terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Dente Canino

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Dente Canino (Kynodontas, 2009)

Estreia oficial: 11 de novembro de 2009
Estreia no Brasil: sem data prevista
IMDb



"Kynodontas", ou "Dente Canino" (em minha livre tradução), é um experiência e tanto. Se você começa a assistir sem saber do que se trata (como no nosso caso), leva um tempo até entender o que realmente está acontecendo ali. A primeira impressão, como não entendemos grego (e assim o áudio não ajuda muito no entendimento), é que a legenda estava totalmente equivocada. Mas, passados alguns minutos de filme, você começa a compreender que está diante de uma experiência bizarra e dolorosa.

Falar muito sobre a história é estragar as surpresas de quem o assiste pela primeira vez. Não o farei. Basta saber que "Kynodontas" retrata uma família nada convencional, um pai e uma mãe "cuidando" de seus três filhos jovens-adultos. E se o cuidando está entre aspas é porque, se você embarcar na experiência proposta pelo longa, vai se deparar com algo extremamente perturbador, com personagens doentios e ingênuos.

O universo ali visto é muito bem construído, e, no decorrer da história, vamos tentando identificar detalhes que nos expliquem o que realmente está acontecendo. Sorte nossa (como espectadores) que essas respostas não vêm de forma explícita e mastigada. Na realidade, nada é exatamente explicado, apenas resta ao público supor as motivações dos personagens.

As situações a que uns personagens submetem os outros são bastante cruéis. E o diretor e co-roteirista Giorgos Lanthimos não poupa o espectador, mostrando de forma crua toda e qualquer crueldade e violência a que os personagens são expostos, seja ela física ou psicológica.

O filme tem um ritmo lento, mas que é totalmente adequado à sua narrativa, assim nós espectadores temos tempo de ver, captar, processar e ainda contemplar a mensagem que está nos sendo transmitida. Afinal, aquilo que está sendo mostrado nos causa estranheza e precisamos de tempo para conseguir entendê-lo. Mas mesmo com o seu ritmo lento, o filme consegue prender a atenção do começo ao fim.

A opção do diretor por enquadramentos que fogem do convencional também é uma forma de ratificar que a história contada também não é nada comum, ajudando na sensação de estranhamento. Porém, é justamente aí que acho que o Lanthimos errou na mão, pois em algumas cenas, não apenas as situações são bizarras, mas também os enquadramentos, e assim, me parece que o diretor peca pelo excesso. Mas nada que comprometa o resultado final do filme.

Longe de ser um filme agradável, "Kynodontas" é uma experiência única. Perturbadora.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski

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O filme é todo maluco. Palavras sendo ensinadas com significado errado, cenas fortes de sexualidade entre irmãos, "crianças" com idade entre 20 e 30 anos.

Com isso ficamos um bom tempo tentando entender o que se passava no filme. Em que situação eles se encontravam e conseguimos ter pequenas pinceladas sobre a "realidade".

O filme não tenta explicar como chegaram naquele ponto, mas mesmo assim é possível ficar horas discutindo sobre. Isto é interessante.

A fotografia do filme é bem diferente do que vemos por aí, e isso chama a atenção. Eu gostei pelo menos, hehe.


por Oscar R. Júnior


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