segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Oscar: 84ª Edição - 2011

* Apresentação: Billy Cristal

FILME
- O Artista (The Artist)
- Os Descendentes (The Descendants)
- Tão Forte e Tão Perto (Extremely Loud and Incredibly Close)
- Histórias Cruzadas (The Help)
- A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)
- Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris, 2011) 
- O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball, 2011)
- A Árvore da Vida (The Tree of Life)
- Cavalo de Guerra (War Horse)

DIREÇÃO 
- Woody Allen - Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris)
- Michel Hazanavicius - O Artista (The Artist)
- Terrence Malick - A Árvore da Vida (The Tree of Life)
- Alexander Payne - Os Descendentes (The Descendants)
- Martin Scorsese - A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)

ATOR
- Demián Bichir - Uma Vida Melhor (A Better Life)
- George Clooney - Os Descendentes (The Descendants)
- Jean Dujardin - O Artista (The Artist)
- Gary Oldman - O Espião que Sabia Demais (Tinker Tailor Soldier Spy)
- Brad Pitt - O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball, 2011)

ATRIZ 
- Glenn Close - Albert Nobbs (Albert Nobbs)
- Viola Davis - Histórias Cruzadas (The Help)
- Rooney Mara - Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres (The Girl with the Dragon Tattoo)
- Michelle Williams - Sete Dias com Marilyn (My Week With Marilyn)

ATOR COADJUVANTE
- Kenneth Branagh - Sete Dias com Marilyn (My Week with Marilyn)
- Jonah Hill - O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball)
- Nick Nolte - Guerreiro (Warrior)
- Christopher Plummer - Toda Forma de Amor (Beginners)
- Max von Sydow - Tão Forte e Tão Perto (Extremely Loud and Incredibly Close)

ATRIZ COADJUVANTE
- Bérénice Bejo - O Artista (The Artist)
- Jessica Chastain - Histórias Cruzadas (The Help)
- Melissa McCarthy - Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids)
- Janet McTeer - Albert Nobbs (Albert Nobbs)
- Octavia Spencer - Histórias Cruzadas (The Help)

ANIMAÇÃO
- Um Gato em Paris (Une Vie de Chat)
- Chico & Rita (Chico & Rita)
- Kung Fu Panda 2 (Kung Fu Panda 2)
- Gato de Botas (Puss in Boots)
- Rango (Rango)

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
- Hearat Shulayim (Footnote), de Joseph Cedar - Israel
- In Darkness, de Agnieszka Holland - Polônia
- A Separação (Jodaeiye Nader az Simin) - Irã 
- Monsieur Lazhar, de Philippe Falardeau - Canadá
- Rundskop (Bullhead), de Michael R. Roskam - Bélgica

ROTEIRO ADAPTADO 
- Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash - Os Descendentes (The Descendants)
- John Logan - A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)
- George Clooney, Grant Heslov e Beau Willimon - Tudo Pelo Poder (The Ides of March)
- Steven Zaillian, Aaron Sorkin e Stan Chervin - O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball, 2011)
- Bridget O'Connor e Peter Straughan - O Espião que Sabia Demais (Tinker Tailor Soldier Spy)

ROTEIRO ORIGINAL 
- Michel Hazanavicius - O Artista (The Artist)
- Kristen Wiig e Annie Mumolo - Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids)
- J.C. Chandor - Margin Call - O Dia Antes do Fim (Margin Call)
- Asghar Farhadi - A Separação (Jodaeiye Nader az Simin)

FOTOGRAFIA
- Guillaume Schiffman - O Artista (The Artist)
- Jeff Cronenweth - Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres (The Girl with the Dragon Tattoo)
- Robert Richardson - A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)
- Emmanuel Lubezki - A Árvore da Vida (The Tree of Life)
- Janusz Kaminski - Cavalo de Guerra (War Horse)

EDIÇÃO 
- Anne-Sophie Bion e Michel Hazanavicius - O Artista (The Artist)
- Kevin Tent - Os Descendentes (The Descendants)
- Thelma Schoonmaker - A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)
- Christopher Tellefsen - O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball, 2011)

DIREÇÃO DE ARTE 
- Laurence Bennett e Gregory S. Hooper - O Artista (The Artist)
- Stuart Craig e Stephenie McMillan - Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 (Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2)
- Dante Ferretti e Francesca Lo Schiavo - A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)
- Anne Seibel e Hélène Dubreuil - Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris)
- Rick Carter e Lee Sandales - Cavalo de Guerra (War Horse)

FIGURINO 
- Lisy Christl - Anônimo (Anonymous)
- Mark Bridges - O Artista (The Artist)
- Sandy Powell - A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)
- Michael O'Connor - Jane Eyre
- Arianne Phillips - W.E. - O Romance do Século (W.E.)

MAQUIAGEM 
- Martial Corneville, Lynn Johnston e Matthew W. Mungle - Albert Nobbs (Albert Nobbs)
- Nick Dudman, Amanda Knight e Lisa Tomblin - Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 (Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2)
- Mark Coulier e J. Roy Helland - A Dama de Ferro (The Iron Lady)

TRILHA SONORA
- John Williams - As Aventuras de Tintim (The Adventures of Tintin)
- Ludovic Bource - O Artista (The Artist)
- Howard Shore - A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)
- Alberto Iglesias - O Espião que Sabia Demais (Tinker Tailor Soldier Spy)
- John Williams - Cavalo de Guerra (War Horse)

CANÇÃO
- "Man or Muppet", de Bret McKenzie - Os Muppets (The Muppets)
- "Real in Rio", de Sergio Mendes, Carlinhos Brown e Siedah Garrett - Rio (Rio)

EDIÇÃO DE SOM 
- Lon Bender e Victor Ray Ennis - Drive (Drive)
- Ren Klyce - Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres (The Girl with the Dragon Tattoo)
- Philip Stockton e Eugene Gearty - A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)
- Ethan Van der Ryn e Erik Aadahl - Transformers: O Lado Oculto da Lua (Transformers: Dark of the Moon)
- Richard Hymns e Gary Rydstrom - Cavalo de Guerra (War Horse)

MIXAGEM DE SOM
- David Parker, Michael Semanick, Ren Klyce e Bo Persson - Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres (The Girl with the Dragon Tattoo)
- Tom Fleischman e John Midgley - A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)
- Deb Adair, Ron Bochar, Dave Giammarco e Ed Novick - O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball, 2011) 
- Greg P. Russell, Gary Summers, Jeffrey J. Haboush e Peter J. Devlin - Transformers: O Lado Oculto da Lua (Transformers: Dark of the Moon)
- Gary Rydstrom, Andy Nelson, Tom Johnson e Stuart Wilson - Cavalo de Guerra (War Horse)

EFEITOS VISUAIS
- Tim Burke, David Vickery, Greg Butler e John Richardson - Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 (Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2)
- Rob Legato, Joss Williams, Ben Grossman e Alex Henning - A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)
- Erik Nash, John Rosengrant, Dan Taylor e Swen Gillbert - Gigantes de Aço (Real Steel)
- Joe Letteri, Dan Lemmon, R. Christopher White e Daniel Barrett - Planeta dos Macacos: A Origem (Rise of the Planet of the Apes)
- Scott Farrar, Scott Benza, Matthew Butler e John Frazier - Transformers: O Lado Oculto da Lua (Transformers: Dark of the Moon)

DOCUMENTÁRIO
- Danfung Dennis e Mike Lerner - Hell and Back Again
- Marshall Curry e Sam Cullman - If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front
- Joe Berlinger e Bruce Sinofsky - Paradise Lost 3: Purgatory
- Wim Wenders e Gian-Piero Ringel - Pina
- TJ Martin, Dan Lindsay e Richard Middlemas - Undefeated

CURTA DOCUMENTÁRIO
- Robin Fryday e Gail Dolgin - The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement
- Rebecca Cammisa e Julie Anderson - God Is the Bigger Elvis
- James Spione - Incident in New Baghdad
- Daniel Junge e Sharmeen Obaid-Chinoy - Saving Face
- Lucy Walker e Kira Carstensen - The Tsunami and the Cherry Blossom

CURTA-METRAGEM 
- Peter McDonald - Pentecost
- Max Zähle e Stefan Gieren - Raju
- Terry George - The Shore
- Andrew Bowler e Gigi Causey - Time Freak
- Hallvar Witzø - Tuba Atlantic

CURTA DE ANIMAÇÃO 
- Patrick Doyon - Dimanche
- William Joyce e Brandon Oldenburg - The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore
- Enrico Casarosa - La Luna
- Grant Orchard e Sue Goffe - A Morning Stroll
- Amanda Forbis e Wendy Tilby - Wild Life

PRÊMIOS HONORÁRIOS
- James Earl Jones
- Dick Smith

PRÊMIO HUMANITÁRIO JEAN HERSHOLT
- Oprah Winfrey

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Guerreiro

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Guerreiro (Warrior, 2011)

Estreia oficial: 9 de setembro de 2011
Estreia no Brasil: lançado diretamente em DVD
IMDb



O roteiro de "Guerreiro", escrito por Gavin O'Connor (que também o dirige), Anthony Tambakis e Cliff Dorfman, tira proveito do esporte do momento, o MMA (Mixed Martial Arts), como pano de fundo para um melodrama familiar repleto de amarguras. O grande diferencial aqui, é que a história preocupa-se em desenvolver bem seus personagens, fazendo com que nós espectadores, consigamos tanto repreender quanto torcer por cada um dos vértices desse triângulo familiar, formado por Paddy Conlon (Nick Nolte), o pai, e seus filhos, Brendan (Joel Edgerton) e Tommy (Tom Hardy).

A história entre os três vai se desenvolvendo e vamos, aos poucos, descobrindo a razão de tanta inimizade e do seu afastamento. O primeiro terço do filme fica reservado para o desenvolvimento individual de cada personagem. Assim, o pano de fundo, o MMA, vai sendo introduzido aos poucos, até que ganha maior projeção no terço final, quando um torneio desenvolve-se com tamanha veracidade.

A direção de O'Connor é muito precisa, e consegue transitar bem entre os momentos de maior dramaticidade do começo, e uma ótima decupagem da parte final, quando as lutas acontecem. Aliás, tais coreografias impressionam não apenas pela sua montagem, mas também pela ótima edição de áudio, o que lhes garante um ar mais realista.

Mas são mesmo os personagens e as atuações de seus atores o que torna "Guerreiro" mais do que um simples filme de esportes. John Edgerton (do ótimo "Reino Animal") está bem como um pai de família dividido entre a promessa que fez à esposa de que não mais ganharia a vida 'levando porrada', e a chance de ganhar dinheiro de modo mais rápido afim de não perder sua casa. Ele também dá aulas de física para o ensino médio, e o contraste que Edgerton consegue imprimir é gritante: quando está com seus alunos ou em casa com a família tem um ar responsável e acolhedor; já quando está dentro do ringue, impressiona pela resistência com que enfrenta seus adversários. Já Tom Hardy está um 'monstro', e sua potência física já impressiona apenas ao olharmos para ele; mas são nos momentos de maior introspecção de seu personagem que o ator cresce. Extremamente calado, Tommy consegue demonstrar apenas por sua postura a vida sofrida e repleta de decepções pela qual passou. Seu ressentimento com o pai e com o irmão mais velho, e sua lealdade à viúva de um ex-companheiro da época em que era fuzileiro naval, tornam-no, talvez, o personagem mais complexo da história. Se bem que o páreo é duro, já que seu pai, Paddy, não fica muito atrás. Ex-treinador de sucesso, o sujeito perdeu tudo o que tinha, família e carreira, devido ao alcoolismo. Quando conhecemos Paddy, porém, ele já está 'limpo' há bastante tempo, e tenta reaproximar-se dos filhos, procurando pelo perdão destes. E Nick Nolte está ótimo. Sua fala arrastada, seu jeitão 'lento' e seu olhar sofrido revelam um homem que tem consciência do mal que causou aos seus familiares, mas que luta por uma redenção.

Enfim "Guerreiro" é isso mesmo, um filme de redenção. Um filme de MMA que sabe utilizar-se do esporte para dar ainda mais dramaticidade à sua história principal, dando tempo para que seus personagens se desenvolvam corretamente. Ao final do longa, é impossível não se sentir tocado pela história dessa sofrida família, e isso acontece porque nos importamos com cada um deles.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski


 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A Invenção de Hugo Cabret

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Invenção de Hugo Cabret, A (Hugo, 2011)

Estreia oficial: 23 de novembro de 2011
Estreia no Brasil: 17 de fevereiro de 2012
IMDb



Nunca imaginei que veria os filmes de George Méliès no cinema… E ainda mais em 3D! Portanto, para esta apaixonada pela História do Cinema que vos escreve, "A Invenção de Hugo Cabret", de Martin Scorsese, tem um 'gostinho' a mais. Foi impossível não sorrir e me emocionar ao ver fragmentos tanto das obras de Méliès quanto de outros grandes cineastas do cinema mudo projetadas na telona.

Porém, não se pode deixar levar apenas pela emoção e, analisando o filme de Scorsese mais friamente, é impossível não notar algumas 'notas dissonantes' no resultado final. É como se, de um lado, o diretor acertasse em cheio ao resgatar a memória da Sétima Arte, e o espírito de se preservar a história; porém, de outro, Scorsese 'pesa a mão', em uma história que se estende além do necessário e possui um bom número de personagens secundários totalmente irrelevantes para a narrativa.

O roteiro de John Logan (baseado no livro de Brian Selznick) conta como o órfão Hugo Cabret (Asa Butterfield), vivendo no interior das paredes de uma grande estação ferroviária de Paris, e tentando consertar um autômoto deixado por seu pai (Jude Law), acaba descobrindo a verdadeira identidade de um ranzinza vendedor de brinquedos (Ben Kingsley). Claro que, para isso, vai contar com a ajuda da filha adotiva do tal vendedor, Isabelle (Chloë Grace Moretz), ao mesmo tempo em que tenta escapar da perseguição implacável do inspetor da estação (Sacha Baron Cohen).

É bom deixar claro que o filme (assim como o livro em que é inspirado) é uma obra de ficção, e acaba 'alterando' a história do Cinema - mais especificamente a de Méliès - para torná-la mais dramática. E Scorsese parece ter achado a obra ideal para falar de uma de suas grandes paixões: o Cinema em si, e a necessidade da preservação da sua origem. Assim, no que diz respeito a esse aspecto o longa é impecável, e nos remete a uma verdadeira viagem aos princípios da Sétima Arte, mostrando trechos de "A Chegada do Trem na Estação" e "A Saída dos Operários da Fábrica Lumière" (ambos de 1895, dos irmãos Lumière), "O Beijo" (1896, de William Heise), "O Grande Roubo do Trem" (1903, de Edwin S. Porter), "Intolerância" (1916, de D. W. Griffith), "O Garoto" (1921, de Charles Chaplin), "A General" (1926, de Buster Keaton), "A Caixa de Pandora" (1929, de Georg Wilhelm Pabst), apenas para citar os que reconheci logo de cara (além, claro, de partes dos diversos filmes de Méliès).

Impecável também é a qualidade técnica do longa: desde seus grandiosos e cuidadosamente montados cenários (o interior das paredes da estação de trem; a própria estação, imponente; a amontoada livraria de Monsieur Labisse - Christopher Lee; a perfeita recriação do estúdio de Méliès), passando pela bela fotografia de Robert Richardson, que aposta principalmente no tom amarelado (ou sépia), além da edição fluida e que consegue mesclar (sem que percebamos) elementos reais com os virtuais, o excelente trabalho da equipe de efeitos especiais, e a ótima utilização do 3D.

Porém, ao voltar-se para a trama principal, envolvendo o jovem Hugo e sua busca em consertar o autômato - único elemento que ainda o liga ao seu falecido pai, Martin Scorsese parece meio perdido (talvez por estar pisando em um território novo, já que nunca havia comandado uma aventura infanto-juvenil), e abusa do melodrama. Sem contar, como falei, as inúmeras tramas paralelas que nada beneficiam o desenvolvimento da história e acabam fazendo justamente o contrário: tornam a narrativa mais arrastada e cheia de 'barrigas'. E ainda que contem com atores de gabarito como Christoper Lee, Richard Griffiths, Frances de la Tour e Emily Mortimer em boas perfomances, e possam até garantir uma ou outra risada pelo caminho, acabam servindo apenas para reiteração de um discurso já entendido pelo restante do contexto da obra.

Mas como falei no início, "A Invenção de Hugo Cabret" encantou-me de uma forma toda particular, e o resultado final, apesar de não ser perfeito, soou-me muito além do satisfatório. Além é claro, da mesma forma que "O Artista", possuir todo o mérito de resgatar um período da História do Cinema para novas gerações.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski


 
 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A Dama de Ferro

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Dama de Ferro, A (The Iron Lady, 2011)

Estreia oficial: 26 de dezembro de 2011
Estreia no Brasil: 17 de fevereiro de 2011
IMDb



Margaret Thatcher foi uma das mulheres (senão 'a' mulher) e uma das figuras políticas (dentre homens e mulheres) mais influentes do século passado. Sua personalidade forte, suas decisões polêmicas e suas fortes convicções políticas garantiram que fosse eleita três vezes a Primeira Ministra da Grã-Bretanha (uma marca até hoje inigualada). Portanto, era de se esperar que o filme que retratasse a trajetória dessa mulher fosse, no mínimo, interessante. Porém, apesar de uma estupenda atuação de Meryl Streep e uma ótima maquiagem, não há nada, mas nada mesmo que se salve nesta produção.

O roteiro escrito por Abi Morgan adota uma estrutura narrativa não apenas deselengante, mas extremamente desmerecedora da figura da Dama de Ferro, optando retratá-la como uma senhora senil (não se sabe por causa do mal de Alzheimer ou loucura) que revê momentos entrecortados de sua vida enquanto é atormentada pelo fantasma de seu marido morto, Denis (Jim Broadbent). Assim, a narrativa intercala-se entre Thatcher em sua casa falando com um alucinação, e flashbacks que não conseguem dimensionar a grandeza da mulher que tinha em mãos para retratar.

Nunca contextualizando a vida política da ex-Primeira-Ministra, os flashbacks saltam de um acontecimento a outro, sem jamais explicá-los. Assim, em um momento a vemos decidindo se candidatar ao Parlamento, e logo em seguida, já ficamos sabendo que ela foi eleita, para logo depois vermos, com surpresa, que já se tornara líder do Partido Conservador, para, num salto parecido de tempo, descobrirmos que já é Ministra da Educação e, como num passe de mágica, Primeira-Ministra. Tal estrutura impede que a personagem consiga evoluir diante de nossos olhos, e vemos suas transformações como formalidades necessárias e impostas pelo roteiro, e não como uma evolução natural ou amadurecimento daquela mulher.

Mas não apenas o desenvolvimento da personagem é falho. Toda a situação política, o contexto, é equivocado. Assim, Thatcher é sempre colocada como uma espécie de 'salvadora da pátria', e os problemas e crises pelos quais a Inglaterra passava são retratados como sendo alheios à figura da Primeira-Ministra. Como se ela estivesse ali para tentar contorná-los a todo modo, e não fosse, também, a sua causa. Assim, tanto a roteirista quanto a diretora, Phyllida Lloyd (do abominável "Mamma Mia!"), posicionam-se como 'passando a mão na cabeça' de Thatcher, fechando os olhos para seus reais atos políticos. E o que dizer da cena que a coloca como alta estrategista de guerra, diante de uma mesa repleta de miniaturas de navios, como se, sozinha, houvesse arquitetado a vitória da Inglaterra na Guerra das Malvinas?! Ou então, os momentos em que se coloca como a 'mãe de todos', servindo chá logo depois de uma discussão política, ou escrevendo de próprio punho cartas para as famílias dos soldados mortos na Guerra!?

Contando ainda com uma direção repleta de equívocos de Lloyd, que abusa dos clichês e posicionamentos/movimentos de câmera 'padrão' para reafirmar seu discurso, chega a ser chocante que uma atriz do calibre de Meryl Streep, pela segunda vez, trabalhe em parceria com a diretora - e novamente em um projeto que beira o patético.

E chega a espantar - e confirmar o seu imenso talento como atriz - o fato de Streep conseguir uma atuação brilhante mesmo em 'situações adversas'. Não apenas os gestos e a postura da Dama de Ferro são brilhantemente (e naturalmente) incorporados pela atriz, como a sua mudança de tom de voz ao longo de sua carreira. E, mesmo a patética figura da Thatcher 'insana' retratada por Lloyd, consegue ganhar alguns contornos mais comoventes quando Meryl Streep toma conta das cenas.

Como falei no início, há que se destacar também o ótimo trabalho de maquiagem, que convence justamente pelos detalhes: basta notar a maquiagem do pescoço e mãos da Thatcher envelhecida para compreender o que estou falando. Um trabalho que, assim como o de Streep, destoa do seu produto final.


por Melissa Lipinski


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Uma Vida Melhor

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Vida Melhor, Uma (A Better Life, 2011)

Estreia oficial: 29 de julho de 2011
Estreia no Brasil: será lançado diretamente em DVD
IMDb



"Uma Vida Melhor", do diretor Chris Weitz, é repleto de humanidade em seus menores detalhes. Uma humanidade que vai desde colocar sentimentos paternais em truculentos membros de uma gangue, até o fato de um senhor roubar a caminhonete e as ferramentas da única pessoa que lhe ofereceu trabalho, para poder alimentar sua família.

E o que torna essa produção tão forte e contundente é a sua capacidade de se colocar próxima do espectador. Talvez o fato de sermos brasileiros contribua para isso, já que os protagonistas deste longa são mexicanos emigrados para os Estados Unidos e que, assim como (e ainda em maior quantidade) muitos brasileiros sofrem com a sua situação ilegal naquele país. Porém, independente disso, é fato que o roteiro de Eric Eason consegue a proeza de transformar esses personagens em pessoas 'comuns' - uma história que muito bem poderia acontecer com um vizinho, um amigo, um parente, ou até com você mesmo, tamanha é a coloquialidade do seu discurso.

A relação entre pai e filho, Carlos (Demián Bichir) e Luis (José Julián), é o que norteia a narrativa. Assim como as escolhas que ambos fazem para, como diz o título, ter "uma vida melhor". Não são escolhas grandiosas ou 'de vida ou morte', mas pequenas decisões, dessas que tomamos todos os dias, e que estabelecem nossas ações e nos definem como pessoa.

A opção de Weitz em manter um 'ar documental', com sua câmera colocada, na maioria das vezes, próxima aos atores, e uma fotografia mais naturalista ajuda na identificação e aproximação do espectador. O cineasta também acerta no tempo em que dá para seus atores desenvolverem seus personagens e demonstrarem seu talento. Surpreendente eu diria, já que Weitz até fez um ótimo trabalho em "Um Grande Garoto" (2002), mas seus últimos trabalhos deixavam a desejar: "A Bússola de Ouro" (de 2007, que tem seus momentos, é verdade); e o péssimo "A Saga Crepúsculo: Lua Nova" (2009).

Mas são mesmo as atuações que elevam o valor de "Uma Vida Melhor". José Julián consegue transmitir toda a angústia e indecisão de um adolescente que cresce dividido entre duas (ou mais) realidades: a mexicana (representada por seu pai, e cujo idioma, espanhol, já não é mais a sua língua-mãe), e a estadunidense (o país em que praticamente se criou - e seu inglês quase sem sotaque denota claramente isso); o caminho do trabalho duro, que certamente não lhe trará riquezas (afinal é um mexicano pobre vivendo com um pai ilegal), ou o envolvimento com gangues - o que poderia lhe proporcionar maiores facilidades econômicas. Mas é mesmo Dámian Bichir a 'alma' do longa - o seu Carlos é um homem correto, que cuida sozinho do filho adolescente, e cuja maior preocupação é ver seu filho crescer honestamente e se tornar um homem respeitável. Há preocupação e tristeza no olhar de Carlos, mas há também amor e carinho. E são nos momentos de maior intimidade entre pai e filho, que a atuação de Bichir cresce e 'engole' a tela - não há como não se emocionar com aquele sujeito tão verdadeiro.

Mas há problemas, é claro. Ao meu ver, principalmente no ritmo da narrativa e com relação à trilha musical, que parece tentar evocar sentimentos grandiosos, épicos demais, enquanto deveria apostar numa abordagem mais intimista, como o restante do filme o faz.

No geral, porém, mostrando uma Los Angeles que comumente não é vista nos filmes, com sua diversidade cultural, social e econômica - e não como cartões postais de Hollywood -  "Uma Vida Melhor" comove por colocar temas maiores, como os imigrantes ilegais ou a falta de oportunidade de trabalho, como pano de fundo para um drama muito mais intimista: o relacionamento entre um pai e seu filho.

E nunca achei que fosse dizer isso a respeito de um filme de Chris Weitz, mas há muito de "Ladrões de Bicicleta" (1948, de Vittorio De Sica), em "Uma Vida Melhor".

Fica a dica!


por Melissa Lipinski


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Chico & Rita

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Chico & Rita (2010)

Estreia oficial: 19 de novembro de 2010
Estreia no Brasil: sem data prevista
IMDb



"Chico & Rita", dirigida por Fernando Trueba, Javier Mariscal e Tono Errando, é uma animação voltada para o público adulto e que conta uma história simples e melodramática por natureza (afinal tem-se o amor - desencontrado e sofrido - e a música como temas centrais aqui).

O roteiro de Trueba e Ignacio Martínez de Pisón conta a história do amor 'caliente' entre Chico, um exímio pianista, e Rita, uma belíssima e sensual cantora com uma voz doce, forte e melodiosa. Porém, nada será tão simples para os dois amantes, e entre idas e vindas, crises de ciúmes e traições, Havana e Nova York, a história dos dois vai se delineando através de várias décadas.

A animação, um misto da tradicional técnica 2D com a tecnologia digital, encanta com seu traço bem delimitado que recria com perfeição paisagens detalhadas das cidades onde a história se passa. A recriação das décadas de 1940 e 50, tanto em Cuba como nos Estados Unidos, é detalhista e de um notável primor. E os detalhes dos traços de Javier Mariscal são incríveis, desde um descascado numa parede de um simplório apartamento de Havana, passando pelas luzes de uma Manhattan vista de navio, até o charme e elegância das ruas de Paris, tudo finalizado com uma iluminação igualmente inspirada.

Chama a atenção também a maneira sensual porém delicada com que os realizadores retratam as cenas de sexo entre o casal. Como falei, é uma animação para adultos e há cenas bastante ousadas, mas que são conduzidas de forma nada vulgar.

E, se a história de amor entre o casal não traz nenhuma novidade e chega a recorrer a alguns clichês em seu percurso, é pontuda bela belíssima trilha musical de Bebo Valdés (músico em quem o personagem de Chico é baseado), que relembra o auge do jazz latino (uma mistura do típico jazz estadunidense com o mambo, e que teve seu expoente com os músicos cubanos que migraram para os EUA nos anos 1950).

Enfim, com um ritmo um pouco oscilante e um final um tanto quanto forçado (ainda que poético), "Chico & Rita" consegue manter-se sobretudo pela força de sua trilha musical, que com canções ora conhecidas, ora nem tanto, embalará a todos nessa aventura amorosa que vale mais pela sua jornada do que pelo seu desfecho propriamente dito.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski


 
 

domingo, 12 de fevereiro de 2012

BAFTA 2012

OBS: Clique no nome do filme para ler os comentários. Vencedores em vermelho.

FILME
- O Artista (The Artist)
- Os Descendentes (The Descendants)
- Drive (Drive)
- Histórias Cruzadas (The Help)
- O Espião que Sabia Demais (Tinker Tailor Soldier Spy)

FILME BRITÂNICO
- Sete Dias com Marilyn (My Week with Marilyn)
- Senna
- Shame
- O Espião que Sabia Demais (Tinker Tailor Soldier Spy)
- Precisamos Falar Sobre o Kevin (We Need to Talk About Kevin)

ESCRITOR, DIRETOR OU PRODUTOR ESTREANTE
- Joe Cornish (Diretor | Escritor) - Ataque ao Prédio (Attack the Block)
- Will Sharpe (Diretor | Escritor), Tom Kingsley (Diretor), Sarah Brocklehurst (Produtora) - Black Pond
- Ralph Fiennes (Diretor) - Coriolanus
- Richard Ayoade (Diretor | Escritor) - Submarine
- Paddy Considine (Diretor), Diarmid Scrimshaw (Produtor) - Tyrannosaur

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
- Incêndios (Incendies)
- Pina
- Potiche - Esposa Troféu (Potiche)
- A Separação (Jodaeiye Nader az Simin)
- A Pele que Habito (La Piel que Habito)

DOCUMENTÁRIO
- George Harrison: Living in the Material World
- Projeto Nim (Project Nim)
- Senna

ANIMAÇÃO
- As Aventuras de Tintim (The Adventures of Tintin)
- Operação Presente (Arthur Christmas)
- Rango (Rango)

DIRETOR
- Michel Hazanavicius - O Artista (The Artist)
- Nicolas Winding Refn - Drive
- Martin Scorsese - A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)
- Tomas Alfredson - O Espião que Sabia Demais (Tinker Tailor Soldier Spy)
- Lynne Ramsay - Precisamos Falar Sobre o Kevin (We Need to Talk About Kevin)

ROTEIRO ORIGINAL
- Michel Hazanavicius - O Artista (The Artist)
- Annie Mumolo, Kristen Wiig - Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids)
- John Michael McDonagh - O Guarda (The Guard)
- Abi Morgan - A Dama de Ferro (The Iron Lady)
- Woody Allen - Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris)

ROTEIRO ADAPTADO
- Alexander Payne, Nat Faxon, Jim Rash - Os Descendentes (The Descendants)
- Tate Taylor - Histórias Cruzadas (The Help)
- George Clooney, Grant Heslov, Beau Willimon - Tudo Pelo Poder (The Ides of March)
- Steven Zaillian, Aaron Sorkin - O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball)
- Bridget O'Connor, Peter Straughan - O Espião que Sabia Demais (Tinker Tailor Soldier Spy)

ATOR
- Brad Pitt - O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball)
- Gary Oldman - O Espião que Sabia Demais (Tinker Tailor Soldier Spy)
- George Clooney - Os Descendentes (The Descendants)
- Jean Dujardin - O Artista (The Artist)
- Michael Fassbender - Shame

ATRIZ
- Bérénice Bejo - O Artista (The Artist)
- Michele Williams - Sete Dias com Marilyn (My Week with Marilyn)
- Tilda Swinton - Precisamos Falar Sobre o Kevin (We Need to Talk About Kevin)
-Viola Davis - Histórias Cruzadas (The Help)

ATOR COADJUVANTE
- Christopher Plummer - Toda Forma de Amor (Beginners)
- Jim Broadbent - A Dama de Ferro (The Iron Lady)
- Jonah Hill - O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball)
- Kenneth Branagh - Sete Dias com Marilyn (My Week with Marilyn)
- Philip Seymour Hoffman - Tudo Pelo Poder (The Ides of March)

ATRIZ COADJUVANTE
- Carey Mulligan - Drive
- Jessica Chastain - Histórias Cruzadas (The Help)
- Judi Dench - Sete Dias com Marilyn (My Week with Marilyn)
- Melissa McCarthy - Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids)
- Octavia Spencer - Histórias Cruzadas (The Help)

TRILHA SONORA
- Ludovic Bource - O Artista (The Artist)
- Trent Reznor, Atticus Ross - Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres (The Girl with the Dragon Tattoo)
- Howard Shore - A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)
- Alberto Iglesias - O Espião que Sabia Demais (Tinker Tailor Soldier Spy)
- John Williams - Cavalo de Guerra (War Horse)

FOTOGRAFIA
- Guillaume Schiffman - O Artista (The Artist)
- Jeff Cronenweth - Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres (The Girl with the Dragon Tattoo)
- Robert Richardson - A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)
- Hoyte van Hoytema - O Espião que Sabia Demais (Tinker Tailor Soldier Spy)
- Janusz Kaminski - Cavalo de Guerra (War Horse)

EDIÇÃO
- Anne-Sophie Bion, Michel Hazanavicius - O Artista (The Artist)
- Mat Newman - Drive
- Thelma Schoonmaker - A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)
- Gregers Sall, Chris King - Senna
- Dino Jonsater - O Espião que Sabia Demais (Tinker Tailor Soldier Spy)

DESIGN DE PRODUÇÃO
- Laurence Bennett, Robert Gould - O Artista (The Artist)
- Stuart Craig, Stephenie McMillan - Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 (Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2)
- Dante Ferretti, Francesca Lo Schiavo - A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)
- Maria Djurkovic, Tatiana MacDonald - O Espião que Sabia Demais (Tinker Tailor Soldier Spy)
- Rick Carter, Lee Sandales - Cavalo de Guerra (War Horse)

FIGURINO
- Mark Bridges - O Artista (The Artist)
- Sandy Powell - A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)
- Michael O'Connor - Jane Eyre
- Jill Taylor - Sete Dias com Marilyn (My Week with Marilyn)
- Jacqueline Durran - O Espião que Sabia Demais (Tinker Tailor Soldier Spy)

MAQUIAGEM E CABELO
- Julie Hewett, Cydney Cornell - O Artista (The Artist)
- Amanda Knight, Lisa Tomblin - Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 (Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2)
- Morag Ross, Jan Archibald - A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)
- Jenny Shircore - Sete Dias com Marilyn (My Week with Marilyn)

SOM
- Nadine Muse, Gérard Lamps, Michael Krikorian - O Artista (The Artist)
- James Mather, Stuart Wilson, Stuart Hilliker, Mike Dowson, Adam Scrivener - Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 (Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2)
- Philip Stockton, Eugene Gearty, Tom Fleischman, John Midgley - A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)
- John Casali, Howard Bargroff, Doug Cooper, Stephen Griffiths, Andy Shelley - O Espião que Sabia Demais (Tinker Tailor Soldier Spy)
- Stuart Wilson, Gary Rydstrom, Andy Nelson, Tom Johnson, Richard Hymns - Cavalo de Guerra (War Horse)

EFEITOS VISUAIS
- Joe Letteri - As Aventuras de Tintim (The Adventures of Tintin)
- Rob Legato, Ben Grossman, Joss Williams - A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)
- Joe Letteri, Dan Lemmon, R. Christopher White - Planeta dos Macacos: A Origem (Rise of the Planet of the Apes
- Ben Morris, Neil Corbould - Cavalo de Guerra (War Horse)

CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
- Afarin Eghbal, Kasia Malipan, Francesca Gardiner - Abuelas
- Robert Morgan - Bobby Yeah
- Grant Orchard, Sue Goffe - A Morning Stroll

CURTA-METRAGEM
- Martina Amati, Gavin Emerson, James Bolton, Ilaria Bernardini - Chalk
- Rungano Nyoni, Gabriel Gauchet - Mwansa the Great
- Arash Ashtiani, Anshu Poddar - Only Sound Remains
- John Maclean, Gerardine O'Flynn - Pitch Black Heist
- Babak Anvari, Kit Fraser, Gavin Cullen - Two and Two

THE ORANGE WEDNESDAYS RISING STAR AWARD (voto do público)
- Adam Deacon
- Chris Hemsworth
- Chris O'Dowd
- Eddie Redmayne
- Todd Hiddleston

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Gigantes de Aço

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Gigantes de Aço (Real Steel, 2011)

Estreia oficial: 7 de outubro de 2011
Estreia no Brasil: 21 de outubro de 2011
IMDb



"Gigantes de Aço" é uma versão futurista de "Falcão - O Campeão dos Campeões". Substitua Sylvester Stallone por Hugh Jackman, a queda de braço por boxe entre robôs e o garotinho enjoado do filme de 1987 por outro carismático e divertido e, voilà! Ou até poderia ser uma mistura de "Falcão" com "Rocky", sendo que o boxe dá-se entre robôs… Enfim, comparações à parte, o longa dirigido por Shawn Levy é previsível ao extremo e maniqueísta, porém surpreendentemente, conta com a dose certa de carisma de seus protagonistas e cenas de lutas impressionantes, o que tornam um passatempo bastante divertido e agradável.

A história? Bom… Em 2020, graças à sede dos espectadores por violência, o boxe deixou de ser protagonizado por humanos e passou a ser feito por robôs. E cada luta  termina com a destruição de um dos oponentes. Charlie Kenton (Jackman) é um ex-lutador que não largou o esporte, e se transformou em um controlador desses robôs. Porém, sem tino algum para os negócios, Kenton endividou-se até o último fio de cabelo e sua reputação não é lá das melhores. Nem mesmo sua fã e namorada da adolescência, Bailey (Evangeline Lilly), filha de seu ex-treinador, parece não botar mais fé no sujeito. Para piorar a situação, Charlie descobre que uma ex-namorada acaba de morrer, fazendo com que tenha que conviver com seu filho de 11 anos, Max (Dakota Goyo), com quem, até então, não mantinha contato. A partir daí, os dois vão descobrir um antigo robô em um ferro velho, Atom, e, contrariando todas as expectativas, transformá-lo em um verdadeiro lutador, contando, para isso, com a indefectível esperança de Max, e os talentos como lutador de boxe de Charlie.

O roteiro escrito por John Gatins (a partir de um conto de Richard Matheson), como falei, é repleto de clichês e, em 10 minutos de filme, já sabemos como tudo terminará. Porém, graças à dinâmica edição de Dean Zimmerman, e as mais que inspiradas lutas entre os robôs, Levy consegue imprimir um ótimo ritmo à sua narrativa, intercalando de forma balanceada cenas de maior ação, com outras mais engraçadinhas ou com um maior apelo dramático.

E são as lutas dos robôs que realmente chamam a atenção. Desde o layout de seus protagonistas, que impressionam pela verossimilhança e por seus movimentos e golpes: assim, se Atom pode sugerir emoções com seus olhos que sempre parecem tristes (chega a lembrar "O Gigante de Ferro", de 1999); o campeão mundial Zeus, em contrapartida, tem uma aparência fria e golpes mortais, que, desde sua primeira aparição não deixa dúvidas quanto à sua superioridade (tanto tecnológica quanto 'muscular', digamos assim). Até as lutas em si, que surpreendem não apenas pela violência (constantemente há braços e cabeças arrancados; com poças de óleo que se espalham como se fossem sangue), mas principalmente pelo dinamismo de sua montagem e pela qualidade de sua edição de som.

Mas grande parte do acerto de "Gigantes de Aço" também reside em seu elenco. Hugh Jackman, sempre carismático, confere o tom certo a Charlie: meio pilantra, meio boa pinta; ao mesmo tempo insuportável e irresistível. Já o garoto Dakota Goyo transforma seu Max em uma criança diferente daquelas que comumente se vê em filmes onde 'o pai ausente tem que conquistar o respeito e amor do filho'. Inteligente e decidido, ele foge do estereótipo do menino mimado e cheio de vontades. O luxo com que o menino viveu até sua mãe morrer, não serviu para transformá-lo em um desses 'pentelhos' que se vê nos filmes do gênero, mas para colocá-lo em contato com a mais alta tecnologia, fazendo-o ser o 'autor' ou 'co-autor' das ações em que se envolvem, e não apenas um 'espectador'. Mas não se enganem! A construção dos personagens não é nenhuma maravilha, e os clichês estão presentes; porém são bem administrados e 'mascarados' com uma boa dose de carisma de seus protagonistas.

Enfim, Shawn Levy conseguiu dar uma nova roupagem a fórmulas mais do que conhecidas, transformando-as em um passatempo descompromissado e divertido e que - e isso é o mais importante - não desrespeitam a inteligência do espectador.


por Melissa Lipinski


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O Artista

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Artista, O (The Artist, 2011)

Estreia oficial: 12 de outubro de 2011
Estreia no Brasil: 10 de fevereiro de 2012
IMDb



Quando vemos George Valentin (Jean Dujardin), o protagonista de "O Artista", pela primeira vez, logo no início do longa, as primeiras palavras que saem da sua boca são: "Não vou falar! Não direi uma palavra". Palavras essas que, logo após serem pronunciadas sem emissão alguma de som, aparecem escritas em uma cartela. E não demora muito para descobrirmos que na verdade, esta cena faz parte de um filme protagonizado por Valentin, um renomado ator do cinema mudo em Hollywood. E assim, logo em sua primeira cena, o diretor Michel Hazanavicius dita o tom de seu filme: sim, estamos assistindo a uma versão moderna do cinema mudo, que vai falar exatamente sobre a transição deste para o falado (ou os 'talkies', como diziam na época nos Estados Unidos), e ainda repleto de metalinguagem - afinal não apenas o personagem de Geroge Valentin nega-se a dizer uma palavra, como ele próprio (personagem de Dujardin), negar-se-á a 'abraçar' o cinema falado, acreditando (assim como vários grandes atores realmente acreditavam à época) que o som apenas destruiria a magia do Cinema.

Mas estou me adiantando… O roteiro, escrito pelo próprio Hazanavicius, é como uma mistura de "Cantando na Chuva" com "Nasce uma Estrela". George Valentin, como falei, é um grande astro de Hollywood e, em uma estreia, acaba esbarrando com a carismática Peppy Miller (Bérénice Bejo), que dá um beijo no rosto do grande ator. Claro que o fato vira manchete dos principais jornais e, agarrando-se à oportunidade, Peppy vai para Hollywoodland (como então se chamava) tentar a carreira de atriz. E consegue, ainda mais com o advento do som. E acaba se tornando uma das principais estrelas desta fase. Já George Valentin, negando-se a se atualizar, acaba sendo esquecido pelos 'holofotes', e entra em uma grande crise, tanto econômica quanto pessoal.

A história não traz nada de novo, e é até um tanto quanto previsível, mas é a forma como é contada aqui, o grande diferencial de "O Artista". Colocando-se desde o princípio não como uma crítica à Hollywood (como "Crepúsculo dos Deuses", ao qual muitos poderão achar várias similaridades), mas sim como uma grande homenagem à indústria cinematográfica estadunidense, "O Artista" recria em (quase) tudo a estrutura narrativa dos filmes mudos do final da década de 1920. Desde o formato 'square' ou standard (4x3) dos antigos filmes, como muitas transições e efeitos (a sobreposição de imagens, por exemplo) que eram comuns nestes filmes, e também a constante trilha musical (de Ludovic Bource) presente em praticamente todas as cenas e que dita o ritmo e o tom da narrativa, como realmente acontecia, sem apelar para o óbvio.

Porém, o longa de Hazanavicius também é bastante contemporâneo, com sua qualidade de imagem límpida e sua montagem dinâmica e inteligente, e que conta com transições e 'trucagens' bastante inspiradas, como no plano em que vemos Peppy maquiar-se na frente do espelho, sendo que sua própria mão é, rapidamente, substituída pelas mãos de maquiadoras profissionais, marcando assim, a sua ascenção na carreira.

Mas embora toda a homenagem a Hollywood seja belamente retratada e garanta um grande charme à producão, são mesmo as atuações que elevam o valor de "O Artista". E é engraçado (pra não dizer irônico) que os grandes protagonistas deste filme não sejam estadunidenses: Jean Dujardin é francês (lembrando que o longa é uma co-produção entre França e Bélgica) e Bérénice Bejo é nascida na Argentina mas cresceu em Paris.

Dujardin cria seu George Valentin como uma mistura de Rodolfo Valentino (a homenagem está até no seu nome) e Douglas Fairbanks (principalmente no bigode), onde sua simpatia equivale-se em tamanho ao seu orgulho. E quanto a Bérénice Bejo, não há como não se apaixonar por sua Peppy, com seu olhos marcantes e sorriso gigantesco, tamanho seu carisma, simpatia e expressividade. Há ainda o ótimo trabalho de John Goodman como um produtor de um grande estúdio, e James Cromwell como o motorista de Valentin. Assim como a pequena participação de Malcolm McDowell. Como não há falas, os atores podem brincar com sua expressão facial e corporal, fazendo isso de maneira extremamente hábil e conseguindo fugir das armadilhas fáceis dos estereótipos.

Mas quem rouba mesmo a cena é o engraçadíssimo cachorrinho de George Valentin. Um verdadeiro ator, extremamente treinado e ensinado, encanta a todos com seus truques e sua lealdade. A ótima cena do café da manhã já bastaria por ser uma homenagem a "Cidadão Kane", mas ganha um tom mais engraçado devido à atuação do carismático animal.

Contando ainda com uma bela fotografia que, em alguns momentos, lembra o expressionismo alemão; uma direção de arte e figurinos impecáveis; e uma edição de som (de uma cena em particular) que chama a atenção pelo seu apuro e originalidade, "O Artista" não é apenas uma homenagem ao cinema mudo, mas a Hollywood como um todo. Afinal, de uma forma engraçada e comovente, leva-nos a um passeio por dentro de parte da história do Cinema, que vai culminar com o advento do gênero que determinou de maneira definitiva a soberania de Hollywood mundialmente: os musicais.

E, se não bastasse a coragem e ousadia de Michel Hazanavicius em produzir um filme mudo em plena era do 3D, ele ainda o faz com extrema segurança e talento, colocando "O Artista" no rol daqueles grandes filmes metalinguísticos e que reverenciam a própria história do Cinema.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski
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Surpreendente. Em pleno 2012 assistir a um filme mudo no cinema. Um lançamento.

"O Artista" consegue ter uma boa história que pode ser contada com pouquíssimas falas. E obviamente as falas vêm escritas em tela preta.

O elenco está muito bem. Destaque para a bela atuação de John Goodman. E um super destaque para o cachorro, toda vez que aparece ele rouba a cena.

A mixagem de áudio é muito boa nas duas cenas em que há sons. Bem como a trilha sonora que apesar da necessidade de estar presente o tempo todo, não nos cansamos dela.

Vale a pena!


por Oscar R. Júnior


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Um Gato em Paris

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Gato em Paris, Um (Une Vie de Chat, 2010)

Estreia oficial: 15 de dezembro de 2010
Estreia no Brasil: 21 de outubro de 2011
IMDb



"Um Gato em Paris" é uma animação mais voltada para o público adulto. Claro que há um apelo infantil (afinal trata-se de um desenho - o que, naturalmente, 'chama' os espectadores mais novos) que se dá por algumas gags visuais (como o hilário cachorrinho que não pára de latir) e, principalmente, por causa do personagem central da narrativa: o gato Dino.

Dino tem uma vida dupla. Durante o dia, é o inofensivo e carinhoso bichinho de estimação da menina Zoé, que vê nele seu principal companheiro já que todos os dias é deixada somente com a babá quando sua mãe, Jeanne - delegada de polícia, vai trabalhar. Zoé sofreu um trauma quando seu pai (que também era policial) foi assassinado, e desde então não diz uma palavra; e sua mãe, apesar de bastante carinhosa, não cansa de perseguir o mafioso Victor Costa, responsável pela morte de seu marido. Porém, durante a noite, o gato Dino transforma-se no parceiro de crime do ladrão Nico, que escala prédios e casas, esgueira-se pelas fachadas, entra por janelas e chaminés para roubar dos mais abastados. E, quando os dois donos de Dino por acaso se encontram, perseguidos pelo perigoso Victor Costa é que toda a ação realmente começa.

Com um roteiro extremamente enxuto, Alain Gagnol (que co-dirige o longa com Jean-Loup Felicioli) consegue contar sua história sem enrolações, indo direto ao ponto. Essa brevidade, no entanto, acaba dando pouco tempo para que seus personagens consigam se desenvolver melhor. O que é realmente uma pena, pois se o que já ficamos conhecendo deles nos encanta, imaginem se realmente fossem melhor desenvolvidos?

Porém, se tanto cuidado não é dado aos personagens, o mesmo não se pode dizer do visual do filme, e engana-se quem pensa que a animação tradicional 2D traz menos detalhes que uma animação totalmente digital oou em 3D, por exemplo. Com cenários estilizados e bastante coloridos, não são poucas vezes que paredes, tetos e chão confundem-se devido à perspectiva - e não devido a uma 'falha' ou 'incompetência', mas para criar o tom certo para a narrativa, dando um quê de confusão e até apressão.

Já os personagens são desenhados com rostos longos e angulosos, cujos perfis muito lembram os rostos pintados pelo italiano, Modigliani. E se Dino e Zoé são retratados de forma mais infantil, por motivos óbvios; chamam a atenção os movimentos de Nico, que age como um verdadeiro gato pela noite parisiense, sendo a personificação perfeita da palavra 'gatuno'.

Mas não apenas os traços da animação são louváveis, as composições de quadro também chamam a atenção, como a cena que se passa totalmente no escuro, e que aproxima o espectador de Nico, colocando-os como os únicos capazes de ver o que está acontecendo. Ou aquela em que mostra Zoé e sua mãe tomando café da manhã, com um ladrilho com um coração solitário atrás de cada uma delas, representando tanto o carinho que as une, como a distância que se formou entre elas.

Contando também com referências a alguns filmes de gângster, como "Os Bons Companheiros" - Victor Costa zomba de um de seus capangas por causa de um quiche - e "Cães de Aluguel" - há uma discussão que envolve apelidos; o longa trás ainda vários elementos deste gênero cinematográfico, que dão uma certa atmosfera noir para a narrativa; além de uma eficiente cena de ação final, que se passa nos telhados da Catedral de Notre-Dame.

Enfim, "Um Gato em Paris" é um bem-vindo resgate da antiga técnica de animação em 2D, provando que bons filmes não são fruto apenas dos mais requintados e elaborados recursos tecnológicos. Com um bom roteiro se vai longe…

Fica a dica!


por Melissa Lipinski


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Amor na Tarde

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Amor na Tarde (Love in the Afternoon, 1957)

Estreia oficial: 29 de maio de 1957

"Amor na Tarde" foi o primeiro filme que Billy Wilder escreveu com I. A. L. Diamond, seu companheiro no roteiro de 12 filmes, numa parceria que rendeu 12 longas-metragem, até o fim de suas carreiras.

A trama fala a respeito de Ariane (Audrey Hepburn), a filha de um detetive particular, Claude Chavasse (Maurice Chevalier), e que acaba se apaixonando por um dos 'casos' de seu pai. Contratado para investigar uma suspeita de adultério, Chavasse, considerado o melhor detetive da França, descobre que a tal esposa encontra-se, todas as tardes na suíte 14 do Hotel Ritz, com um estadunidense, verdadeiro 'casanova', que coleciona casos amorosos ao redor do mundo. Frank Flannagan (Gary Cooper), o tal sujeito, possui uma rotina nas suas conquistas: leva as mulheres para o hotel, pede um farto jantar e chama uma trupe de músicos, The Gypsies, que tocam sempre as mesmas músicas, terminando a rotina com "Fascinação"; quando então, deixam o casal sozinho. Ciente disso, o marido traído vai ao Ritz disposto a matar Flannagan. Como Ariane havia escutado toda a conversa de seu pai com o cliente dele, vai até lá e impede o crime passional. Acontece que a moça inocente, mas cheia de imaginação, acaba se apaixonando pelo sedutor 'Don Juan'. Porém, Ariane não revela quem é para Flannagan, o que faz com que ele se sinta ainda mais atraído por ela, apesar de não se envolver amorosamente com mulher alguma. E mais: a moça acaba inventando uma série de casos, baseados em suas leituras dos relatórios de seu pai, e fazendo o experiente amante pensar que ela leve uma vida similar a dele, repleta de experiências amorosas.

Situando a trama na capital francesa, Wilder e Diamond, de forma discreta e narrando os hábitos amorosos dos parisienses, conseguem criticar os costumes puritanos dos estadunidenses. Já no início do longa, Chavasse diz em uma narração em off: "Esta é a cidade - Paris, França - que é igual a qualquer outra grande cidade - Londres, Nova York, Tóquio… Exceto por duas pequenas coisas: em Paris as pessoas comem melhor; e em Paris as pessoas fazem amor… Bem, talvez não melhor, mas certamente, mais vezes". Não que haja cenas de sexo ou mais ousadas (pelo menos atualmente) no filme, afinal era 1957 e o Código Hays ainda estava em vigor em Hollywood. Mas o cineasta cria passagens de total intimidade entre Frank e Ariane, além de várias insinuações sobre o ato sexual em si, como a moça arrumando os cabelos depois de acabado todo o ritual de Flannagan e ainda passar horas na suíte do Hotel Ritz; ou num outro encontro, quando deixa um casaco cair a seus pés, numa menção a estar se despindo.

Mas o que encanta na história é como Wilder consegue fazer com que nos interessemos por aqueles personagens. E claro que a composição dos atores é parte fundamental nisso. Audrey Hepburn (no auge de sua beleza), cria uma moça inexperiente, mas cheia de criatividade e carisma. A forma como ela inventa suas história para Frank é divertidíssima, e quando a vemos falar, é como se ela realmente estivesse criando tudo aquilo na hora, tamanha é a sua espontaneidade. Já Gary Cooper interpreta uma versão de si mesmo (afinal o ator era conhecido por seus diversos - diversos mesmo - casos amorosos com colegas de profissão, mesmo sendo casado - numa união que durou até o fim da sua vida), e aparenta muito à vontade com seu irresistível sedutor. Completando o competente elenco, está Maurice Chevalier, na perfeita personificação do ditado "casa de ferreiro, espeto de pau", já que, tão astuto e observador em seus casos, não é capaz de notar por quem sua filha está se apaixonando (mesmo que essa não pare de cantarolar "Fascinação").

Contando ainda com ótimos diálogos - o que é praxe nos filmes do diretor - "Amor na Tarde" não é só romance, tem também uma boa cota de humor, com gags divertidíssimas - a maioria incluindo o grupo musical The Gypsies.

Enfim, seguindo os passos de seu mestre, Ernst Lubitsch, Billy Wilder consegue criar uma comédia romântica despretensiosa, com ótimos e cínicos diálogos, personagens carismáticos e principalmente, que revela-se ser muito mais crítica aos costumes e hipocrisias (dos Estados Unidos) do que aparenta numa olhada superficial.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski


 

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Os Descendentes

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.
 
Descendentes, Os (The Descendants, 2011)

Estreia oficial: 9 de dezembro de 2011
Estreia no Brasil: 27 de janeiro de 2011

"Os Descendentes" é o sexto longa de Alexander Payne. Dos quatro filmes aos quais assisti (além do seu segmento em "Paris, Te Amo"), posso dizer que todos têm em comum protagonistas de alguma forma inseguros e aflitos, personagens construídos com tamanha naturalidade que não nos espantaríamos se os encontrássemos andando pelas ruas, como um cidadão qualquer. Pois são exatamente isso: pessoas normais, repletas de problemas, com qualidade e defeitos como todos nós, e por isso nós, espectadores, identificamo-nos tanto com eles.

Aqui não é diferente, e o roteiro escrito por Payne, Nat Faxon e Jim Rash (baseado no romance homônimo da escritora Kaui Hart Hemmings) apresenta-nos a Matt King (George Clooney), um bem-sucedido advogado que mora no Havaí. Surpreendido por um acidente que deixou sua mulher em coma, Matt terá que encarar a difícil tarefa de cuidar de suas duas filhas - a adolescente Alexandra (Shailene Woodley) e a pequena Scottie (Amara Miller) - e, principalmente, reaproximar-se delas, já que fora um pai ausente, dedicando-se muito mais ao trabalho do que à família. Além de toda essa difícil situação, ainda terá que encarar o fato de ter sido traído pela esposa.

A história é centrada em seus personagens e em seus envolvimentos, e como acontecia nos seus filmes anteriores, Payne consegue transitar entre o drama e a comédia com imensa naturalidade, evitando cair em clichês fáceis, e transformando a capacidade dos personagens em encontrar felicidade, descontração e humor mesmo diante das piores adversidades no seu elo com o público.

Tal proximidade com o espectador vai sendo criada aos poucos, através de atos aparentemente desnecessários, como o pedido de desculpas que Matt faz a filha caçula pedir para uma colega de escola; ou quando Matt e Scottie vão buscar Alex no colégio interno e encontram-na embriagada; ou ainda a visita dele e suas filhas aos sogros, para avisar da condição da esposa. São momentos que vão ajudando a construir a personalidade não só de Matt e suas filhas, mas também dos personagens mais coadjuvantes, como o sogro do protagonista, Scott (Robert Forster), que, em um primeiro momento parece insensível e cego para a verdadeira personalidade da filha, mas que esconde-se atrás desta 'máscara' para conseguir aguentar as adversidades que a vida lhe impôs: não só sua filha está em coma, mas sua esposa está num estágio avançado do Mal de Alzheimer. E também Sid (Nick Krause), amigo de Alex, e que pode até parecer apenas um alívio cômico para a narrativa, com suas tiradas 'sem noção', mas que, em momentos específicos, revela-se um adolescente como qualquer outro, e mais ciente de suas ações do que pode aparentar.

Mas é mesmo nas atuações dos membros da família King que está a força de "Os Descendentes". A pequena Amara Miller encanta pela subversão e maturidade para uma menina de dez anos e, ainda que sua insubordinação possa garantir algumas risadas, serve também para uma discreta análise a respeito de uma geração que não mais enxerga hierarquia dentro do núcleo familiar. Além da excelente Shailene Woodley, que foge do estereótipo fácil da adolescente problema e acaba se mostrando bastante madura para uma garota de 17 anos - apesar de sempre revelar uma curiosa e paradoxal imaturidade, principalmente durante a busca na qual auxilia seu pai. Mas é mesmo George Clooney quem rouba a cena e transforma seu Matt King em mais um dos 'homens comuns' da galeria de filmes de Alexander Payne. Matt apesar de toda segurança profissional (demonstrada através da subtrama envolvendo um terreno de família, e pelo respeito que seus primos nutrem por ele), demonstra exatamente o oposto quando se trata de sua família, porém sempre mantendo uma incrível honestidade, inclusive ao tratar de assuntos sérios com suas filhas, chegando até a dividir responsabilidades demais com Alex, colocando-a em situações difíceis e delicadas para uma adolescente.

Apostando em uma iluminação 'natural', Payne e seu diretor de fotografia, Phedon Papamichael, fazem bom uso das deslumbrantes paisagens havaianas, filmando-as constantemente sob um céu nublado, o que traduz de forma espetacular os sentimentos de seus protagonistas: apesar de morarem em um paraíso natural, suas vidas não estão nem perto de ser o 'arco-íris' que muitos poderiam imaginar, como o próprio protagonista relata no início do filme; e o tom acinzentado de algumas cenas externas evidenciam essa melancolia.

Com uma narração em off que se mostra às vezes interessante e em outras totalmente desnecessária, e uma trilha musical 'óbvia', com sons nitidamente havaianos, "Os Descendentes" foge do melodrama fácil, e emociona tanto nos momentos mais descontraídos quanto naqueles de maior comoção de seus protagonistas, como o choro subaquático de Alex, a revelação que esta faz ao pai, a 'briga' de Matt com sua esposa, ou a sua despedida final.

E o faz justamente porque conseguiu que nos importássemos com aqueles personagens, e o seu maravilhoso plano final (ao 'som' de Morgan Freeman) é uma prova disso: não estamos ali apenas testemunhando a união de um pai com suas filhas, mas também nos sentimos parte daquela família.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski
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Um filme de atuação. George Clooney numa situação bem delicada: quase viúvo, com duas filhas que não o respeitam, e ainda descobre que era traído. Ele consegue nos mostrar que não é uma pessoa que gosta confrontar as pessoas, não é explosivo e nem age por instinto.

Um dos grandes méritos do filme é tratar de um tema muito delicado que é a morte evidente da esposa e como tratar disso com os filhos, família e amigos.

Outro grande mérito é a grande atuação de Clooney. Ele nos apresenta um personagem meio apático, mas que, com o passar do filme, vamos nos compadecendo da causa dele.

A atuação das meninas também é muito boa (Shailene Woodley e Amara Miller).

Uma coisa que gostei é mostrar o Havaí como cidade, tirando essa de só ter praias e cenários. Cidade, prédios, trânsito... isto foi bem legal.

Recomendo.


por Oscar R. Júnior



segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres (The Girl with the Dragon Tattoo, 2011)

Estreia oficial: 20 de dezembro de 2011
Estreia no Brasil: 27 de janeiro de 2012
IMDb



Quando soube que "Os Homens que Não Amavam as Mulheres" iria ganhar uma versão estadunidense fiquei apreensiva. A versão sueca dos livros de Stieg Larsson era correta e, ainda que não mantivesse uma grande fidelidade narrativa à obra literária, o cerne de sua protagonista e, consequentemente, do livro, havia sido preservado. No entanto, ao saber que a versão yankee seria comandada por David Fincher, a apreensão deu lugar à ansiedade. Admiradora do trabalho do cineasta, confesso que a esperança de ver um filme ainda melhor que o original sueco superava o receio da 'americanização' da história.

E meus anseios, felizmente, confirmaram-se. Muito mais fiel à obra de Larsson, o longa comandado por Fincher evita a tal 'americanização' (apesar de ser falado em inglês), principalmente por preservar a localização da sua trama na fria Suécia, o que colabora não apenas para o desenvolvimento da história (já que os cenários são realmente importantes para que ela aconteça), mas também contribui para a sua estética; além de ser um respeito e uma homenagem ao seu autor e à obra original.

Como falei, o roteiro de Steven Zaillian mantém-se fiel ao livro, não só no que tange ao comportamento de seus personagens, mas também (e o que a versão sueca não fazia) à sua estrutura narrativa. Logo no início vemos o jornalista Mikael Blomkvist (Daniel Craig) sendo condenado por ter escrito e publicado uma matéria na qual acusava um poderoso empresário sem provas materiais e contundentes. Para não afundar ainda mais a sua revista, Millennium, Blomkvist decide aceitar uma proposta um tanto quanto inusitada do milionário Henrik Vanger (Christopher Plummer): investigar o desaparecimento de sua sobrinha favorita, Harriet, ocorrido há 40 anos, e cujo possível assassino só poderia pertencer à própria família Vanger, que aliás, é repleta de tipos, no mínimo 'curiosos', como ex-nazistas e pessoas nem um pouco amigáveis ou simpáticas. Para essa investigação Mikael acaba solicitando a ajuda da hacker Lisbeth Salander (Rooney Mara), que havia levantado a sua ficha pessoal e profissional para que o próprio Henrik Vanger descobrisse um pouco mais a respeito do jornalista. Acontece que Salander tem seus próprios problemas: considerada incapaz, desde os 12 anos foi colocada sob tutela do Estado, e 'coleciona' uma sucessão de episódios violentos em sua vida. Assim, Salander e Blomkvist passam a investigar o suposto assassinato, revelando segredos há tempos escondidos pela família Vanger.

Bom, se considerássemos apenas os aspectos técnicos, o longa de Fincher já mereceria todos os aplausos possíveis. A começar pela sua excelente e criativa abertura que, através de suas formas, revela toda a confusão que cerca a vida e a personalidade da protagonista, Lisbeth. Já a fotografia de Jeff Cronenweth acerta na maneira como transforma as paisagens brancas (de neve) da Suécia em ambientes sufocantes e frios, que refletem, talvez, a natureza dos próprios personagens, e que só é amenizada nos raros momentos em que vemos Mikael Blomkist com sua filha. Assim como a inteligente escolha em manter enquadramentos que, posteriormente na história, entenderemos seu real significado, como manter Lisbeth ao fundo e desfocada, quando vemos, em primeiro plano, a foto da família de seu tutor, Nils Bjurman; ou quando ele mesmo levanta-se de sua mesa e a câmera mantém-se baixa, na altura de sua barriga - o que, aliado a eventos futuros, transformam-lo em uma figura repulsiva; ou ainda, no apartamento de Bjurman, como a câmera afasta-se (num travelling out) de uma porta fechada, como que não querendo revelar o que está prestes a acontecer lá dentro.

Igualmente competente é a sua direção de arte, que transforma cada residência numa espécie de prolongamento do seu dono, e revela muito de sua personalidade pelas suas cores, objetos e arrumação, por exemplo (o que acaba tornando-se essencial para o bom andamento da trama, já que tal fato ajuda no desenvolvimento e na diferenciação do grande número de personagens que aparecem).

Mas, de todos os aspectos técnicos, certamente é a montagem de Kirk Baxter e Angus Wall que merece maior destaque. Levando de forma paralela as histórias de Salander e Blomkvist até quase a metade do longa, a narrativa jamais perde a fluidez; isso sem contar que ainda possui um terceiro aspecto: os inúmeros flashbacks que contam a história passada de Harriet. Sem nunca perder o ritmo, os 158 minutos de filme jamais parecem se fazer notar, tamanha a agilidade e habilidade com que os montadores 'orquestram' as várias linhas narrativas.

Aliado a isso, David Fincher consegue criar um clima de apreensão que percorre a sua história do início ao fim, sem com isso, descuidar do desenvolvimento de seus personagens centrais. E é notável que o diretor confie tanto em seus personagens que mantenha a estrutura narrativa do livro de Larsson, onde continua a história mesmo depois do seu conflito principal ter sido solucionado - e se isso pode funcionar bem na literatura, é um artifício bastante arriscado no cinema. Mas o diretor consegue manter o espectador atento não só à solução da ação, digamos assim, mas também ao desfecho particular de seus protagonista, numa espécie de epílogo que dura mais de 10 minutos.

Mas o longa é mesmo de seus dois protagonistas. Daniel Craig consegue tornar o seu Mikael Blomkvist milhões de vezes mais interessante do que o protagonizado pelo sueco Michael Nyqvist. Seu jornalista é inteligente e 'durão', porém não da mesma forma impassiva com que Craig interpretava James Bond ou seu personagem em "Cowboys & Aliens", por exemplo. Aqui, o ator demonstra muito mais sensibilidade e empresta detalhes a Mikael Blomkvist que o tornam mais 'real', como seu semblante atemorizado quando se vê em situações de perigo, ou sua insegurança quando está em um avião, apenas para citar duas características.

Mas é mesmo Rooney Mara a 'alma' do filme. Se Noomi Rapace já conseguira transformar Lisbeth Salander em uma criatura extremamente complexa e paradoxal num visual bastante peculiar, Mara vai além, numa composição ainda mais audaz. Se seu 'look punk', com suas roupas pretas, seu penteado ousado e seus piercings são intimidadores, a postura da garota diz exatamente o contrário: andando levemente 'encolhida', com os ombros contraídos, Lisbeth evita encarar as pessoas com quem fala (a não ser em momentos de maior tensão ou intimidade) - como se quisesse se enconder do mundo e, ao mesmo tempo, chamar sua atenção; e se consegue ser fria e mal educada com a grande maioria dos seres humanos, recusando-se a um mero cumprimento, mostra um carinho filial com seu antigo tutor, Holger Palmgren. Mara ainda consegue sutilezas na sua interpretação que revelam muito de sua personalidade, como no momento em que Blomkvist vai mostrar-lhe algo no computador e ela, nitidamente (ainda que discretamente) mostra-se irritada pela sua lerdeza (lembrem-se que ela é uma hacker, e das melhores!); ou no momento em que, depois de um ato covarde de violência, decide realizar mais uma tatuagem exatamente sobre um local machucado da sua perna e, ao ouvir o tatuador alertá-lo sobre a dor que sentirá, apenas dá de ombros, como se aquilo não fosse nada comparado às várias 'porradas' que já levou da vida - e notem o paradoxo: apesar de suas maneiras e suas roupas serem hostis e agressivas (em uma determinada cena, sua camiseta traz escrito "fuck you, your fucking fuck"), sempre que é vista se alimentando, está comendo um Mc Lanche Feliz. Porém, Lisbeth não é indefesa, e se transforma em um verdadeiro 'animal' quando se sente ameaçada, capaz de cometer atos tão violentos quanto os que sofre - o que a transforma em uma pessoa extremamente imprevisível e realmente perigosa. E, assim como nos identificamos pela sua fragilidade e a admiramos pela sua inteligência muito acima da média, também sentimo-nos inseguros frente à sua instabilidade emocional e carência de traquejo social.

Enfim, "Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres" não é apenas um thriller investigativo extremamente eficiente, mas um excelente estudo de personagens. E, assim como Noomi Rapace já o fizera, Rooney Mara transforma Lisbeth Salander numa das (anti-)heroínas mais interessantes e complexas da história do Cinema.

Agora o grande problema: David Fincher conseguiu me deixar ainda mais angustiada do que estava antes de assistir ao filme, já que não vejo a hora de encontrar novamente Lisbeth e Blomkvist nas suas duas continuações…

Fica dica!


por Melissa Lipinski
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Regravação do excelente filme sueco. Confesso que quando soube que iam regravar fiquei com pé atrás. Mais uma regravação!! Daí vi que quem ia dirigir era, nada mais nada menos, que David Fincher ("Clube da Luta", "Seven", "A Rede Social"). Após ver o filme, porém, percebo que a decisão foi muito acertada. Não que a versão sueca seja ruim, mas esta nova versão é muito melhor.

Os personagens: Mikael Blomkvist (Daniel Craig) é muito melhor construído. Agora sim pudemos ver tudo o que esta personagem tinha a mostrar. Já a Lisbeth Salander (Rooney Mara) consegue superar a Lisbeth da versão sueca (e olha que Noomi Rapace estava excelente naquele filme). Lisbeth por um lado se veste de forma mais agressiva, no estilo punk, e anda sem encarar as pessoas, de cabeça baixa, tentando passar desapercebida. Ao se sentir acuada ela parte para o ataque como um bicho feroz. Muito boa a construção e a atuação de Rooney Mara.

Junte a tudo isso uma direção primorosa, cenários que fazem valer a pena o filme se passar na Suécia e uma montagem muito bem construída e executada.

Recomendo muito. (Também recomendo ver a trilogia original).


por Oscar R. Júnior