer como o arquiteto responsável pela reforma da casa de Jane e que acaba se interessando pela protagonista, já que é totalmente eclipsado por Streep e Baldwin, e não parece estar à vontade neste tipo de papel, que foge às macaquices que está acostumado a fazer.

E dentre os coadjuvantes, quem consegue se sobressair é John Krasinski (da série "The Office"), que interpreta o genro de Jane e Jake, e mostra - assim como na série - seu ótimo timing cômico.

Enfim, não fosse pelos atores, e alguns diálogos rápidos e inteligentes, o filme de Nancy Meyers seria apenas mais uma das suas comédias românticas bobinhas. E como disse no meu comentário sobre "Julie & Julia": ainda bem que temos Meryl Streep!


por Melissa Lipinski
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Este filme rendeu boas risadas. Comédia romântica leve, para uma tarde chuvosa.
O filme é dirigido por Nancy Meyers. Ela começou produzindo e escrevendo roteiros desde 1980 como em "O Pai da Noiva" 1 e 2 e "Presente de Grego". A partir de 1998 começou a dirigir os filmes também, e já fez "Do que as Mulheres Gostam", "O Amor Não Tira Férias" e "Alguém Tem que Ceder", sempre trabalhando com comédias românticas.

Em “Simplesmente Complicado” não é diferente, é um bom e velho triângulo amoroso, mas com umas pitadas inusitadas entre Jane (Meryl Streep), Jake (Alec Baldwin) e Adam (Steve Martin).

O filme é permeado por clichês, como quando Jane está abalada pelo caso com Jake, e quando está no elevador e entra um casal exalando felicidade. Ou quando Jane está conversando com Adam em casa e Jake os espiona e num deslize cai janela abaixo. Mas isto não chega a estragar de forma alguma o filme.

Quanto ao elenco, a Meryl Streep faz de novo o papel de uma cozinheira (o outro foi em “Julie & Julia”), mas a atuação dela é totalmente diferente. Está excelente no papel. Steve Martin me surpreendeu no filme. Com um papel mais comedido ele funcionou muito bem, sendo um homem sério e ainda abalado pela separação traumática que sofreu. Já Alec Baldwin tenho que confessar que achei esse Jake idêntico ao Jack Donaghy (personagem que ele interpreta na séria “30 Rock”) e parecido com o Professor Turner (que ele interpreta em “Amigos, Amigos, Mulheres à Parte”). Ele funciona bem neste papel, mas tenho minhas ressalvas.

Agora faço o destaque para o personagem Harley (John Krasinski). Ele foi responsável pela maior parte das risadas que dei durante o filme. Harvey é noivo de Lauren (Caitlin Fotzgerald) que é a filha mais velha de Jane e Jake. Harvey é quem vê o encontro "às escondidas" que Jane e Jake fazem em um hotel; ele percebe os olhares lascivos de Jake e de raiva de Jane quando se encontram na frente dos filhos, ele presencia até eles fumando maconha no banheiro. Sempre tentando despistar isto dos outros, conseguindo ótimas cenas cômicas.

O que não gostei: da reação dos filhos quando descobrem o caso que os pais estão tendo. Reações que mais pareciam com crianças e não com filhos crescidos que eles são. E a cena em que Jane se consulta com seu psicólogo, achei desnecessária, poderia ser uma das amigas sem a necessidade de inserir um novo personagem no filme.

Por ora é isso.


por Oscar R. Júnior


quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Traduções dos títulos de filmes

Já ouvi muitas piadas sobre traduções de título de filmes, principalmente sobre as traduções dadas pelos portugueses. Então resolvi dar uma pesquisada pra saber como estão as traduções dos títulos atualmente.

Tomei como base filmes que concorreram ao Globo de Ouro 2010 e base de dados o IMDb.

Aqui vão alguns exemplos (só vou citar os que tem o que se discutir né, hehe)


Original: The Hangover
Portugal: A Ressaca (ok, direto)
Argentina: ¿Qué pasó ayer? (hum, está valendo)
Espanha: Resacón en Las Vegas (até que passa)
Israel: Stopping in Vegas no te Way to a Wedding (hum, não né)
Italia: Una note da leni (também não rola)
Brasil: Se Beber, Não Case (funciona mas Ressaca ou Ressaca em Las Vegas ia ser legal)


Original: Inglorious Basterds
Portugal: Sacanas Sem Lei (Como assim?)
Espanha: Malditos bastardos (beleza)
Itália: Bastardi senza gloria (beleza)
Brasil: Bastardos Inglórios (o nome não é usual mas é a tradução né)

Original: Up in te Air
Argentina: Amor sin escalas
França: In te Air
Japão: Mileage, my wife (sem comentários)
Portugal: Nas Nuvens (what??)
Brasil: Amor sem escalas (horrível)

Original: A Single Man
Espanha: Un hombre soltero
Itália: Un ulmo solo
Brasil: Direito de Amar (nada a ver)

Original: The Lovely Bones
Argentina: Desde mi cielo (hum, como assim)
Italia: Amabili resti (como assim 2)
Portugal: Visto do céu (como assim 3)
Brasil: Um olhar no paraíso (como assim 4)

Original: Up
Argentina: Up - Una aventura de altura (adendo explicativo?)
Japão:Kâru jiisan no sora-tobu ie
Japão (inglês literal): Mr. Carl's Flying House
Grécia: Psila ston ourano
Portugal: Up: Altamente
Brasil: Up - Altas Avenuras

Original: Cloudy With a Chance os Meatball
Argentina: Lluvia de hamburguesas
Portugal: Chovem almôndegas
Itália: Piovono polpette
França: Tempête de boulettes géantes (em português: Chuva de almôndegas gigantes)
Brasil: Tá chovendo hambúrguer

Original: Coraline
Argentina: Coraline y la pureza secreta
Portugal: Coraline e a Porta secreta
Italia: Corlaine e la porta magica
Espanha: Los Mundos de Coraline
Brasil: Coraline e o mundo secreto


Obs: Caso queiram uma lista das mais estranhas traduções recomendo ler este texto que achei.


por Oscar R. Júnior

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

16º Screen Actors Guild Awards - 2010


Att: vencedores em vermelho.

MELHOR ELENCO
- An Education (Educação)
- The Hurt Locker (Guerra ao Terror)
- Inglourious Basterds (Bastardos Inglórios)
- Nine (Nine)
- Precious: Based on the Novel Push by Sapphire (Preciosa)

MELHOR ATOR
- Jeff Bridges – Crazy Heart (Coração Louco)
- George Clooney – Up in the Air (Amor Sem Escalas)
- Colin Firth – A Single Man (Direito de Amar)
- Morgan Freeman – Invictus (Invictus)
- Jeremy Runner – The Hurt Locker (Guerra ao Terror)

MELHOR ATRIZ
- Sandra Bullock – The Blind Side (Um Sonho Possível)
- Helen Mirren – The Last Station (A Última Estação)
- Carey Mulligan – An Education (Educação)
- Gabourey Sidibe – Pecious: Based on the Novel Push by Sapphire (Preciosa)
- Meryl Streep – Julie & Julia (Julie & Julia)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
- Matt Damon – Invictus (Invictus)
- Woody Harrelson – The Messenger (O Mensageiro)
- Christopher Plummer – The Last Station
- Stanley Tucci – The Lovely Bones (Um Olhar do Paraíso)
- Christoph Waltz – Inglourious Basterds (Bastardos Inglórios)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
- Penélope Cruz – Nine (Nine)
- Vera Farmiga – Up in the Air (Amor Sem Escalas)
- Anna Kendrick – Up in the Air (Amor Sem Escalas)
- Diane Kruger – Inglourious Basterds (Bastardos Inglórios)
- Mo’Nique – Precious: Based on the Novel Push by Sapphire (Preciosa)

MELHOR ELENCO – SÉRIE/DRAMA

- The Closer
- Dexter
- The Good Wife
- Mad Men
- True Blood

MELHOR ELENCO – SÉRIE/COMÉDIA
- 30 Rock
- Curb Your Enthusiasm
- Glee
- Modern Family
- The Office

MELHOR ATOR – SÉRIE/DRAMA
- Simon Baker – The Mentalist
- Bryan Cranston – Breaking Bad
- Michael C. Hall – Dexter
- John Hamm – Mad Men
- Hugh Laurie – House

MELHOR ATRIZ – SÉRIE/DRAMA
- Patricia Arquette – Medium
- Glenn Close – Damages
- Mariska Hargitay – Law & Order: Special Victims Unit
- Holly Hunter: Saving Grace
- Julianna Margulies – The Good Wife
- Kyra Sedwick – The Closer

MELHOR ATOR – SÉRIE/ COMÉDIA
- Alec Baldwin – 30 Rock
- Steve Carrell – The Office
- Larry David – Curb Your Enthusiasm
- Tony Shalhoub – Monk
- Charlie Sheen – Two and a Half Men

MELHOR ATRIZ – SÉRIE/COMÉDIA
- Christina Applegate – Samantha Who?
- Toni Collete – United States of Tara
- Edie Falco – Nurse Jackie
- Tina Fey – 30 Rock
- Julia Louis-Dreyfus – The New Advenntures of Old Christine

MELHOR ATOR – FILME FEITO PARA TV OU MINI-SÉRIE
- Kevin Bacon – Taking Chance (O Retorno de um Herói)
- Cuba Gooding Jr. – Gifted Hands: The Bem Carson Story
- Jeremy Irons – Georgia O’Keeffe
- Kevin Kline – Great Performances: Cyrano de Bergerac
- Tom Wilkinson – A Number

MELHOR ATRIZ – FILME FEITO PARA TV OU MINI-SÉRIE
- Joan Allen: Georgia O’Keeffe
- Drew Barrymore – Grey Gardens
- Ruby Dee – America
- Jessica Lange – Grey Gardens
- Sigourney Weaver – Prayers for Bobby

MELHOR EQUIPE DE DUBLÊS EM FILMES
- Public Enemies (Inimigos Públicos)
- Star Trek (Star Trek)
- Transformers: Revenge of the Fallen (Transformers - A Vingança dos Derrotados)

MELHOR EQUIPE DE DUBLÊS EM SÉRIES
- 24 (24 Horas)
- The Closer
- Dexter
- Heroes
- The Unit

PRÊMIO PELO CONJUNTO DA OBRA: Betty White

domingo, 17 de janeiro de 2010

Um Sonho Possível

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.


Sonho Possível, Um (The Blind Side, 2009)

Estreia Oficial: 20 de novembro de 2009
Estreia no Brasil: 26 de março de 2010
IMDb



Normalmente não gosto de histórias com mensagem otimistas (geralmente são baseadas em fatos reais). E sempre torci o nariz para filmes protagonizados por Sandra Bullock, nunca achei que ela fosse deixar de fazer o mesmo papel que sempre faz.

Mas me surpreendi.

Sandra Bullock consegue fugir do seu lugar comum e encarna Leigh Anne, uma socialite estadunidense, mãe de dois filhos, que acaba acolhendo Michael em sua casa. Ele é um adolescente carente (negro e bastante alto) que consegue uma bolsa em uma escola particular por jogar bem futebol americano. Com a ajuda da sua nova família, Michael, ou Big Mike como é conhecido, acaba se tornando um renomado jogador deste esporte.

A história segue a linha daqueles dramas de superação que estamos cansados de ver. Mas a trama é bem alinhavada (um pouco longa demais, é verdade) e, apostando no bom-humor, é contada de maneira leve e comovente, e te ganha já nos minutos iniciais. Apostando nas fortes atuações, não só a de Sandra, mas também do protagonista Quiton Aaron, do garotinho Jae Head (que encanta até aos mais durões), e uma ponta da super-eficiente Kathy Bates, o filme tem aí o seu diferencial.

Volto a falar de Sandra Bullock, pois é ela quem leva o filme, e o transforma em “algo mais”, o que me faz lembrar de “Erin Brockovich”, protagonizado por Julia Roberts. Quando Julia interpretou a personagem título do tal filme, era só conhecida pelas comédias românticas que fazia, e não era uma “atriz levada a sério”, apesar de ser queridinha pelo público. Até que, pela sua atuação, recebeu o Oscar de melhor atriz, e começou a ser reconhecida por suas interpretações. Assim como Julia, Sandra nunca foi reconhecida por nenhum trabalho fora as comédias românticas que protagoniza – além de ser conhecida pela sua simpatia; até surgir este “Um Sonho Possível” e receber uma indicação ao Globo de Ouro de melhor atriz na categoria drama (além de outra na categoria melhor atriz de comédia ou musical, esta, injustificada), e ser uma das mais cotadas a receber o Oscar deste ano.

Será que é a história se repetindo? Só o tempo dirá (dia 7 de março é a 82ª premiação do Oscar). E digo, caso isso aconteça, o Cinema só tem a agradecer.


por Melissa Lipinski
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O filme fala da história de Michael Oher (Quinton Aaron). Vou direto ao que gostei e não gostei.

Gostei:

- da atuação da Sandra Bullock, ela está muito boa, como nunca visto antes.

- da atuação do restante do elenco, principalmente do Quinton Aaron e da participação de Kathy Bates.

- de não serem apelativos quando mostrando o que o menino passou na infância.

- do irmão mais novo S.J. Tuohy (Jae Head). Ele confere a parte cômica do filme.

- das cenas de jogo que tem no filme.

Não gostei:

- da rapidez com que a Leigh Anne (Sandra Bullock) aceita a idéia e chama o rapaz para morar na casa dela.

- da bravura inconseqüente da Leigh Anne indo no subúrbio, enfrentando pessoas na rua.

- da duração do filme, muito longo. Tem mais de 2 horas, demais da conta.


por Oscar R. Júnior


Um Olhar do Paraíso

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Olhar do Paraíso, Um (The Lovely Bones, 2009)

Estreia Oficial: 26 de dezembro de 2009
Estreia no Brasil: 5 de fevereiro de 2010
IMDb



Não entendi este “Um Olhar do Paraíso”. Acho que nem mesmo Peter Jackson o entendeu direito, pois não conseguiu definir o tom certo para este seu novo projeto. Flertando entre o dramalhão, thriller sobrenatural e romance adolescente, em nenhum momento o filme se assume como nem um nem outro, e não consegue um resultado convincente.

A história gira em torno de Susie Salmon (Saoirse Ronan), que logo no início do filme é assassinada por George Harvey (Stanley Tucci), um vizinho da família. Logo, a menina (ou seu espírito) fica em um tipo de limbo, onde deve achar o caminho para o Céu, enquanto tenta ajudar seu pai (Mark Wahlberg) a descobrir a identidade do seu assassino.

Saoirse Ronan, atriz revelada em “Desejo e Reparação”, está bem, mas não consegue fazer muito pelo filme. Em compensação Mark Wahlberg aparece sempre insosso, enquanto a talentosa Rachel Weisz é desperdiçada em um papel que não disse ao que veio – como a mãe da protagonista que some na metade da história só retornando ao final. Já o que o diretor fez com Susan Sarandon chega a ser patético, em um papel totalmente caricato e que serve como alívio cômico da narrativa, quando a atriz entra em cena (uma das seqüências em especial é totalmente desnecessária) a narrativa desvia do seu foco (qual deles, poderia perguntar) e faz o filme perder o ritmo. O único ator que se salva é Stanley Tucci, com uma atuação forte e que não lembra em nada os personagens leves e cômicos que o ator costuma interpretar.

Com um roteiro sem foco, uma direção que parece perdida e um problema sério de ritmo da narrativa; a Direção de Arte, em alguns momentos, surpreende pela beleza e escolhas acertadas, como na cena em que Susan se dá conta de que está morta. Mas no geral a concepção de arte beira o brega, principalmente no limbo da protagonista, com direito a campo dourado de trigo, nuvens branquíssimas em um céu azul anil, rosas desabrochando, uma árvore frondosa no meio de um lindo campo verde... lembrando o chato “Amor Além da Vida”, de 1998.

Com um desenlace fraco para a protagonista (e aqui vai um spoiler!) – parece que ela só não consegue ir para o Céu porque não tinha conseguido dar o seu primeiro beijo – e um desfecho ridículo para o assassino – sua morte foi uma das mais fracas que já vi em filmes de serial killers, o filme decepciona muito.

Esperava muito mais!


por Melissa Lipinski
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Vou ser sincero, esperava mais, mas bem mais, deste filme. Puxa vida é dirigido pelo Peter Jackson, o cara do “Senhor dos Anéis”, que produziu o “Distrito 9”. Ok, ele também dirigiu o “King Kong”, mas vamos lá. Esperava muito mais do filme. Na verdade eu esperava ALGO do filme.

Somente três coisas me agradaram. 1ª: os planos detalhes que tem espalhados pelo filme. Esses planos são de uma riqueza incrível, dando uma sensibilidade às seqüências.

2ª: a atuação do Stanley Tucci. Ele está incrível. Bem diferente de qualquer filme que já vi com ele. Tanto que sentimos uma ojeriza forte para com o personagem George Harvey.

3ª: A apresentação da Vó Lynn (Susan Sarandon). Quando ela apareceu, por volta de 1 hora de filme, achei que tinha recomeçado o filme. A apresentação dela é engraçadíssima. Uma perua tentando lidar com os afazeres domésticos, sempre bebendo um grande copo de whisky.

Gostei dessas três coisas mas elas não ajudaram muito. O roteiro se mostra muito fraco. Os planos detalhes são explorados mas ficam desconcertados com a trama. A parte cômica com a Susan Sarandon não tem nada a ver com o filme. O filme era pra ser pesado, falando sobre a morte da garota aos 14 anos, vítima de um lunático (nem sei como descrevê-lo direito).

Juntando a tudo isso, o filme é muito longo, muito mesmo. Alguns personagens são totalmente sem sentido e outros tem reações desconexas com o que ocorre ao redor. Não gostei nada do limbo ou paraíso em que a menina Susie Salmon (Saoirse Ronan) espera sei lá o que. Encontrando outras garotas que também não fazem sentido e são libertadas "para o Céu" sem motivo nenhum.

E para culminar com a história, o personagem malvado morre velho praticamente por um castigo divino, tropeçando e caindo uma ribanceira.

Por hora é isso. Esse, infelizmente, não recomendo.


por Oscar R. Júnior



Amor Sem Escalas

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Amor Sem Escalas (Up in the Air, 2009)

Estreia Oficial: 5 de setembro de 2009
Estreia no Brasil: 22 de janeiro de 2010
IMDb



A péssima tradução do título, “Amor Sem Escalas”, não transmite o foco principal do filme. É verdade que há romance na trama (mesmo que rapidamente), mas não é sobre isso que se trata este ótimo filme.

O diretor Jason Reitman, assim como já havia feito em seus dois longas anteriores - “Obrigado Por Fumar” e “Juno”, prova que sabe fazer comédia em cima de temas sérios. Desta vez recai sobre a atual crise dos Estados Unidos e o medo de seus trabalhadores de ficarem desempregados.

George Clooney é um executivo especializado em demissões. Seu trabalho consiste em demitir os empregados das empresas que o contratam para esse fim. Assim, ele vive mais voando de um lado para o outro dos EUA do que em sua própria casa, e se sente bem mais à vontade lá em cima (“up in the air”) do que com os pés no chão. E aqui ressalto o ótimo trabalho da Direção de Arte, que é eficiente ao ajudar a construir a personalidade do protagonista ao criar seu apartamento como algo totalmente impessoal (até os hotéis em que o personagem se hospeda durante o filme são mais aconchegantes e pessoais que o seu apartamento), mostrando como ele realmente não ‘perde’ tempo decorando a sua casa, e transformando-a em um local para o qual gosta de voltar – ele realmente não se importa.

Clooney faz mais um papel com seu estilo próprio de humor. Não que ele sempre interprete o mesmo personagem. Mas acredito que ele se dá bem fazendo variações de si mesmo, de sua própria personalidade. Aqui é mais um caso, mas sempre com certa autocrítica embutida, o que confere um charme todo especial aos seus personagens.

Vera Framiga também está muito bem como a ‘versão feminina’ da personagem de Clooney. E Anna Kendrick mostra uma veia de humor bastante interessante, saindo-se surpreendentemente bem, principalmente nos momentos que sua personagem serve como um alívio cômico da narrativa.

Fugindo das soluções óbvias e dos clichês, “Amor Sem Escalas” tem um ótimo roteiro, apoiado no humor inteligente e nas ótimas atuações (como já falei) e ajudado pela edição rápida e que auxilia no desenvolvimento da história. Muito bom, mesmo.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski
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Muito bom filme, atuações incríveis, montagem e trilha sonora perfeitas. Isso junto com uma boa história obviamente.

George Clooney faz o papel principal neste filme com bastante competência. São inúmeros os níveis de leitura propostos pelo filme desde a futilidade de Ryan Bringham que o faz preferir ficar viajando a ficar em casa ou visitar parentes, ao incrível modo como ele operacionaliza o ato de viajar de avião, e passando pelo conflito da nova tecnologia que pode tirá-lo do mercado.

Há também várias partes cômicas no filme, ajudando a contrapor as cenas mais fortes de reação das pessoas demitidas. Este contraponto fortalece o ritmo de todo o filme.

Também destaco a atuação da Vera Farmiga.

Gostei: muito, mas muito mesmo da descrição do personagem principal. A montagem é muito boa mesmo.


por Oscar R. Júnior



sábado, 16 de janeiro de 2010

A Fita Branca

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.


Fita Branca, A (Das Weisse Band – Eine Deutsche Kindergeschicte, 2009)

Estreia Oficial: 21 de maio de 2009
Estreia no Brasil: 25 de setembro de 2009
IMDb



A violência é assunto constante na cinematografia de Michael Haneke, e neste seu último filme não é diferente, ela está lá presente.

O diretor utiliza-se de uma fotografia em preto-e-branco para contar a história de uma vila alemã às vésperas da Primeira Guerra Mundial, o que dá ainda mais dureza à história. O longa é guiado pela narração em off do antigo professor da vila, que narra os fatos que aconteceram durante a sua juventude no local. E tudo começa quando atos de crueldade (que parecem castigos) começam a assolar alguns moradores da vila, inclusive crianças.

Ninguém sabe quem comete esses atos de violência, e o clima de suspeita impera no vilarejo. Adultos e, inclusive crianças, podem ter cometido tais atos. E Haneke mantém o clima sombrio do começo ao fim do filme.

Mas a violência e a desconfiança servem de pano de fundo para um estudo do comportamento humano. E vai mais além, mostra a estrutura autoritária e patriarcal que tomava conta da sociedade alemã neste período. Como diz o narrador do filme, que os atos ali acontecidos prenunciam o que viria acontecer mais tarde no país inteiro anos depois, podemos concluir que Haneke atribui a esta estrutura social o nascimento do que viria a ser o nazismo. E o que vemos ao longo de toda a trama são jovens que sofrem abusos (sexuais ou psicológicos) e são amarrados em suas camas para não pecarem. Então, não é de se admirar que esses jovens alemães do início do século XX, criados sob uma educação repressora, cheios de sentimentos de desprezo, indiferença e crueldade, anos mais tarde identificassem-se com os conceitos ideológicos que Hitler pregava.

E a marca mais evidente desta analogia feita por Haneke é a tal fita branca do título. As crianças tinham que usar uma fita branca para se lembrar dos pecados que tinham cometido, e só poderiam deixar de usá-la, quando seus pais voltassem a confiar nelas. O que lembra a fita amarela que os nazistas forçavam os judeus usarem para que todos soubessem quem eles eram, para que ficasse claro a diferença social entre eles.

Bom, concordando ou não com o diretor, a verdade é que ele não quer dar respostas, mas sim levantar questionamentos sobre o comportamento humano, e como este pode ser cruel, aliás coisa que Michael Haneke já vem fazendo há muito tempo em seus longas.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski
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Boa parte do filme fiquei perdido sobre quem era quem naquelas várias crianças, quase da mesma idade. Neste filme de Michael Haneke as interações entre pais e filhos é bastante complicada.

É um desses filmes para ficar pensando por horas a fio. Há crimes acontecendo, burburinhos entre os habitantes do vilarejo, investigação do professor que percebe coisas estranhas mas no fim, não há resolução da história, hehe

Não é exatamente o tipo de filme que eu faria, mas é um dos tipos de filme que gosto de assistir: cheio de nuances, nada é exatamente o que aparenta inicialmente.

Destaque para a atuação do pastor (Burghart Klaußner) que está ótimo no filme.


por Oscar R. Júnior


O Mensageiro

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Mensageiro, O (The Messenger, 2009)

Estreia Oficial: 19 de janeiro de 2009
Estreia no Brasil: 3 de outubro de 2009
IMDb



Apenas algumas considerações sobre este filme do qual gostei bastante.

“O Mensageiro” é um filme de guerra tratado sob uma perspectiva diferente. Não há batalhas, tiroteios, bombardeios, etc. Mostra a rotina de dois oficiais do exército norte-americano que são os encarregados de dar às famílias das vítimas, a triste notícia sobre a morte de soldados durante a Guerra no Iraque. E o filme é bastante eficiente ao que se propõe. É mais um drama do que um filme de guerra propriamente dito.

O filme é totalmente baseado nas atuações. E essas não decepcionam, principalmente da dupla principal, Ben Foster e Woody Harrelson. Os dois desempenham atuações viscerais, repletas de emoção. Eu diria até que Harrelson tem o papel de sua carreira aqui... e, se este não fosse o ano de Christoph Waltz (de "Bastardos Inglórios"), ele certamente seria o favorito aos principais prêmios. Há também Samantha Morton, como a viúva de um soldado, que também está muito bem. E uma ponta do sempre competente Steve Buscemi.

É um filme correto, sem muitos floreios. E não precisa, a força de seu roteiro e das interpretações já são o suficiente.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski
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Sim, mais um filme que tem como tema de fundo alguma guerra (os outros são “The Hurt Locker” e “Brothers”). Este fala sobre os encarregados de dar a notícia aos familiares dos mortos na Guerra do Iraque.

O Sargento Will Montgomery (Ben Foster) está ótimo. Ele acaba de voltar da guerra após se machucar e está se recuperando ainda, por isso cumpre atividades nos Estados Unidos mesmo. Ele passa a integrar, junto com o Capitão Tony Stone (Woody Harrelson) a equipe de notificação dos mortos em combate. Antes dele começar essa nova missão, percebe-se que ele é totalmente fechado, ríspido com as pessoas. Isto vai mudando um pouco durante o filme e durante a convivência com seu companheiro de missão.

Woddy Harrenson merece atenção neste filme, ele está espetacular. Sendo um capitão linha dura, parecendo não ter compaixão por nada nem ninguém, com o passar do filme se mostra bastante frustrado e debilitado afetivamente. As cenas das notificações em si são fortes. Pessoas chorando desesperadas como Dale Martin (Steve Buscemi), os xingando, cuspindo neles e culpando-os pela morte do filho, passando pela mãe que perdeu o filho ou o pai que recebe a noticia da morte da filha e fica desesperado olhando para a neta brincando inocentemente.

Gostei muito da cena em que Foster e Harreson contam como foram os momentos de guerra de cada um (um no Vietnam e o outro no Iraque). Nesta cena, o mais velho confessa que a guerra era só festa e diversão, porque não confrontaram ninguém; o outro admite que quando estavam sendo alvejados por atiradores de longa distância no Iraque, ele tentou refugiar alguns colegas em lugares seguros e colocou um deles encima de uma bomba que veio a explodir. Foi neste momento que se machucara, após um tempo quando estava no hospital veio um superior o parabenizando por ser um herói de guerra por ter salvo a vida de alguns companheiros. Após essas confissões, o personagem do Woddy Harrenson chora como uma criança, sem falar nada, somente chora. Muito boa essa cena. Chocante.

Recomendo.


por Oscar R. Júnior


A Proposta

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.
Proposta, A (The Proposal, 2009)

Estreia Oficial: 18 de junho de 2009
Estreia no Brasil: 10 de julho de 2009



A personagem interpretada por Sandra Bullock – Margaret Tate – é uma versão mais jovem da Miranda, interpretada por Meryl Streep em “O Diabo Veste Prada”. Megera no trabalho, todos a temem, só que aqui, em vez de editora de uma revista, ela é uma editora de livros. E, no papel de capacho, em vez de Anne Hathaway, há Ryan Reynolds.

Mas não é só a personagem principal que você já viu em algum outro filme. Este “A Proposta” é repleto de ‘lugares comuns’ que todos já estão cansados de ver em filmes do gênero comédia-romântica.

Não entendo a indicação de Sandra Bullock ao Globo de Ouro (como melhor atriz na categoria comédia/ musical). Ela está como sempre, as mesmas caras, os mesmos sorrisinhos... ou seja, Sandra Bullock! Mas enfim, não vai ser hoje que vou entender os critérios de premiações...

Aliás, não é só a Sandra que está como sempre. Ryan Reynolds é outro. O único destaque fica com Betty White, que interpreta a avó de Reynolds, ela rende algumas cenas engraçadas. Friso: algumas. Em compensação, as cenas com o personagem latino Ramone (Oscar Nuñez) são clichês demais, e seu personagem caricato ao extremo, e nem um pouco engraçado. Ou seja, falha exatamente ao que se propõe.

Então, se você gosta de um filme despretensioso, apenas para dar algumas risadas e ver o casal com um ‘happy end’, e para ser esquecido assim que virar a esquina, eu deixaria este “A Proposta” de lado e escolheria “Vestida Para Casar” (só para citar outro filme do gênero da mesma diretora, Anne Fletcher), pelo menos tem uma protagonista mais carismática e é mais engraçado.


por Melissa Lipinski
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Pois então, não sou dos mais chegados nessa dupla de atores, não me recordo de filmes que a atuação deles contribuísse para alguma coisa. Mas vou citar uma curiosidade que percebi procurando sobre eles: Margaret é uma canadense que está para ser deportada, mas Sandra Bullock é estadunidense, da capital. Já Andrew é um subordinado dela que nasceu e tem família no Alasca, mas o ator Ryan Reynolds é canadense de Vancouver.

Vamos ao filme. As cenas mais engraçadas são as que tem o Ramone (Oscar Nuñes, que também faz o seriado The Office).

A premissa não é forte, os conflitos são válidos, mas as personagens principais são fracas e sem graça.

Logo: é uma comédia interessante para aquela noite de sábado chuvosa em que se está cansado. Nessas horas vale a pena.


por Oscar R. Júnior


Duplicidade

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Duplicidade (Duplicity, 2009)

Estreia Oficial: 19 de março de 2009
Estreia no Brasil: 5 de junho de 2009
IMDb



"Duplicidade" é um daqueles filmes de espionagem (aqui, corporativa), no qual acontecem inúmeras reviravoltas na história, até chegar ao ponto onde toda a história não é mais o que aparentava.

Geralmente gosto de tramas assim, mas aqui, as reviravoltas são tantas, acompanhadas geralmente do uso de flashbacks, que a própria trama acaba enfraquecendo.

Porém, de maneira nenhuma o filme se torna chato, seu ritmo é adequado, e os momentos de tensão são crescentes, o que faz com que o espectador fique ligado na história.

Mas, o mais forte deste filme é, definitivamente, o carisma e a química do casal protagonista, Julia Roberts e Cliwe Owen. Entre o amor e a desconfiança, eles levam a trama, e o espectador vai conhecendo-os aos poucos. Fechando o elenco, Paul Giamatti e Tom Wilkinson, sempre competentes, e que protagonizam aquela que talvez seja a melhor cena do filme - a inicial: uma briga entre os dois que, toda em câmera lenta, até parece, em alguns momentos, uma dança.

Enfim, "Duplicidade" acaba sendo um bom entretenimento graças ao seu tom irônico e à atuação de seus protagonistas.


por Melissa Lipinski
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A cena inicial do filme é engraçadíssima, com Tom Wilkinson e Paul Giamatti brigando num aeroporto. A briga em câmera lenta rende boas risadas.

A atuação do casal principal (Clive Owen e Julia Roberts) cumpre bem a função. A história é cheia de voltas e reviravoltas. A gente nunca sabe pra quem eles estão trabalhando. Ou se estão por conta própria.

Interessante o lance de espionagem industrial, espionagem com todos os recursos que grandes agências de inteligência têm.

O que mais vale é o final com a revelação que na verdade o personagem do Tom Wilkinson tinha tramado tudo.


por Oscar R. Júnior



sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Distrito 9

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Distrito 9 (District 9, 2009)

Estreia Oficial: 13 de agosto de 2009
Estreia no Brasil: 16 de outubro de 2009
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"Distrito 9" é mais um exemplar dos chamados 'mockumentaries', os falsos documentários que, a cada dia, vêm ganhando mais força.

A história é simples: há 20 anos, uma nave alienígena chegou à Terra com seus tripulantes doentes. Sem poder retornar ao seu planeta de origem, a nave fica pairando sobre Johanesburgo (África do Sul), e seus tripulantes, bastante adoentados, são transportados à superfície e passam, desde então, a habitar uma área delimitada - o Distrito 9 do título. Passados 20 anos, essa área não difere em nada de uma favela, onde impera a violência e o tráfico, e seus habitantes (os alienígenas) passam a ser vistos com maus olhos e repulsa pelos seres humanos. E, a partir daí, um grupo é encarregado de remover a população extra-terrena para um outro local, que será chamado de Distrito 10.

Tudo é mostrado como se um documentário sobre essa desocupação estivesse sendo feito. O personagem principal deste documentário (que também é o personagem principal do filme) é Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley). E é em parte por causa da atuação do ator que o filme soa convincente. A princípio compartilhando da opinião da maioria da população que odeia os alienígenas, Wikus é designado para comandar a equipe que entregará a ordem de despejo do Distrito 9 aos seus moradores. Entretanto, após um incidente, Wikus começa a se transformar em uma das criaturas que tanto odeia, e o que acompanhamos a partir de então, é a sua corrida contra o tempo para tentar "se curar". Copley transforma Wikus em um personagem cheio de nuaces, complexo, e que atravessa, ao longo da trama, uma grande transformação - não só no sentido físico, mas (o que é mais interessante) no lado psicológico e de caráter.

Boa parte da dramaticidade que o filme atinge, deve-se à realidade com que os alienígenas foram criados. Em nenhum momento duvidamos que os ETs que estamos vendo não são reais. Os efeitos visuais e o trabalho de maquiagem são incríveis, e tornam o caráter documental do longa ainda mais crível.

Esse efeito documental é também corroborado pela fotografia dessaturada, que dá um ar mais realista à história. Infelizmente, esse caráter de documentário se perde em partes da narrativa - principalmente depois que a ação propriamente dita começa. E, em vários momentos, acompanhamos o personagem principal em sua fuga, sem que isto faça parte do documentário. Mas isso não enfraquece o resultado final.

Mas, para mim, o que diferencia "Distrito 9" de outros exemplares de filmes sobre alienígenas, é a crítica social embutida. Claramente fazendo uma alusão ao apartheid que assolou a África do Sul durante tanto tempo, o filme trata os extra-terrestres como a representação dos negros durante a época desse regime e todo o tipo de preconceito que estes sofreram. Mas não é só isso, há aí também a marginalização das classes desfavorecidas, como a colocação destas em favelas.

Enfim, "Distrito 9" não é só um bom entretenimento. É também um filme muito bom.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski
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Esse é mais um desses filmes em que vou assistir sem nem ter idéia do que encontrar. Só sabia que tinha ETs. Para minha felicidade o filme tem muito mais que Extra-terrestres. Tem muita ação e uma boa história.

O filme se mostra como um documentário sobre uma nave alienígena que pousa sobre Joanesburgo. Não dá motivos para essa vinda, somente se mantém aos fatos que estão para ocorrer com a remoção desses mais de 1 milhão de alienígenas.

Adorei o gráfico que o filme tem, são de um realismo impressionante. As cenas de ação são incríveis, nos fazendo segurar forte a poltrona do cinema para agüentar o tranco, hehe.

Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley) é o cara do filme. Ele concentra a ação nele e faz bonito, nos transmitindo o pavor e medo que o perseguem de estar se transformando num "camarão", fazendo-o se aliar aos "inimigos" para conseguir sobreviver.

Este filme recomendo com força, hehe.

por Oscar R. Júnior