domingo, 10 de janeiro de 2010

Avatar

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Avatar (Avatar, 2009)

Estreia Oficial: 10 de dezembro 2009
Estreia no Brasil: 18 de dezembro de 2009
IMDb



James Cameron levou 12 anos para criar esse longa. Mas não apenas criando a concepção de um mundo totalmente único, mas também desenvolvendo softwares que fossem capazes de desenvolver a riqueza de detalhes que ele exigia que esse seu novo mundo tivesse, e o que é melhor, com um realismo de tirar o fôlego.

E é incrível... Acho que essa é a melhor palavra para descrever a parte técnica desse filme. Não o mundo em si. Pois, por mais "diferente" que ele possa ser do mundo em que vivemos, podemos achar similaridades e supor de onde veio a inspiração para esse ou aquele bicho ou planta. Mas é impressionante como o planeta Pandora é "real". Nada ali parece ter sido criado através de computação gráfica. Você assiste e realmente tem a impressão que a equipe do filme foi produzi-lo em outro planeta, tamanhos os detalhes, texturas, iluminação... E não falo só de animais, plantas e objetos... mas dos próprios Na'Vis (os humanóides que vivem em Pandora): seus movimentos, expressões e até seus olhares são demasiadamente realistas!

E a tecnologia 3D é a melhor já vista. Há horas em que você realmente pensa que está dentro da tela, em meio aos Na'Vi.

Pena que o roteiro de Cameron não tenha a mesma excelência que o resto da produção. A trama, previsível, é aquela que você já viu em vários lugares, centenas de vezes. E o paralelo com “Dança com Lobos” é inevitável, tamanha é a similaridade das histórias. Também impossível é não enxergar a clara alusão à conquista da América do Norte: só que aqui, os humanos são o ‘homem branco’ e os Na’Vi os índios. Aliás, os habitantes de Pandora são literalmente índios: seus costumes, o jeito como organizam sua sociedade, sua ligação com a natureza (que aqui surge, inclusive, de maneira física), suas vestimentas, suas crenças... impossível não ver a ligação, ou pensar em Pocahontas. Aliás, as referências de Cameron são sempre muito escancaradas: as mensagens antibelicista e ecológica não vêm nas entrelinhas da história, mas escrachadas na tela.

Os personagens são clichês: o empresário inescrupuloso, o general malvado que odeia e zomba os nativos, a cientista que quer estudar e preservar o ambiente natural de Pandora, o soldado que a princípio está do lado dos militares/mercenários e que, com o convívio com os Na’Vi, torna-se “um deles”, e por aí vai... Fora os diálogos melosos e, alguma vezes, sofríveis - algo característico de James Cameron e que já se via em “O Exterminador do Futuro”, “O Segredo do Abismo” e, principalmente, em “Titanic”.

Enfim, vale a pena ver o filme, mas pelos efeitos especiais, pois a história, essa você já viu.

Mas os efeitos são incríveis!


por Melissa Lipinski
-----------------------


Pois bem, falar agora do tal fenômeno de público.

Este fomos assistir em 3D e de longe foi o melhor em efeitos tridimensionais que já vi. Antes deste somente o Show do U2 em 3D tinha me agradado.

O gráfico do filme é incrível. Tudo "diferente" de que existe na Terra. Tudo com cores vibrantes.

Apesar de a história contar com estereótipos bem definidos como os mercenários; os habitantes locais super bondosos com a natureza; o personagem principal que vai na missão com um intuito e depois de conhecer melhor se envolve com os locais; o chefe da organização que só pensa em lucro; dentre outros estereótipos existentes em Avatar.

Mesmo com isso tudo acho que o roteiro é redondo, não sendo aquele totalmente previsível exceto na cena da morte da Dra Grace (Sigourney Weaver) que entrega totalmente o final do filme.


por Oscar R. Júnior


4 comentários:

Angélica Fenley Belich disse...

Parabéns pela iniciativa!
Muito bacana!
Bjs

Daniel Olivetto disse...

Meninos! Parabéns pelo blog... muito legal... discordamos sobre o Avatar, é verdade... mas o mundo seria um saco sem divergências... rs

abraços, vous seguir o blog

Dan disse...

Concordo! E não só acho que lembra Dança com Lobos, mas também Pocahontas (assim como tem aqui: http://9gag.com/photo/16103_full.jpg).

Assim como a Melissa falou dos detalhes e de como tudo foi bem feito, parece que isso pesou demais na produção e deixaram a história de lado. Em algumas momentos, aproveitei pra ficar sem o óculos (tive dor de cabeça e nos olhos). E foram vários momentos oportunos pra isso, sem história, sem 3D, sem grande coisa.

Guilder disse...

Olá Oscarito e Mel! bem, tenho que dar minha contribuição por que deu vontade de matar o James Cameron, mas já passou. Avatar ainda move milhoes de pessoas no mundo para as salas de cinema. É muito fácil entender isso, o roteiro realmente é estremamente redondo. Se é previsível ou não não importa, porque muitas pessoas como eu não querem prever o futuro quando tem a esperiência cinema. e claro o filme tenta afastar o público dessa idéia pelo gráfico todo. penso que o cara sabe lidar psicologicamente na mente de quem vê. É uma receita muito básica e que funciona. É assim, afinal, que o cinema deles lá sobrevive.
Agora, Pandora é a Terra com gás tóxico, uma alusão à agua do mar, não podemos respirar pela
água como os peixes. Mas no chão do mar os corais do noso planeta são muito mais impressionantes que aquelas vegetações super copiadas das "nossas" florestas, o que ele fez foi maquiar cada planta com cores vibrantes e tintinha fosforecente. hehe
mas cá entre os amantes da biologia, aquilo tudo no filme não deixa de ser bonito aos olhos, esses dias eu tive o prazer de ver em plena luz do dia várias aguas vivas cintilando em luzes coloridas.

E até mesmo aquele lagartinho de guarda-chuva laranja do filme parece ter um semelhante na terra, uma criatura que parece flutuar do mesmo jeito. é do mar, claro. E os cavalos dos Na'vi tinham guelras, ora pois!

James Cameron é mesmo fascinado pelo mar, está claro isso no filme. Ainda mais depois dos seus documentários sobre tal assunto.
Em fim, foi por isso que gostei. E também, mesmo apelando tanto para truques clássicos o filme suscita certa compaixão pela condição humana, o jake preferiu ser um e.t. a um ser humano diante daquela barbárie. Como um comentário de um amigo sobre o asfixiante 2012, quando vemos uma cena em que tudo é computação gráfica, a sequência em que a cidade é tragada para o mar, os prédios caem e a rua expoe os esgotos, pouco se reflete sobre as pessoas caindo e morrendo sem que nada possa ser feito para salvá-las, e o show visual que vira aquilo tudo.