sexta-feira, 10 de junho de 2011

Se Beber, Não Case! 2

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Se Beber, Não Case! 2 (The Hangover Part II, 2011)

Estreia oficial: 25 de maio de 2011
Estreia no Brasil: 27 de maio de 2011

IMDb



"Se Beber, Não Case! 2" é a prova da indústria cinematográfica hollywoodiana. O primeiro filme foi sucesso de público e de crítica (e realmente é uma comédia bastante eficiente e engraçada), então não tardou para que produzissem uma continuação. Mas para que mexer em time que está ganhando, não é mesmo? E assim, esse segundo filme não traz nada novo, apenas repete as mesmas situações que deram certo no primeiro longa.

A estrutura narrativa é exatamente igual. (Agora vem um
spoiler!) E até o fato de o amigo desaparecido estar mais perto do que os três protagonistas poderiam imaginar volta a se repetir. Aliás, esse fato é a repetição que mais me incomodou. As demais situações até poderiam ser encaradas como coincidências, ou um "carma" que os três amigos estariam enfrentando novamente. Como se, a cada vez que um deles fosse se casar, todos estivessem destinados a passar pela mesma situação... Forçado? Pode até ser, mas só assim para encarar esta nova aventura de Phil (Bradley Cooper), Stu (Ed Helms) e Alan (Zach Galifianakis) sem se estressar muito.

Bom, a história não precisa nem falar muito, afinal já falei que as mesmas situações se repetem. Mas vamos lá. Agora é Stu quem vai se casar. Sua noiva é tailândesa, então, o casamento acontecerá em um resort no seu país de origem. Todos os seus amigos, Phil, Doug (Justin Barba) e Alan estão presentes. Na véspera do casamento, claro, eles bebem demais, e acabam acordando em Bangcoc, sem lembrar de nada da noite anterior. O desaparecido da vez é o cunhado de Stu, Teddy (Mason Lee). Então, Stu, Phil e Alan vão correr contra o tempo para descobrir o que aconteceu, achar Teddy e voltar a tempo para o casamento.

A veia politicamente incorreta mantém-se a mesma nesta continuação, acentuando-se as piadas e situações embaraçosas com teor sexual. Inclusive, as piadas que envolvem um travesti tailandês (os famosos
katoeys, conhecidos como os mais belos e convincentes travestis do mundo) me pareceram mais preconceituosas do que realmente engraçadas.

Porém, pode-se "ler" este "Se Beber, Não Case! 2" de uma outra maneira. Como uma crítica à sociedade mais conservadora. Afinal, é só nos momentos de 'loucura', quando bebem e se drogam, que o trio de amigos realmente entram em contato com o seu 'verdadeiro eu'. Como se, sob os efeitos das drogas, tirassem a máscara que a sociedade impõe-lhes (e a todos nós) que usem. Assim o filme ganha em significados, e consegue-se ver aí, a visão cínica de Todd Phillips (que também estava presente no
primeiro longa, de 2009, assim como em "Caindo na Estrada", de 2000, em "Dias Incríveis", de 2003, e em "Um Parto de Viagem", de 2010). Phillips sempre trabalha numa tênue linha entre o conservadorismo da sociedade e a crítica cínica sobre ele. Entre o riso fácil com apelos sexuais, e aquelas piadas mais elaboradas e sutis, que muitas vezes até mesmo se confundem com o próprio discurso que estão criticando. Como falei, é uma linha tênue que separa a crítica aos costumes da impressão de reafirmação dos mesmos.

Alguns espectadores vão se identificar com o trio protagonista; outros (incluo-me neste grupo) vão apenas ver o quão ridículos são um dentista recalcado, um pai de família frustrado e um
weirdo que só sente-se integrado em um grupo que ri às suas custas. Porém, as risadas do público serão unânimes, seja dos que apenas enxergam a conotação sexual das piadas, como daqueles que vêm o anarquismo e o cinismo contido no discurso de Todd Phillips.

Pena que o diretor utilizou-se da mesma estrutura narrativa do
anterior para fazer isso, o que tirou um pouco a força de suas críticas.


por Melissa Lipinski



Um comentário:

Breno_Biagiotti disse...

Apesar da estrutura ser muito similar a do filme anterior, achei que as piadas e as atuações foram melhores nessa seqüência. Acho que o fato de já conhecermos os personagens ajudou nesse quesito. O macaquinho e o Sr. Chow são impagáveis! Fui ver no cinema e valeu a pena!