terça-feira, 11 de outubro de 2011

Quero Matar Meu Chefe

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Quero Matar Meu Chefe (Horrible Bosses, 2011)

Estreia oficial: 8 de julho de 2011
Estreia no Brasil: 5 de agosto de 2011
IMDb



"Quero Matar Meu Chefe" é uma comédia com poucos momentos realmente engraçados, e esse, junto com outros defeitos, como falta de força de seus protagonistas, uma direção medíocre e previsível e um roteiro realmente fraco, acabam desperdiçando bons antagonistas.

O roteiro gira em torno de três amigos, Nick (Jason Bateman), Kurt (Jason Sudeikis) e Dale (Charlie Day), que possuem chefes determinados a transformar suas vidas em um martírio diário. Depois de chegarem aos seus limites, eles decidem matar seus respectivos chefes (sim, simples assim!), e vão à procura de ajuda "especializada". É quando deparam-se com um ex-presidiário (Jamie Foxx), que encoraja-os, inspirados em "Pacto Sinistro", de Alfred Hitchcock, a bolarem um plano onde um mate o chefe do outro. E assim, eles passam a estudar o cotidiano de seus chefes: o inescrupuloso, extremamente egocêntrico e ciumento, Harken (Kevin Spacey); a dentista e maníaca sexual, Julia (Jennifer Aniston); e o viciado, preconceituoso e absurdamente paranóico Bobby (Colin Farrell).

Porém, as situações são tão absurdas e as motivações dos protagonistas tão capengas que, desde o princípio, sabemos que eles não serão capazes de levar seu plano até o fim. Outro grande problema é a falta de carisma dos protagonistas - e é interessante notar que o filme perde ritmo toda vez que a narrativa foca-se nos três amigos. Em compensação, quando mostra os seus chefes, ganha não só em ritmo quanto em comicidade.

E são mesmo as atuações dos tais chefes que se sobressaem. Colin Farrell, sob uma maquiagem que já o deixa com uma aparência meio bizarra, assume a personalidade questionável de seu personagem com um certo exagero, mas sem cair no caricato. Jennifer Aniston parece muito à vontade como a maníaca Julia, uma mulher determinada, vulgar e viciada em sexo, num papel totalmente diferente daqueles que está acostumada a desempenhar. E Kevin Spacey fecha com chave de ouro a lista desses 'vilões', com seu cinismo e ciúmes exagerados; e ele rouba a cena toda vez em que aparece.

Já os protagonistas desta história acabam sendo prejudicados pela péssima atuação de Charlie Day, que deve achar que basta gritar em todas as suas falas para parecer engraçado. Já Bateman e Sudeikis conseguem arrancar algumas (embora poucas, afinal é um filme de comédia!) risadas.

Porém, é a direção de Seth Gordon quem mais sabota o longa (juntamente com os problemas de roteiro), por nunca se decidir qual exatamente é o tom de comédia que quer assumir. Às vezes beira um non-sense semelhante ao dos irmãos Farrelly; por vezes aposta num humor negro; e em outras, cai numa comédia mais contida; porém sempre com o péssimo 'hábito' de explicar suas piadas, de forma que não basta vermos a gag, ele faz questão de verbalizá-la, desrespeitando totalmente o timing cômico e a inteligência do espectador.

Enfim, "Quero Matar Meu Chefe" é mais uma comédia 'enlatada' de Hollywood, que traz as mesmas convenções do gênero - inclusive os erros de gravações durante os créditos finais.


por Melissa Lipinski


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