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sábado, 12 de novembro de 2011

Dez Invernos

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Dez Invernos (Dieci Inverni, 2009)

Estreia oficial: 10 de dezembro de 2009
Estreia no Brasil: sem data prevista
IMDb



Essa história de amor que se passa na charmosa Veneza durante - como diz o título - dez invernos, abusa da paciência do espectador, pois além de deveras previsível, conta com personagens mal construídos e sem carisma algum.

Ao se conhecerem por acaso numa balsa, Camilla (Isabela Ragonese), recém chegada de sua cidadezinha para estudar literatura russa em Veneza; e Sylvestre (Michele Riondino), que está perdido na vida, vão tecendo um relacionamento que inicia apenas por encontros ao acaso, torna-se uma amizade à distância, para depois se transformar em um forte sentimento de amizade que, naturalmente, evolui para um amor desencontrado, já que ambos, hora ou outra, envolvem-se com outras pessoas.

Já no início, quando somos apresentados aos dois personagens, as situações soam forçadas demais, inverossímeis, o que dificulta acreditarmos no interesse que surge entre eles. E, à medida que a narrativa avança, não só Camilla e Sylvestre não são melhores construídos, como há a inclusão de novos personagens que aparecem ou desaparecem, e envolvem-se com os protagonistas de forma abrupta e mal explicada.

Abrupta também são as elipses temporais. Como a história acontece apenas em invernos, a passagem de tempo sempre parece entrecortada, e prejudica o ritmo do longa. Como as elipses são longas demais, as transformações que os personagens sofrem durante elas são muitas, o que também dificulta o entendimento de suas ações, já que algumas, até contradizem o que havia sido mostrado até então.

Com uma fotografia que não consegue explorar devidamente as belas locações onde a história acontece (principalmente Veneza e Moscou), "Dez Invernos" acaba soando burocrático e esquemático demais. Sem inovar ou deleitar os olhos do espectador.

O diretor estreante, Valerio Mieli (que também divide a autoria do roteiro com Davide Lantieri e Isabella Aguilar), também não consegue uma boa atuação de seu elenco, o que também acaba prejudicando o andamento da narrativa, e fazendo-a soar um tanto quanto piegas até.

Enfim, "Dez Invernos" é aquele filme regular. Não chega a ser um embaraço, mas seus defeitos conseguem sobrepor-se às suas qualidades, e isso nunca é bom.


por Melissa Lipinski


OBS: Comentário escrito durante a 35ª Mostra Intrnacional de Cinema de São Paulo.


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Hiroshima: Um Musical Silencioso

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Hiroshima: Um Musical Silencioso (Hiroshima, 2009)

Estreia oficial: 12 de novembro de 2009
Estreia no Brasil: 07 de outubro de 2011
IMDb



Pablo Stoll já escreveu e dirigiu três longas-metragem. Dois deles, "25 Watts" (2001) e "Whisky" (2004), em parceria com Juan Pablo Rebella (que morreu aos 32 anos em 2006, quando cometeu suicídio). E parece que era justamente essa parceria que dava certo, já que os filmes resultantes dela eram realmente bons; porém esse "Hiroshima: Um Musical Silencioso" decepciona.

Realizado como um filme caseiro, "Hiroshima" tem como protagonistas os parentes próximos de Stoll (nem os nomes não foram mudados). A trama acompanha Juan Andrés Stoll em um cotidiano entediante. Não há muito o que falar, a história simplesmente segue os passos do protagonista no que seria um dia qualquer de sua ordinária vida.

Chama a atenção (mesmo sem uma justificativa aparente), a escolha em expressar os diálogos por meio de cartelas (como um filme mudo), ainda que os sons ambientes e a trilha musical estejam presentes. É fato que os diálogos são altamente descartáveis nesta história, inclusive as próprias cartelas que, além do experimentalismo, não se justificam.

A trama é quase que um 'road-movie' dentro de Montevidéu, porém soa episódica demais, sem mostrar nenhuma correlação entre os fatos. Assim, pessoas e acontecimentos passam pela vida de Juan sem nunca parecer afetá-lo ou despertar qualquer sentimento no rapaz, que está sempre impassível a tudo e a todos.

Não sei, talvez eu é que não tenha conseguido "entrar" no clima do filme. E, apesar de algumas cenas interessantes como o embate entre pai e filho que lembra um western; ou a sequência em que Juan e a namorada lancham em frente a um hospital enquanto os figurantes realizam suas ações repetidamente atrás deles; de modo geral o filme me pareceu tão sem sentido quanto seu protagonista. Um projeto tão pessoal de Stoll que parece não se conectar com as demais pessoas (assim como seu personagem). Bom, talvez o filme seja mesmo o reflexo de uma experiência traumática na vida do cineasta, depois do suicídio de seu parceiro de trabalho e amigo.

Mas o fato é que resultou pessoal demais. E impessoal demais.


por Melissa Lipinski


domingo, 6 de novembro de 2011

Natimorto

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Natimorto (2009)

Estreia oficial | no Brasil: 29 de abril de 2011
IMDb



"Natimorto" é a segunda adaptação de um romance do escritor e autor de histórias em quadrinhos, Lourenço Mutarelli, e guarda interessantes similaridades com a obra anterior, "O Cheiro do Ralo" (de 2006). Ambas tratam de um romance obsessivo, tendo como objeto de adoração uma mulher que ao mesmo tempo aparenta estar tão perto, mas é propositadamente inatingível ao protagonista.

E é o próprio Mutarelli quem protagoniza esta bizarra história cujos personagens não têm nome. Ele interpreta uma espécie de produtor musical que recebe uma cantora (Simone Spoladore) que, supostamente, teria a mais bela das vozes. Encantado com a garota e desgostoso com o mundo ao seu redor, o homem propõe a ela que eles vivam fechados em um quarto de hotel, pois suas economias lhes garantiriam morar ali por uns 6 anos. Depois de certa relutância da cantora, eles acabam entrando em um acordo, onde ele permaneceria ali enclausurado, e ela poderia sair - até para poder trabalhar e bancar parte das despesas. A partir deste confinamento (total dele e parcial dela), ambos vão adentrando e intensificando uma relação de dependência, onde ele conta suas histórias de vida, e ela, em troca, canta para ele, enquanto impregnam-se de cigarros. Dependência tanto um do outro (mais da parte dele do que dela, obviamente), como do cigarro. Ele, inclusive, tem a rotina de 'ler' a sua sorte nas imagens de advertência impressas no verso dos maços, fazendo um paralelo com as cartas de tarô, o que vai consumindo-o e deprimindo-o cada vez mais.

O roteiro de André Pinho concentra-se quase que inteiramente no interior do tal quarto de hotel (apenas a introdução dos personagens e os flashbacks nos quais aparece a esposa do agente - Betty Gofman - passam-se fora dali). E por isso mesmo, o filme baseia-se todo sobre as atuações de seus protagonistas. Simone Spoladore (ótima como sempre) empresta doçura e cinismo na medida certa para sua personagem. Mas é Mutarelli tanto o ponto alto quanto o mais baixo da produção. No início, sua interpretação mais teatral soa um pouco artificial, e o coloca em desigualdade com sua companheira de cena. Porém, à medida em que o filme avança, essa mesma teatralidade recai como uma luva sobre a paranóia do personagem, elevando a qualidade de sua interpretação.

Contando com uma fotografia excepcional de Lito Mendes da Rocha, que mantém planos em movimento, ora fechados nos rostos dos atores, em desfoque, ora mais abertos, mostrando as luzes coloridas que vêm da rua e entram pela janela do quarto, praticamente 'pintando' os quadros; toda a ambientação vai armando uma crescente sensação de sufocamento e claustrofobia. Aliado a isso, o diretor Paulo Machline mantém o bom ritmo do filme inserindo os flashbacks em ordem não cronológica em meio à narrativa.

Assim como a loucura do seu protagonista, a sensação de desconforto criada no espectador vai aumentando ao longo do filme. Fica, ao final, um sentimento amargo: será mesmo que a humanidade é tão cruel a ponto de se preferir a misantropia? Como diz o personagem em certa altura do filme ao invejar um natimorto: "imagine ir da não-existência à não-existência, protegido pelo único ser que vai te amar, ficando afastado dos males do mundo". E a ótima opção em não mostrar a voz de Simone Spoladore cantando reitera esse aspecto, afinal, nós, espectadores, fazemos parte do 'mal do mundo', e não seríamos merecedores de ouvir a mais bela das vozes.

Enfim, "Natimorto" é assim, doentio e sufocante. Como seu protagonista.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski


   

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Insolação

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Insolação (2009)

Estreia oficial | no Brasil: 26 de março de 2010
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"Insolação", filme dirigido pelo consagrado diretor teatral, Felipe Hirsch (que pela primeira vez se aventura no cinema) e por Daniela Thomas (usual colaboradora de Walter Salles na direção de seus filmes, como "Linha de Passe", "O Primeiro Dia" e "Terra Estrangeira"), é uma poesia, e como tanto, não se pode tentar entendê-lo com a razão, mas sim senti-lo.

Baseado em contos da literatura russa (os nomes dos personagens deixam isso bem claro) que falam sobre o amor, o roteiro assinado por Will Eno e Sam Lipsyte não pode facilmente ser traduzido em um sinopse reducionista. Diversos personagens passam pela cena declamando frases desconexas, ou então enfrentando, cada um a seu modo, a solidão e a incansável busca por um amor inatingível, seja através do primeiro amor platônico, ou o sexo insaciável, ou o simples afeto de alguém próximo.

A narrativa que não segue nenhum lógica cronológica ou temporal também coloca em evidência o quão perdidos são aqueles personagens. Dias e noites se intercalam sem sabermos quanto tempo se passou. Os personagens não trocam de roupas, possuem um só figurino. Vão e vêm pelas ruas e se encontram em um quiosque abandonado, onde parecem ser orientados por uma espécie de diretor (Paulo José), que fala profundas frases sobre a vida.

As atuações e a fotografia são o âmago do filme. E, assim como um poema concretista, a forma e o conteúdo se confundem. As belíssimas locações geométricas (em uma Brasília esvaziada de vida), belíssimamente enquadradas pela câmera de Mauro Pinheiro Jr., colocam-se também como personagens. Da mesma forma como oprimem as figuras humanas, que aparecem minúsculas frente a verdadeiros monumentos de concreto, em enquadramentos que colocam o homem como um ser insignificante, impotente.

Os diálogos sem conexões ou sentidos, e notadamente teatrais, reforçam o sentimento de solidão e confusão que os personagens se encontram. Na verdade, o que esses personagens falam interessa menos do que aquilo que eles aparentam sentir. É o sentimento de desamparo e de isolamento que tornam todos eles como 'zumbis' herméticos e obscuros. E, embora todos, em um momento ou outro, estabeleçam relações ou conexões entre si, na realidade estão todos sozinhos, em busca de um sentimento (amor, afeição, carinho, ou como queiram chamar) que jamais encontrarão, pois são, eles mesmos, esvaziados de qualquer sentimento.

O elenco (cujas atuações beiram a teatralidade, como falei) está irretocável. Paulo José, Simone Spoladore e Leonardo Medeiros são dos atores mais talentosos que o cinema nacional tem hoje em dia. Maria Luíza Mendonça e Leandra Leal também são ótimas atrizes. E há ainda os jovens Antonio Medeiros e Daniela Piepszyk que não ficam atrás.

Há ainda a belíssima trilha musical de Arthur de Faria, que tranquila, opõe-se aos sentimentos não exteriorizados dos personagens, criando um interessante contraponto.

Enfim, "Insolação" é uma obra importante no atual cenário do cinema brasileiro, já que abre caminho para que mais obras abstratas, 'de autor', intimistas, 'de arte' (ou como queiram chamar) venham por aí. Com certeza não é um filme fácil, e definitivamente não agradará nem um pouco àqueles que não conseguem se libertar do cinema narrativo hegemônico. Mas, para aqueles que se deixarem levar por sua beleza visual e incômoda narrativa, certamente será um experiência única.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O Primeiro Mentiroso

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Primeiro Mentiroso, O (The Invention of Lying, 2009)

Estreia oficial: 2 de outubro de 2009
Estreia no Brasil: lançado diretamente em DVD
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Este "O Primeiro Mentiroso" parte de uma premissa 'verdadeiramente' (desculpem, não resisti ao trocadilho) interessante. E se a humanidade não conhecesse a mentira? Se absolutamente todos sempre falassem a verdade, sem ocultar nenhum sentimento?

Pena que o filme (co-escrito, co-dirigido e estrelado por Ricky Gervais) não ouse mais na sua ideia, e descambe para uma comédia romântica tola. Toda a primeira parte do longa, onde a realidade alternativa da sociedade é mostrada ao público, ao mesmo tempo em que os principais personagens nos são apresentados, é a melhor; pois todos falam sem pudor nenhum o que realmente pensam, com palavras bastante duras que são absorvidas por quem as escuta com naturalidade. São justamente esses diálogos ácidos e rápidos que conferem humor à narrativa. E o que é melhor, um humor crítico e cínico, daquele típico de Gervais, como no seriado "The Office" (o original, inglês).

Porém, a sua premissa não se mantém ao longo dos 100 minutos de duração do filme. A história torna-se repetitiva e descamba para o sentimentalismo 'super-açucarado', com lição de moral desnecessária ao final. E, embora a crítica à religião (principalmente a católica) seja bem-vinda, não é suficiente para sustentar a qualidade da narrativa vista no terço inicial.

E, se as atuações do elenco em geral não comprometem, vide Jennifer Garner e Rob Lowe; e Ricky Gervais pareça se sentir bem à vontade zombando do próprio físico; são as participações especiais de Philip Seymour Hoffman, Tina Fey, Jason Bateman, Edward Norton e Jonah Hill que se destacam.

Enfim, "O Primeiro Mentiroso" até arranca algumas risadas, mas acaba desperdiçando uma ideia que poderia ter rendido um filme muito melhor.


por Melissa Lipinski


quinta-feira, 14 de julho de 2011

Harry Potter e o Enigma do Príncipe

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Harry Potter e o Enigma do Príncipe (Harry Potter and the Half-Blood Prince, 2009)

Estreia oficial: 15 de julho de 2009
Estreia no Brasil: 15 de julho de 2009
IMDb



O que mais chama a atenção neste "Harry Potter e o Enigma do Príncipe" é o contraste da sua atmosfera sombria, deprimente e com perigos iminentes com aquela feliz e encantada dos primeiros filmes. Contraste também presente no próprio trio protagonista que, se antes desfilava sorridente pelos corredores da Escola de Hogwarts, a cada novo episódio, apresenta um semblante mais fechado e preocupado.

E, ao contrário do episódio anterior, onde Harry e Dumbledore mal se falavam durante a trama, aqui a relação entre os dois é o fio condutor do roteiro (que volta a ser assinado por Steve Kloves). É, inclusive, Dumbledore, ou melhor, Michael Gambon, o grande destaque deste capítulo da saga. Ver as pequenas nuances da composição de seu personagem é um deleite. Cada olhar de preocupação, cada ação minuciosamente calculadas, seu ar de remorso por ter dado a chance de Voldemort ter se tornado o grande bruxo que se tornou, a consciência e culpa por exigir demais de Harry Potter... Enfim, Gambon retrata todos esses sentimentos com perfeição.

Mas não só ele. Daniel Radcliffe cresce ainda mais em sua interpretação de Harry. Ao mesmo tempo em que Rupert Grint e Emma Watson sentem-se cada vez mais à vontade com seus personagens, Ron e Hermione, e a química entre eles, e seu relacionamento de amizade-amor não declarado-crises de ciúmes dá o contra-ponto divertido à densa narrativa. E, pela primeira vez na série, Tom Felton consegue dar uma carga dramática a Draco Malfoy, tornando-o um personagem tridimensional e em crise com sua própria consciência.

Dentre o notável elenco de apoio, Alan Rickman novamente sobressai-se e tem mais tempo em tela para construir seu complexo Professor Snape. Assim como Jim Broadbent, que junta-se ao elenco como o Professor Horácio Slughorn, e parece realmente se divertir em sua composição, servindo como um dos alívios cômicos da narrativa, o que não impede de ser deste personagem um dos momentos mais tocantes do longa.

A fotografia de Bruno Delbonel é extremamente eficiente em criar um clima crescente de apreensão e tristeza, com sua paleta de cores dessaturadas. Ao mesmo tempo em que o diretor David Yates acerta no tom conspiratório que emprega à narrativa, com uma câmera que sempre revela semblantes nos escuros cantos dos corredores de Hogwarts - seja o solitário e dividido Draco Malfoy ou os tórridos casais de namorados. Ao mesmo tempo em que o diretor dita o ritmo de sua narrativa com as bem decupadas (e executadas) cenas de ação.

Finalmente, mesmo sem ser o melhor livro escrito por J. K. Rowling, "O Enigma do Príncipe" gera o melhor filme até agora da sua franquia, preparando o terreno para os grandes conflitos que ainda virão nas duas partes finais da saga do bruxo mais famoso do mundo.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski


sábado, 18 de junho de 2011

Micmacs - Um Plano Complicado

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Micmacs - Um Plano Complicado (Micmacs à Tire-Larigot, 2009)

Estreia oficial: 28 de outubro de 2009
Estreia no Brasil: lançado diretamnete em DVD
IMDb



Jean-Pierre Jeunet é um contador de histórias fantásticas, todas elas mergulhadas em tons amarelos, vermelhos e verdes. Foi assim com "Delicatessen" (1991), "Ladrão de Sonhos" (1995) - ambos co-dirigidos com Marc Caro, "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" (2001) e, de certa forma, até em "Amor Eterno" (2004). Todos trazem sua marca registrada com diálogos non-sense, a direção de arte impecável e repleta de detalhes e na belíssima fotografia que abusa das cores supra-citadas. Indícios que quando reunidos fazem o espectador dizer: "Taí, mais um filme de Jeunet!".

Neste "Micmacs - Um Plano Complicado" não é diferente. O roteiro aqui é centrado em Bazil (o ótimo e cartunesco Dany Boon), que acaba perdendo tudo o que tem depois de levar um tiro acidental na cabeça. Com a bala alojada no crânio, e sem nenhum bem, Bazil acaba juntando-se a uma incomum trupe que vive em um alojamento feito de sucatas. Cada integrante do grupo parece ter um "super poder", ou uma característica incomum, como a mulher contorcionista; ou a garota "calculadora, capaz de fazer a mais complicada das contas matemáticas; ou um inventor que é bem mais forte do que aparenta… A excentricidade vai longe… Encabeçando o grupo, está Fracasse (bom, seu nome já diz tudo, não necessita maiores explicações), interpretado por Dominique Pinon (grande colaborador de Jeunet: e se este é o sexto longa dirigido pelo diretor, é também a sexta colaboração entre Jeunet e Pinon).

Mas é quando Bazil encontra o fabricante da bala que está alojada na sua cabeça (interpretado por André Dussollier), e o fabricante de materiais bélicos (interpretado por Nicolas Marié) que foi responsável pela morte de seu pai, vítima de uma mina terrestre durante a guerra, que a história realmente começa, já que Bazil e sua turma traçam um plano mirabolante para colocar os dois 'mercadores da morte' em guerra e acabar com suas reputações e seus respectivos negócios.

Claro que por trás da história aparentemente bobinha, há toda uma crítica social, fato recorrente na filmografia do diretor, já que todos seus trabalhos, em maior ou menor grau, tecem alfinetadas contra a hipocrisia da sociedade capitalista, tudo travestido, claro, de muito humor negro.

Porém, a execução do complicado plano arquitetado pelos personagens parece atravancar um pouco o ritmo do filme, que se perde e não deixa a história fluída, já que parece se concentrar mais no plano em si do que no que poderia soar mais interessante: o desenvolvimento de seus excêntricos - e interessantes - personagens. Assim, diferentemente do que acontecia em "Delicatessen", em "Ladrão de Sonhos", e principalmente em "Amélie Poulain", os personagens deste "Micmacs" acabam sendo mais superficiais e nunca revelam-se tão interessantes quanto os dos longas anteriores.

Porém, como em todos os outros filmes com a 'marca Jeunet', a direção de arte bela e inventiva, a excelente edição e a colorida fotografia são os diferenciais. Comos nos seus dois primeiros longas, o diretor volta a trabalhar com cenários poluídos e repletos de objetos que dizem muito a respeito de seus personagens.

Finalmente, Jeunet mais uma vez brinda o espectador com uma direção rigorosa e apaixonada por aquilo que faz, gerando um filme prazeroso e que se destaca num mercado atual, tão carente de inovações e ousadias.


por Melissa Lipinski


sábado, 7 de maio de 2011

Férias Frustradas de Verão

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Férias Frustradas de Verão (Adventureland, 2009)

Estreia oficial: 3 de abril de 2009
Estreia no Brasil: lançado diretamente em DVD
IMDb



Mais um filme com uma tradução de título insuportável. O que passa na cabeça dos distribuidores de nosso país? Traduzir "Adventureland" como "Férias Frustradas de Verão" é uma tentativa de qualificar o filme naquilo que ele não é, já que o título nacional remete àquelas comédias típicas de 'Sessão da Tarde'.

Felizmente, "Adventureland" (sim, me recuso a chamar a produção pelo título brasileiro) é bem mais do que isso. A história do longa é uma clara referência, e homenagem, às saudosas comédias juvenis dos anos 1980 (que hoje são consideradas cult), como "Curtindo a Vida Adoidado" (1986) e "Clube dos Cinco" (1985) - ambas dirigidas por John Hughes - onde o amor e a amizade guiavam jovens idealistas ou simplesmente perdidos em uma fase de transição entre a vida adolescente e a vida adulta.

"Adventureland" transita exatamente nesta faixa. E, segundo o próprio roteirista/diretor, é um filme biográfico, já que se baseia nas experiências pessoais que Greg Mottola teve durante um "verão perdido" da sua própria fase de transição.

No filme, Jesse Eisenberg é James Brennan, o alter-ego do autor que vê o seu sonho de viajar à Europa antes de ingressar na faculdade de Jornalismo ir por água abaixo devido a uma crise financeira que seus pais atravessam. Assim, James consegue um emprego em um parque de diversões, o tal "Adventureland", a fim de juntar dinheiro para poder ir a Nova York estudar.

E é em "Adventureland" (o parque e o filme) que James vai se autodescobrir. Sua convivência com os arquétipos típicos desta fase da vida (e talvez de outras fases também) fará com que, ao final, saia transformado - e amadurecido - de suas experiências, assim como todo herói deve passar em sua jornada (Joseph Campbell já o dizia).

O filme acaba saindo-se melhor do que poderia se supor inicialmente graças à sua inocência (um reflexo da juventude dos anos 1980), à sua cuidadosa e caprichosa caracterização da época, ao seu elenco afiado e à uma trilha sonora maravilhosa e saudosista.

Quanto ao elenco, jovens que conseguem dar vida de forma convincente aos estereótipos que rondam as juventudes de todas as épocas: o nerd que sofre bullying (como se fala hoje em dia), o bad boy, o cara mais velho idolatrado por todos, a gostosona, e é claro, os protagonistas incompreendidos que apenas querem viver as suas próprias vidas. E Jesse Eisenberg consegue elevar a produção devido ao seu imenso carisma. Até a escalação de Kristen Stewart (cujo talento é questionável) parece acertada, já que a inexpressividade da atriz e sua aparente incapacidade de olhar os outros nos olhos parece se adequar perfeitamente à sua personagem, que vive deslocada em um 'mundinho' ao qual não pertence.

Quanto à trilha sonora, famosas músicas de grandes bandas da década em questão são trazidas à tona. É impossível não se deixar levar pelas canções de Velvet Underground, INXS, David Bowie, The Outfield, Lou Reed, The Cure, entre outros.

Apesar de perder um pouco do ritmo no seu terço final, parecendo assim, um pouco mais longo do que deveria, e do seu final que se rende às convenções açucaradas das comédias românticas hollywoodianas, "Adventureland" consegue cativar justamente por ter sido feito de coração, por alguém que tinha total conhecimento daquilo sobre o que estava falando, e melhor ainda, com uma certa nostalgia que acaba contagiando também a nós espectadores. Afinal de contas, quem não passou por esta fase onde a adolescência já parecia ter ficado para trás ao mesmo tempo em que as obrigações e responsabilidades da vida adulta ainda pareciam não pertencer à realidade?


por Melissa Lipinski
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Sim, esse é daqueles filmes que assistíamos na 'Sessão da Tarde'. Só que nós já estamos nos anos 2000 e esse tipo de filme já não me agrada tanto. Mas vamos lá.

O elenco é mediano. Nada de fascinante mas nada que nos dê raiva. O roteiro é regular, nada de especial além das "tremendas confusões que James e sua turma aprontam nesse parque que é pura confusão", hehe. Quem não entendeu veja esse vídeo: É muita confusão.

Ou seja, tudo bem mediano, com algumas piadas forçadas, outras engraçadinhas e só.

E só para constar: como que "Adventureland" virou "Férias Frustradas de Verão"? Fico por aqui.


por Oscar R. Júnior


P.S. Nunca leio o texto da Melissa antes de escrever o meu para não me "contaminar" com as idéias dela. Mas o lendo agora, concordo com ela. Não é um filme fora de época. É um filme com base naquela época. Faz parte.... mas não vou mexer na minha pontuação nem no texto. Abraços.


domingo, 1 de maio de 2011

O Solteirão

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Solteirão, O (Solitary Man, 2009)

Estreia oficial: 21 de maio de 2010
Estreia no Brasil: 22 de outubro de 2010

IMDb



Pra começar, a tradução em português do título do filme, "O Solteirão", é horrível e não condiz com o seu conteúdo, soa mais como uma comédia do que como o drama intimista que realmente é. "Solitary Man", seu título original ("Homem Solitário", na tradução literal), retrata muito melhor essa produção sobre um homem de meia-idade, Ben Kalmen (Michael Douglas), que, frente a um possível problema sério de saúde, resolve transformar sua vida, deixando a sua família e arruinando seu promissor trabalho no ramo de vendas de automóveis, para entregar-se a uma vida desregrada de prazeres no intuito de "enganar" a morte e não perder aquilo que vê passando diante de seus olhos: sua juventude.

Um dos pontos positivos do longa, é que nada disso que falei é jogado na cara do espectador sob a forma de uma introdução, flashback ou narração em off. Os diretores Brian Koppelman (que é também o roteirista do filme) e David Levien, sabiamente optaram por ir revelando esse passado de Ben aos poucos. Dessa forma, quando o encontramos no início do filme, ele já está divorciado, já perdeu todo seu dinheiro em uma fraude e dá em cima de qualquer bela mulher (mais jovem, é claro!). Assim, vamos descobrindo ao longo do filme o que realmente levou o protagonista a estar neste estágio da sua vida.

Talvez o filme funcione tão bem, em grande parte, pela qualidade do seu elenco, principal e secundário. Susan Sarandon como a ex-mulher de Ben, Nancy Kalmen, está ótima, e ela sempre domina as cenas em que aparece (é incrível o magnetismo que Sarandon possui). Jesse Eisenberg (que eu, particularmente, adoro) cumpre bem o seu papel de "pupilo" (mesmo que provisório) do protagonista. Danny DeVito faz uma ponta como um antigo amigo de Ben, Jimmy, e é sempre competente. Mary-Louise Parker, como a namorada atual de Ben, também aparece pouco, mas não decepciona. E Jenna Fisher como Susan, a filha do protagonista, transmite doçura à sua personagem, contrapondo-se à uma certa frieza do personagem de Douglas.

Mas o filme é mesmo de Michael Douglas, e é notável como ele se sente à vontade no papel. Ben Kalmen não é tão inescrupuloso quanto o Gordon Gekko de "
Wall Street", mas é notável como Douglas faz bem esse tipo de personagem, que não liga para nada nem ninguém. Claro que, aqui, as motivações do protagonista são totalmente diferentes. E Michael Douglas é muito competente para nos fazer notar isso, já que, mesmo percebendo que o seu personagem "não é flor que se cheire" (digamos assim), ele consegue fazer com que o público se identifique, em um primeiro momento, com ele. No decorrer do filme, entretanto, esta empatia vai se transformando em uma certa pena, pois o espectador (e o próprio Ben) começa a perceber que esse modo de vida ao qual ele escolheu é na realidade uma fuga para os seus problemas.

E é aí que o filme ganha em conteúdo, pois não tenta dar uma lição de moral, fechando todas as pontas da sua história. Mas sim, deixa o espectador, com um final (em aberto) muito bom, refletindo sobre a sua própria vida. Será que nós mesmos somos um pouco como Ben Kalmen e, frente a um momento desesperador, podemos ter esse tipo de comportamento, machucando e afastando aqueles que nos cercam e nos amam? Como será que encaramos (ou vamos encarar) a morte quando esta começar a nos rondar?

Enfim, "O Solteirão" pode não ter uma beleza estética apurada, ou enquadramentos arrebatadores, mas, graças ao bom trabalho do seu elenco, a um roteiro que não subestima a inteligência do espectador e a diretores que souberam fazer as escolhas certas, torna-se um filme surpreendentemente tocante.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski
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O filme tem uma boa estrutura, um ótimo roteiro com diálogos bem inteligentes. Michael Douglas consegue focar o filme inteiro nele com sua ótima atuação. O restante do elenco também está muito bom como a Susan Sarandon e o Jesse Eisenberg. Destaco também a participação de Danny DeVito.

Tenho que admitir que o filme começou meio devagar mas foi me conquistando. E tem um final excelente.

Vale a pena.


por Oscar R. Júnior




sexta-feira, 4 de março de 2011

A Rainha do Castelo de Ar

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Rainha do Castelo de Ar, A (Luftslottet Som Sprängdes, 2009)

Estreia oficial: 27 de novembro de 2009
Estreia no Brasil: sem data prevista
IMDb



Este terceiro filme da trilogia "Millenniun" põe fim à interessante saga de Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist. Não que o filme não tenha falhas, pois os seus 142 minutos trazem muitos personagens novos, o que torna-o um pouco confuso (principalmente para aqueles que não leram os livros e não estão familiarizados com eles).

Mas a sempre marcante presença de Noomi Rapace compensa. Ela domina tão bem a personagem que, mesmo não tendo a maioria das cenas, é ela quem 'manda' no filme, que perde força e dinamismo toda vez que ela não está em cena. Por outro lado, nada muda a falta de expressividade do protagonista Michael Nyqvist (que interpreta Mikael Blomkvist). O ator está ainda pior do que no segundo filme.

A história continua de onde o capítulo anterior desta trilogia tinha parado. Lisbeth Salander é levada ao hospital, depois de quase ser morta pelo seu pai. A partir daí, Mikael Blomkvist e sua irmã, a advogada de Lisbeth, Annika Giannini (interpretada por Annika Hallin), movem céu e terra para provar a inocência de Lisbeth e desmantelar uma facção da própria polícia.

Como falei, a gama de personagens neste filme é muito grande. E, como eles não têm a chance de ser bem desenvolvidos, acaba sendo um pouco confuso identificar quem é quem e qual a sua relevância na história.

Gostei particularmente de como o suspense vai sendo lentamente construído para ter seu ápice no julgamento de Lisbeth, quando o Dr. Peter Teleborian (Anders Ahlbom) é desmascarado. A montagem paralela entre o julgamento e as prisões dos policiais corruptos pode até não trazer nada de novo, mas funciona no sentido narrativo.

Por fim, por mais que seu ritmo possa ser irregular e o seu desfecho não tenha muita emoção, acho que o longa fecha dignamente a saga de Lisbeth e Blomkvist.

Agora nos resta esperar pela versão estadunidense, encabeçada por David Fincher. Tomara que não seja uma decepcão...


por Melissa Lipinski

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Finalmente o último filme dessa trilogia. Os personagens continuam parecidos. A Lisbeth sendo a mais interessante e melhor interpretada; E o Blomkvist continua sem graça e ofuscado pela Lisbeth.

Apesar da inserção de diversos personagens novos, o filme é bem dinâmico e nos prende a trama. Gostei bastante.

E o filme tem um desfecho legal, já esperado, mas muito legal. hehe.

Por hora é isso, recomendo.


por Oscar R. Júnior



terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Dente Canino

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Dente Canino (Kynodontas, 2009)

Estreia oficial: 11 de novembro de 2009
Estreia no Brasil: sem data prevista
IMDb



"Kynodontas", ou "Dente Canino" (em minha livre tradução), é um experiência e tanto. Se você começa a assistir sem saber do que se trata (como no nosso caso), leva um tempo até entender o que realmente está acontecendo ali. A primeira impressão, como não entendemos grego (e assim o áudio não ajuda muito no entendimento), é que a legenda estava totalmente equivocada. Mas, passados alguns minutos de filme, você começa a compreender que está diante de uma experiência bizarra e dolorosa.

Falar muito sobre a história é estragar as surpresas de quem o assiste pela primeira vez. Não o farei. Basta saber que "Kynodontas" retrata uma família nada convencional, um pai e uma mãe "cuidando" de seus três filhos jovens-adultos. E se o cuidando está entre aspas é porque, se você embarcar na experiência proposta pelo longa, vai se deparar com algo extremamente perturbador, com personagens doentios e ingênuos.

O universo ali visto é muito bem construído, e, no decorrer da história, vamos tentando identificar detalhes que nos expliquem o que realmente está acontecendo. Sorte nossa (como espectadores) que essas respostas não vêm de forma explícita e mastigada. Na realidade, nada é exatamente explicado, apenas resta ao público supor as motivações dos personagens.

As situações a que uns personagens submetem os outros são bastante cruéis. E o diretor e co-roteirista Giorgos Lanthimos não poupa o espectador, mostrando de forma crua toda e qualquer crueldade e violência a que os personagens são expostos, seja ela física ou psicológica.

O filme tem um ritmo lento, mas que é totalmente adequado à sua narrativa, assim nós espectadores temos tempo de ver, captar, processar e ainda contemplar a mensagem que está nos sendo transmitida. Afinal, aquilo que está sendo mostrado nos causa estranheza e precisamos de tempo para conseguir entendê-lo. Mas mesmo com o seu ritmo lento, o filme consegue prender a atenção do começo ao fim.

A opção do diretor por enquadramentos que fogem do convencional também é uma forma de ratificar que a história contada também não é nada comum, ajudando na sensação de estranhamento. Porém, é justamente aí que acho que o Lanthimos errou na mão, pois em algumas cenas, não apenas as situações são bizarras, mas também os enquadramentos, e assim, me parece que o diretor peca pelo excesso. Mas nada que comprometa o resultado final do filme.

Longe de ser um filme agradável, "Kynodontas" é uma experiência única. Perturbadora.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski

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O filme é todo maluco. Palavras sendo ensinadas com significado errado, cenas fortes de sexualidade entre irmãos, "crianças" com idade entre 20 e 30 anos.

Com isso ficamos um bom tempo tentando entender o que se passava no filme. Em que situação eles se encontravam e conseguimos ter pequenas pinceladas sobre a "realidade".

O filme não tenta explicar como chegaram naquele ponto, mas mesmo assim é possível ficar horas discutindo sobre. Isto é interessante.

A fotografia do filme é bem diferente do que vemos por aí, e isso chama a atenção. Eu gostei pelo menos, hehe.


por Oscar R. Júnior


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A Menina Que Brincava Com Fogo

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Menina Que Brincava Com Fogo, A (Flickan som Lekte Med Elden, 2009)

Estreia oficial: 18 de setembro de 2009
Estreia no Brasil: sem previsão ainda
IMDb



Essa sequência de "Os Homens Que Não Amavam as Mulheres", e também adaptação de um livro homônimo de Stieg Larsson, o segundo da trilogia "Millenniun", não tem o mesmo impacto do primeiro filme. Talvez por ter menos tempo em tela da sua protagonista, Lisbeth Salander (Noomi Rapace), e mais de Mikael Blomkvist (Michael Nyqvist), um personagem que não é tão interessante como sua (anti-)heroína.

A história traz mais reviravoltas, e mostra, agora, o passado de Lisbeth. Por mais que a história seja interessante, pois enfim nos é mostrado quem realmante é essa intrigante personagem, o diretor Daniel Alfredson não soube aproveitar bem o roteiro que tinha em mãos, deixando a trama com um ritmo lento e com seus momentos de maior suspense e seu ápice final mal utilizados.

Novamente é Noomi Rapace quem leva o filme nas costas, e, nos momentos em que sua personagem entra em cena, o filme ganha. Ganha em ritmo, ganha em atuação e ganha em complexidade, e o espectador ganha interesse pelo que está assistindo. Já Nyqvist encarna Mikael Blomkvist com menos expressão do que no primeiro filme, e, como é ele quem domina o tempo na tela, o filme tem momentos bastante enfadonhos. Já o grande vilão da história Zalachencko (Georgi Staykov) é relegado a um papel caricato, perdendo toda a complexidade que apresenta no livro de Larsson.

A opção do roteirista jonas Frykberg em diminuir a quantidade de personagens secundários foi acertada, porém a adaptação de algumas passagens simplesmente não funciona, pois soa forçada demais e inverossímel, o que no livro não acontecia por ter mais tempo para explicar e desenvolver as situações. No filme acontece tudo rápido e fácil demais, o que o enfraquece um pouco.

Finalmente, o final do filme perde em impacto para o final do livro. Não que haja muitas diferenças, na essência ocorre a mesma coisa, mas os tempos são diferentes, o que deixa o filme bem mais arrastado e menos impactante.

Enfim, o filme funciona em vários pontos. Mas, infelizemnte, não soube ser tão eletrizante quanto poderia. E, se há algum diferencial nele, continua sendo Lisbeth Salander, ou melhor, a ótima atuação de Noomi Rapace.


por Melissa Lipinski

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Esta é, obviamente, a continuação da "saga" de Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist. Neste segundo filme o trato com as personagens continua o mesmo do primeiro. A personagem de Salander é muito mais interessante que a de Mikael, assim como sua atuação.

Quanto ao roteiro, senti que certos momentos foram muito suprimidos como o que Salander é enterrada viva. Ela simplesmente aparece atirando depois. Sem dar uma devida atenção ao fato de que boa parte dos espectadores pensa que ela morreu e ao menos quer saber como ela escapa. Ou o tal Alexander Zalachenko que mal é introduzido na história e já nos é revelado o parentesco dele.

Por fim é isso. Gostei. Não tanto quando o outro, mas gostei e continuo recomendando.


por Oscar R. Júnior


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Os Homens Que Não Amavam as Mulheres

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Homens Que Não Amavam as Mulhers, Os (Män Som Hatar Kvinnor, 2009)

Estreia oficial: 27 de fevereiro de 2009
Estreia no Brasil: 14 de maio de 2010
IMDb



Este "Os Homens Que Não Amavam as Mulheres" é a adaptação do primeiro livro da trilogia "Millennium", escrita pelo jornalista sueco Stieg Larsson, que não chegou a ver o sucesso dos seus livros, pois morreu logo após tê-los entregue à editora. Só na Suécia, os livros já venderam mais de três milhões de exemplares, e agora, começa a fazer sucesso também nas Américas, cativando cada vez mais leitores, entre eles, essa que vos tecla. De leitura fácil, os suspenses policias de Larsson cativam pela fluidez da narrativa e pela envolvente construção dos personagens.

Claro que o filme traz alterações com relação ao livro, principalmente estruturais e de características de seus personagens. Porém, o principal elemento da obra de Larsson ficou preservado quase que integralmente: a sua protagonista, Lisbeth Salander.

Tanto no livro como no filme, o destaque fica por conta da (anti-)heroína (Noome Rapace). Uma personagem que passa longe do perfil de 'mocinha'. Uma hacker, tatuada e cheia de piercings, Lisbeth é introspectiva e sabe ser bastante violenta quando quer. Não sabe se relacionar com as pessoas, mas possui uma inteligência racional e matemática muito acima da média. A atuação de Rapace é o que move o longa, ela soube passar à personagem toda a sua força e também toda a sua fragilidade disfarçada.


Já Michael Nyqvist não consegue dar o carisma que seu personagem, Mikael Blomkvist, necessitava, já que, uma de suas características, além de ser um ótimo jornalista investigativo, é ser um sedutor. O filme não aborda tanto esse lado do personagem, e ele me parece pouco explorado e desenvolvido pelo roteiro.

Entretanto, a história funciona, e vai envolvendo o espectador à medida que vai se revelando, já que o espectador vai descobrindo, jutamente com seus investigadores, Mikael e Lisbeth, o que de fato aconteceu. O roteiro é bem amarrado e suas reviravoltas prendem o espectador, porém o diretor Niels Arden Oplev peca por não conseguir segurar o ritmo do filme, e há momentos em que a trama fica mais arrastada. Talvez por isso, nas duas sequências suecas (ambas também de 2009), o diretor foi substituído por Daniel Alfredson.

Mas a verdade é que o filme funciona. E é claro, não poderia ter passado desapercebido por Hollywood que já está gravando a sua versão, com Daniel Craig no papel do jornalista, e Rooney Mara (de "
A Rede Social") como a hacker com tatuagem de dragão, justamente o nome que a produção estadunidense leva - "The Girl with the Dragon Tattoo" (que, se não me engano, é o nome do primeiro livro em inglês). No geral, remakes feitos em Hollywood não me agradam e sempre fico com o pé atrás a seu respeito. Porém aqui, há um diferencial, essa versão 'yankee' será dirigida por ninguém menos que David Fincher (de quem sou fã de carteirinha). Talvez seja o filme que vá mudar minhas impressões com relação a regravações… Talvez…

Mas até lá, vale a pena conferir os filmes suecos. Eu já vou me preparar parar assistir as continuações…

Fica a dica!


por Melissa Lipinski

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Envolvente. É o melhor adjetivo para o "Os Homens Que Não Amavam as Mulheres", filme sueco baseado em livro de mesmo nome. Não li o livro, mas achei o filme muito bem construído.

O filme é centrado na investigação do sumiço e provável morte de uma jovem 40 anos atrás. O roteiro é muito bem construído. Entramos com tudo na história, investigando fotos e jornais para descobrir o que pode ter acontecido com a jovem. O filme consegue nos manter "grudados" na tela o tempo inteiro pelo anseio de desvendar o mistério junto com as personagens.

O elenco está muito bem mas quem chama mais a atenção é a Lisbeth (Noomi Rapace). Corpo esquelético, com seu estilo punk, esta personagem é a que nos oferece maior contato com seus anseios e medos, pois temos pouquíssimo contato com o emocional de Blomkvist (Michael Nyqvist).

Por fim, só achei estranho que os três filmes foram lançados em 2009 (os outros são "
A Menina Que Brincava com Fogo" e "A Rainha do Castelo de Ar") E não tão estranho assim é que Hollywood vai regravar o filme com previsão de lançar ainda em 2011. AAAAA, por quê????? A única coisa boa é que o diretor é David Fincher (que já dirigiu "Clube da Luta", "O Curioso Caso de Benjamin Button", "A Rede Social" entre outros).

Recomendo.


por Oscar R. Júnior


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Mary e Max, Uma Amizade Diferente

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Mary e Max, Uma Amizade Diferente (Mary and Max, 2009)

Estreia Oficial: 09 de abril de 2009
Estreia no Brasil: 16 de abril de 2010



Quem disse que animação é feita para crianças? Tá, eu sei que isso é um velho conceito… mas ainda tem gente por aí com esse tipo de preconceito. "Mary e Max", escrito e dirigido por Adam Elliot, é mais uma prova irrefutável de animação feita para gente grande.

Começando por seu visual, que por si só já é depressivo, com sua falta de cores - corroborado com praticamente nenhuma "ação" (no sentido de adrenalina). Mas sem engana quem acha que a falta de cores torna-o pobre visualmente. Muito pelo contrário, os cenários são muito bem feitos, repletos de detalhes - a Austrália de Mary em tons marrons, e a Nova York de Max, em tons de cinza. Os vermelhos são geralmente marcados e pontuam o contraste, mas há também uma ou outra cor que entra em evidência, de acordo com sua importância para a história.

Já os personagens, que muitos podem dizer que são feios, apenas refletem suas dúvidas e dores psicológicas. Mary, uma menina australiana de 8 anos, e Max, um senhor nova yorquino de 44 anos que possui uma deficiência emocional. Nenhum dos dois se encaixa no mundo onde vive, são indivíduos solitários e infelizes, que sempre questionam o mundo à sua volta. E é a partir do improvável encontro desses dois personagens que uma linda história sobre amizade, confiança e companheirismo nasce.

Mas o filme não é só uma bela história contada a partir de feios personagens. É, acima de tudo, uma reflexão sobre o quão insignificantes todos nós somos nesse mundo, ao mesmo tempo em que, cada um de nós, pode ser a coisa mais importante na vida de outra pessoa, é só se ater bem aos detalhes que realmente importam na vida. Além do mais, Elliot traz à tona discussões sobre religião, comportamento, sociedade e sexualidade, da maneira mais improvável: entre diálogos (ou cartas) entre uma menina que não tem amigos e um senhor judeu obeso, com ataques de ansiedade e que aparentemente é 'assexuado'. Mais bizarro impossível. Mais tocante impossível!

Tony Collete faz Mary, e Philip Seymour Hoffman - com uma voz irreconhecível - faz Max. Competentíssimos.

Enfim, falar mais estragaria algumas surpresas do filme. Basta dizer que o longa emociona, tanto em sua pequenas felicidades, como em suas grandes depressões e tristezas.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski
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Com uns 10 minutos de filme a Melissa já tava chorando. "Mary e Max" é um filme bem sensível. Anda forte no drama, na solidão das personagens. É bem envolvente.

Consegue ser ao mesmo tempo inocente e adulto. Incrível. Roteiro muito bem construído.

Sobre a técnica de animação: Impecável. Stop Motion feito com maestria. As cores do mundo da Mary e a falta de cores do mundo do Max contribuem e muito para a história. Junte a isso a dublagem dos excelentes Philip Seymour Hoffman e Toni Collette.

Muito bom mesmo. Recomendo.


por Oscar R. Júnior