quinta-feira, 6 de maio de 2010

Alice no Pais das Maravilhas

-->ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, 2010)

Estreia Oficial: 03 de março de 2010
Estreia no Brasil: 23 de abril de 2010
IMDb



“Alice no País das Maravilhas”, de Tim Burton, tai um filme que eu esperei muito para ver. Adoro o livro de Lewis Carroll. Adoro Tim Burton (eu REALMENTE ADORO o Tim Burton). Então, já viu, né? Estava realmente ansiosa. E talvez por isso, saí meio decepcionada da sala do cinema...

O filme não é ruim... Longe disso... Mas não chega perto de estar entre os 5 melhores filmes desse diretor tão competente. Acho que esperava ver mais ‘Tim Burton’ na produção... Mas enfim, vamos ao filme em si.

Na verdade, o roteiro de Linda Woolverton, não é uma adaptação do livro homônimo de Carroll, mas uma mistura com sua outra obra “Alice Através do Espelho”. E acho que está aí um dos grandes erros do filme. Por que se basear no fato de Alice estar voltando ao dito ‘País das Maravilhas’? O que isso acrescenta à história? Já que a própria Alice não sabe – ou não lembra – de nada, porque não fazê-la descobrir esse mundo novo junto com o público pela primeira vez, sem ter os personagens dizendo-lhe a todo o momento: “Você é A Alice”... Confesso que isso me irritou um pouco.

Outro ponto fraco do roteiro é o personagem do Chapeleiro Maluco (Johnny Depp). Não o personagem em si, mas o tempo que ele ocupa em tela. Explico. Parece que, para justificar a escalação de Depp para o papel, aumentaram de forma exagerada o ‘tamanho’ do seu personagem, e há cenas em que sua presença não se justifica, o que faz o roteiro ficar enrolado, e perder o ritmo. Afinal de contas, na obra original, o Chapeleiro era apenas mais um dos ótimos personagens que Alice encontra pelo seu caminho, e não o principal personagem, como mostra o filme.

A Direção de Arte da produção é rica em detalhes e combina muito bem momentos mais darks com aqueles de alvura excessiva (como no castelo da Rainha Branca). Mas também não é algo que salte aos olhos... é competente, mas não deslumbrante (como outros filmes de Burton: “Edward Mão de Tesoura”, “Peixe Grande”, “A Fantástica Fábrica de Chocolates”, só pra citar alguns). Há personagens bastante interessantes do ponto de vista estético, como a própria Rainha Branca (com seus gestos excessivamente angelicais), ou a Rainha Vermelha (com sua cabeça descomunal), ou ainda o exército de cartas. Mas há também aqueles que lembram em muito os bichinhos bonitinhos vistos na animação feita pela Disney em 1951, como o coelho branco e a lagarta azul, o que não chega a ser algo ruim... mas acho que (de novo) esperava algo mais no design dessas criaturas, afinal em um filme de Tim Burton não se espera ver algo ‘bonitinho’, mas sim várias coisas bizarras... e, exceção feita ao gato (que gostei bastante, com seu sorriso inesquecível), os demais animais são fofinhos demais...

E já que falei em personagens, devo dizer que a atuação de Depp é, para mim, a maior decepção do filme, já que ele surge caricato ao extremo. O que para ele talvez não fosse um problema, e Jack Sparrow, de “Piratas do caribe” é seu melhor exemplo, já que o ator consegue compor um personagem caricato mas que carrega toda uma bagagem emocional por trás. Já aqui, a única coisa que Depp consegue fazer é gritar nos acessos de raiva do Chapeleiro Maluco, e fazer caretas (ajudadas pelos efeitos visuais) com seus olhos esbugalhados que mudam de cor. E, se Anne Hathaway chama a atenção apenas por seu gestual forçadamente etéreo, o que é engraçadinho; é Helena Bonham Carter e sua Rainha Vermelha quem rouba o filme. A sua personagem é, sem sombra de dúvida, a mais complexa e interessante vista em cena, já que seus atos de maldade soam decorrentes de complexos de infância, e não simplesmente por a Rainha ser má e pronto. Sem contar que os detalhes dos cenários que envolvem o seu palácio são os melhores da produção. Em compensação, a Alice de Mia Wasikowska, é uma das heroínas mais sem sal que já vi: ela vai do começo ao fim do filme com a mesma expressão, repetindo a todo o momento que tudo o que está vendo é apenas um sonho, o que chega a ser irritante...

Longe de ser o grande filme que o estúdio Disney vinha anunciando, o filme só não é um desastre total graças a alguns talentos, mas principalmente ao seu visual, que surge bem mais interessante que a maioria dos personagens que vemos em cena... ainda bem que temos uma vilã para salvar o filme!


por Melissa Lipinski
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Alice no Pais das Maravilhas. A junção do Tim Burton com a Disney Pictures. Como um filme da Disney ele tem obviamente temática infantil. Mas até demais da conta. Muito bobinho.

Como um filme do Tim Burton a Direção de Arte é incrível. E também conta com a atuação do Johnny Depp e Helena Bonhan Carter. Até ai tudo bem, mas achei que vários personagens são rasos. A personagem principal por exemplo, Alice (Mia Wasikowska) não tem profundidade. Achei mal construída e mal interpretada, assim como o Chapeleiro Maluco (Johnny Depp) e a Rainha de Copas (Helena Bonham Carter); personagens mal construidos e que a boa interpretação não conseguiu me cativar.

Os personagens que estavam a altura foram o Valete (Crispin Glover) e o Gato (Stephen Fry). Personagens com profundidade, com hesitações. Personagens bons.

Bem, e complementando a arte alguns elementos são claramente baseados na versão do filme de 1951 (IMdB).

Por enquanto é isso.


por Oscar R. Júnior


 
 

Um comentário:

dalete disse...

Tô adorando acompanhar o blog, Mel e Oscar. Essa crítica do filme Alice bateu exatamente com o que achei do filme.

Parabéns!!!1

bjuuuus para os dois.
Dálete