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sábado, 3 de setembro de 2011

Amor a Toda Prova

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Amor a Toda Prova (Crazy, Stupid, Love., 2011)

Estreia oficial: 29 de julho de 2011
Estreia no Brasil: 16 de agosto de 2011
IMDb



"Amor a Toda Prova", dirigido por Glenn Ficarra e John Requa (a dupla que dirigiu o interessante "O Golpista do Ano"), é a prova incontestável que uma comédia romântica pode se tornar um bom filme, que diverte sem desrespeitar a inteligência do espectador. E, por mais que se utilize dos clichês mais óbvios, faz isso com graça e criatividade.

O roteiro de Dan Fogelman (que escreveu o bom "Enrolados") gira em torno de três encontros e desencontros amorosos. Primeiro, a separação entre Cal (Steve Carrell) e Emily (Julianne Moore). Depois, o envolvimento do conquistador Jacob (Ryan Gosling) e da advogada 'certinha' Hannah (Emma Stone). E, por último, a paixão platônica do adolescente de 13 anos, Robbie (Jonah Bobo), filho de Cal e Emily, por sua babá mais velha, Jessica (Analeigh Tipton).

O que diferencia esta de tantas comédias românticas que aparecem aos montes por aí, certamente não é sua originalidade. Afinal, depois de apresentados todos os personagens, sabemos exatamente qual fim eles terão. Porém, aqui, Dan Fogelman inverte os papéis: são os homens os personagens românticos, que acreditam em almas-gêmeas ou que casam-se com o primeiro amor, e ainda por cima, sendo virgem (notem que, por mais que possamos supor que assim também o seja, em nenhum momento é dito que Emily também se casou virgem). E, se isso já seria o suficiente, o que torna "Amor a Toda Prova" acima da média (relativamente baixa do gênero) são seus diálogos rápidos e afiados, um elenco afinadíssimo, e o fato de zombar dos clichês comuns a este tipo de filme.

A ótima sintonia dos pares românticos faz com que os personagens ganhem contornos ainda melhores. Steve Carrell que é o protagonista deste longa, já havia provado sair-se bem também em papéis com menor apelo cômico, como em "Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada" (2007), e mostra que sabe dosar situações engraçadas com momentos mais sentimentais. Julianne Moore (que dispensa maiores apresentações) empresta toda sua fragilidade e sutileza a uma personagem que não tem muito tempo em tela para se desenvolver. Emma Stone (que já provara seu talento em "A Mentira", de 2010) também está muito bem, e dá o tom certo de delicadeza e simpatia à sua personagem. Destaque para os jovens Jonah Bobo e Analeigh Tipton que não fazem feio ante os colegas veteranos e seguram muito bem a sua parte da história. O longa ainda traz Marisa Tomei (sempre linda e competente) e Kevin Bacon (que não precisa fazer muito mais do que mostrar sua cara de cínico) em ótimas participações. Mas é mesmo Ryan Gosling quem segura e dá o tom certo (e charme) ao filme. Dono de um carisma inquestionável, Gosling - que não precisa mais provar que tem talento depois de suas atuações em "Half Nelson" (2006), "A Garota Ideal" (2007), "Namorados Para Sempre" e "Entre Segredos e Mentiras" (ambos de 2010) - empresta-o completamente a Jacob, que conquista a simpatia do espectador assim que lança seu primeiro sorriso enquanto fala sua cantada batida (mas infalível, pelo menos a seu ver) para Hannah. A química entre Gosling e Stone é inquestionável, e ajuda na rápida assimilação do interesse amoroso que um passa a sentir pelo outro. Mas a melhor química estabelecida, sem dúvida, fica por conta da parceria entre Gosling e Carrell, e os dois mostram tanta afinidade e sentem-se à vontade um com o outro, que é impossível não embarcar na história.

Mostrando que aprenderam a lição de casa, Ficarra e Requa não deixam o ritmo do longa cair em nenhum momento, além de utilizarem elegantes e eficientes montagens de passagem de tempo (era exatamente neste ponto que "O Golpista do Ano" patinava um pouco).

Porém, a 'cereja do bolo' de "Amor a Toda a Prova" são seus espirituosos diálogos, com engraçadas referências a outros filmes como "Karatê Kid" e "Crepúsculo". Além do fato, é claro, de tirar sarro de situações clichês típicas de comédias românticas, como quando Jacob explica a Hannah seu método para conquistar as mulheres, numa citação à famosa cena de dança de "Dirty Dancing", promovendo um dos melhores momentos do longa. Ou então, quando, após uma discussão, Cal é deixado sozinho, e começa a chover; então, dando voz a todo e qualquer espectador, ele mesmo diz: "Clichê".

São esses pequenos momentos, recheados de humor e criatividade, e pontuados por um elenco irretocável, o que faz toda a diferença!

Fica a dica!


por Melissa Lipinski



    

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O Golpista do Ano

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Golpista do Ano, O (I Love You Phillip Morris, 2009)

Estreia Oficial: 10 de fevereiro de 2010
Estreia no Brasil: 4 de junho de 2010

IMDb



Pra começar tenho que falar deste título nacional horrível! Pura propaganda enganosa! Depois não querem que o filme vá mal nas bilheterias! Como se sair bem se o título do filme tenta vender uma coisa que ele não é? Chamando o público errado para o cinema? Devo dizer que o público padrão das comédias protagonizadas por Jim Carrey irá odiar este filme. Alguns podem até dizer que é preconceito da minha parte, mas a verdade é que existem diferentes tipos de público, e isso não se pode negar. Porque não chamar o filme de "Eu Te Amo Phillip Morris"? Muito gay? Mas, afinal, sobre o que mesmo se trata esse filme? Dã... Isso é querer enganar o espectador, e achar que um filme como esse não teria público por aqui. Que feio, senhores distribuidores! Afinal, como o próprio filme mostra, a mentira, uma hora ou outra, acaba sendo descoberta.

Mas enfim, vamos ao filme... A questão é que gostei e não gostei dele. Mas me explico melhor.

Primeiro, porque gostei. As atuações são, sem dúvida, o ponto alto do filme. Gosto muito de Jim Carrey, seja fazendo comédias escrachadas. seja fazendo dramas, como "O Show de Truman", "O Mundo de Andy", ou "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças" (um de meus filmes favoritos). Acho-o um ator muito competente. E aqui não é diferente. Ele empresta muito dinamismo ao protagonista, Steven Russell, seja em cenas mais engraçadas (como naquela em que é revelada a sua homossexualidade), assim como em cenas mais tocantes. Ele transforma o personagem em uma pessoa com o pensamento rápido, que se acha mais esperta que o restante do mundo, e nós, espectadores, nos convencemos disso. Gosto muito também de Ewan McGregor. E aqui, ele é quem rouba a cena, com seu Phillip Morris, sensível na medida certa, sem se tornar caricato. Ele está comovente.

Mas, a verdade é que o roteiro tende a tratar do relacionamento entre os dois personagens de maneira um pouco caricata, tendenciosa, que beira (perigosamente) o preconceito. E aí, o filme patina. O humor um pouco forçado demais acaba prejudicando os momentos mais sensíveis do longa, e, algumas vezes, tende a colocar os protagonistas em descrédito frente ao espectador. O que é uma pena!

Eu diria que o filme tem um quê de "Prenda-Me Se For Capaz", com seu anti-herói desafiando a lei, dando golpes para enriquecer e levar uma vida mais 'fácil'. Ainda mais se tratando de uma história que jura ser real - como afirmam os créditos iniciais do filme. E aí fica a minha maior reclamação: se a história é real, e Russell foi pego no final das contas, porque Hollywood tem essa mania de querer passar a impressão que no final tudo deu certo? É a eterna sensação do "E viveram felizes para sempre". Enganador!


por Melissa Lipinski
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Jim Carrey já me impressionou várias vezes. A melhor performance dele, na minha opinião, foi em "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças". Incrível.

E o elenco de "O Golpista do Ano" está muito bem. Além de Carrey, Ewan McGregor e Rodrigo Santoro estão com ótimos personagens e atuações.

A história em si é boa mas o filme se perde em alguns pontos. Como não explorar direito as fugas de Steven Russell (Jim Carrey), como ele consegue fugir da cadeia e como o não entendimento de algumas façanhas dele como falso advogado.

E por último, a trilha. A trilha principal do filme é chata, muito chata. Na primeira vez até que vai, mas todas as outras vezes ela nos tira do filme. Pelo menos me tirou.

Já ia me esquecendo, mas preciso falar disso. Como assim "O Golpista do Ano"? O nome original do filme é "I Love You Phillip Morris", que numa óbvia tradução se transformava em "Eu Te Amo Phililp Morris". Mas como estamos no Brasil fazem isso. Acho que só não foi pior que no México, que segundo o
IMdB o nome do filme ficou como "Una Pareja Dispareja", essa foi pior! Já escrevi um texto sobre traduções de títulos de filmes. Caso queira conferir clique aqui.


por Oscar R. Júnior