sábado, 29 de janeiro de 2011

O Vencedor

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Vencedor, O (The Fighter, 2010)

Estreia oficial: 17 de dezembro de 2010
Estreia no Brasil: 4 de fevereiro de 2011
IMDb



"O Vencedor", do diretor David O. Russel, é baseado numa história real e mostra a relação de dois irmãos lutadores de boxe, Dicky Eklund (Christian Bale) que já teve seu momento de sucesso ao nocautear Sugar Ray Leonard e acha que pode voltar a brilhar, e o caçula Micky Ward (Mark Wahlberg), que busca reconhecimento.

Porém, o filme não se foca apenas na busca dos dois irmãos. O filme vai além disso, e mostra quão complicada pode ser as relações familiares. Afinal de contas é Dicky quem treina o irmão mais novo, e quem faz a vez de empresária de ambos é a sua mãe, Alice Ward (Melissa Leo). Porém, mais do que cuidar da carreira de Micky e protegê-lo, os dois mostram-se preocupados também com a exposição na mídia e a fama. E é aí que o filme mostra-se grandioso, já que o diretor e seus atores conseguem mostrar, com muito talento, quão difícil é ter um negócio 'de família' sem exploração, abuso de controle e manter o amor que os une.

E o elenco está fantástico. Começando pelo protagonista introspectivo de Mark Wahlberg que só encontra forças para enfrentar a família quando conhece sua namorada Charlene (Amy Adams). Adams está muito bem, com sua caracterização de 'garota do interior descolada' e que, aos olhos da família de Micky, é quem o leva para o 'mau caminho', afastando-o do seio familiar e das asas protetoras, mas deteriorantes, da matriarca Alice. Melissa Leo está ótima em sua caracterização, e conseguimos ver que ela realmente gosta dos filhos, porém não consegue enxergar o que realmente é melhor para Micky, assim como também seu amor materno torna-a cega para os erros de seu filho mais velho, Dicky. E é ele, ou melhor Christian Bale, quem domina o filme, com sua caracterização impressionante do lutador que acha que foi mais do que realmente foi, e que acabou tornando-se viciado em crack.

Mas são as complexas relações familiares que tornam o filme exemplar. Nada é muito simples quando se fala de relacionamentos, ainda mais quando se trata de uma família. E O. Russell consegue retratar isso perfeitamente. Sem contar que sempre estamos vendo o filme de pontos de vista diferentes. Primeiro somos apresentados à história pela visão de Dicky; depois passamos a nos distanciar daquela família problemática pelos olhos de Charlene; para logo depois vermos as coisas sob o ponto de vista de Alice, e o quão difícil é ver os filhos se afastando da barra de sua saia; para, finalmente, vermos tudo sob o ponto de vista de Micky. Dessa forma nós espectadores somos colocados próximos a todos os personagens e conseguimos ver suas motivações, qualidade e falhas de caráter; ao mesmo tempo em que a pluralidade de pontos de vista nos dá um panorama geral e consegue nos distanciar daqueles personagens, fazendo com que consigamos analisar tudo mais fria e criticamente.

Ainda a boa edição torna o ritmo do longa bastante ágil, principalmente nas cenas de luta. As quais também são muito bem coreografadas.

Enfim, alguns até podem dizer que a história não é das mais surpreendentes, porém a maneira com que o roteiro é trabalhado, e as escolhas de David O. Russell, junto com a atuação magistral de seu elenco, fazem de "O Vencedor" um filme espetacular.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski

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Mal começa o filme, na primeira frase de Dicky Eklund (Christian Bale) e eu já fiquei abismado com o a sua atuação. Impressionante. Sensacional. A atuação da Alice Ward (Melissa Leo) também é grandiosa. Micky Ward e Charlene (Mark Wahlberg e Amy Adams estão muito bem, mas ficaram um pouco à sombra de Chrintian Bale e Melissa Leo.

Os personagens são cativantes. Nas cenas de luta tenho uma ressalva: em alguns momentos distoavam o que era mostrado de o que o narrador da luta estava falando. Exemplo: Ward apesar de se defender bastante têm feito golpes duros no adversário. Mas só nos foi mostrado ele servindo de saco de pancada. Achei estranho.

O roteiro é bem desenvovido mas penso que o diretor David O. Russell não conseguiu segurar a história conforme o roteiro. Isso porque em teoria o filme é sobre o personagem que Mark Wahlberg interpreta. Mas como Christian Bale está absurdamente superior na atuação, o filme acaba sendo mais dele. Fiquei com essa impressão.

Algumas coisas interessantes no filme. Durante o filme, Dicky (Christian Bale) relembra várias vezes um luta que fez contra Sugar Ray Leonard. As cenas de luta que aparecem são reais, e na cena que Dicky vai tirar um sarro de Ray, é o próprio ex-boxeador que está na cena. Assim como o treinador Mickey O'Keefe é interpretado por ele mesmo.

E uma curiosidade. Christian Bale é 3 anos mais novo que Mark Wahlberg. No filme, entretanto, ele interpreta o irmão mais velho.

Recomendo!


por Oscar R. Júnior


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