quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Homem de Ferro 2

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.


Homem de Ferro 2 (Iron Man 2, 2010)

Estreia oficial: 26 de abril de 2010
Estreia no Brasil: 30 de abril de 2010
IMDb



Novamente, a alma de "Homem de Ferro 2" (assim como no primeiro longa) é Robert Downey Jr., que encarna o milionário Tony Stark na medida certa entre a comédia e ação, a infantilidade e o narcisismo exacerbado, a genialidade e o egoísmo.

Porém, apenas sua presença não consegue segurar o roteiro, que peca principalmente nos momentos em que tenta colocar um peso dramático sobre o personagem. Já quando descamba pro lado irônico e engraçado, o roteiro se sai muito melhor.

Além de Downey Jr., Mickey Rourke também está bem no papel do vilão Ivan Vanko. Mas é Sam Rockwell quem rouba a cena do vilão, interpretando um personagem tão infantil e egocêntrico quanto Tony Stark, sendo um oponente à sua altura. Por outro lado, Gwyneth Paltrow não consegue desenvolver sua Pepper Potts como no longa original, já que o roteiro a coloca para escanteio; e Scarlett Johansson limita-se a desfilar sua beleza e algumas coreografias de luta na tela.

Mas são as sequências de ação que merecem destaque. O diretor Jon Favreau consegue imprimir-lhes um bom ritmo. A cena que se passa em Mônaco, particularmente, e revela o vilão vivido por Rourke é bastante emocionante. Ainda assim, sinto que o filme se estende demais, já que o roteiro, por vezes, parece apenas querer 'encher linguiça'. E, embora as lutas sejam bem coreografadas e dirigidas, confesso que fiquei decepcionada com a rapidez do confronto final.

Enfim, embora não seja tão divertida, tão eficiente e tão charmosa quanto o longa original, essa sequência ainda mantém viva a franquia do Homem de Ferro. (Ainda não foi anunciado um terceiro longa, mas Robert Downey Jr., assim com Scarlett Johansson e Samuel L. Jackson, estarão de volta em "Os Vingadores", filme que fala da liga de super-heróis montada pelo personagem de Jackson, Nick Fury, e que está previsto para 2012).


por Melissa Lipinski

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Vários filmes não são felizes em suas continuações como "Matrix" e "Jurassic Park"; algumas continuações são inúteis como "Debi e Loyd 2" e "O Todo Poderoso 2". E algumas são muito boas, e este é o caso do "Homem de Ferro 2".

O interessante de continuações é que não há mais a necessidade de apresentar o personagem principal. Assim, Tony Stark já é o Homem de Ferro e se gaba disso.

A atuação do Robert Downney Jr. continua impecável. Mickey Rourke etá muito bem também, assim como Gwyneth Paltrow e Scarlett Johansson. Don Cheadle está muito bem introsado e não distoa o personagem do que foi apresentado no primeiro filme (que foi interpretado por Terrence Howard).

Por fim, boas cenas de ação e com efeitos bem feitos e bem utilizados no filme. Vale a pena.


por Oscar R. Júnior


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Homem de Ferro

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Homem de Ferro (Iron Man, 2008)

Estreia Oficial: 30 de abril de 2008
Estreia no Brasil: 30 de abril de 2008
IMDb


 
"Homem de Ferro", como todo primeiro filme de um super-herói, é um filme que mostra como ele 'nasceu'. Aqui, é o milionário mulherengo Tony Stark (Robert Downey Jr.) quem, depois de quase morrer em um atentado no Afeganistão, se transforma no poderoso Homem de Ferro.

Porém, mesmo sendo um longa de apresentação, o filme não perde tempo com explicações desnecessárias, e parte diretamente para a ação, prendendo logo a atenção do espectador. Aliás, as sequências de ação são muito bem dirigidas por Jon Favreau.

O longa acerta também na sua parcela de crítica social, ao enfocar a indústria armamentista e a sua repercusão (claro que não de forma tão contundente como o fez "O Senhor das Armas", 2005).

Mas é claro que o grande destaque deste "Homem de Ferro" é o carisma de seu protagonista. Tony Stark é um gênio. E ele sabe disso. E, assim como todo gênio, é cínico e sarcástico ao extremo. Não bastasse tudo isso, ele sabe usar todo o seu charme de forma a seduzir as mulheres. E Robert Downey Jr. encarna Tony Stark com perfeição.

Além de Downey Jr., Jeff Bridges também está muito bem, como Obadiah Stane, e não se entrega ao óbvio, evitando construir um vilão caricato (tão comum em filmes de super-heróis), ainda que o roteiro peque em não explicar exatamente quais são as motivações que façam o sujeito ter tanta raiva de Stark a ponto de querer eliminá-lo. Já Gwyneth Paltrow consegue a façanha de transformar a sua Pepper Potts em algo mais do que o simples interesse romântico do herói, tornando-a bastante carismática.

E aqui vai uma curiosidade: o computador particular de Tony Stark, Jarvis, que é também seu grande companheiro, é dublado pelo talentoso Paul Bettany, que consegue transmitir humor e irreverência apenas com sua voz.

Enfim, bastante superior a outros filmes de herói que vemos por aí (apenas gosto mais das franquias "Batman" - os do Christopher Nolan; e "X-Men" - exceção feita a "X-Men Origens: Wolverine", de 2009), "Homem de Ferro" é divertido o suficiente, tem ação o suficiente, e um protagonista suficientemente carismático. Uma ótima diversão.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski

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Iron Man, aí está um filme baseado em quadrinhos que eu realmente gostei. Das adaptações da Marvel Comics para o cinema, somente deste "Homem de Ferro" e de "X-Men" que eu gostei. A adaptação do "Homem-Aranha" não chega a me incomodar, mas não me apeteceu.

Robert Downey Jr. está fabuloso nesse papel. Parece que foi feito pra ele. Ele está em casa e sua interação com o resto do elenco é formidável. Obviamente o restante do elenco também está muito bem, com destaque para a Gwyneth Paltrow e para Jeff Bridges.

Muito bom. Recomendo.


por Oscar R. Júnior


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Como Esquecer

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.


Como Esquecer (2010)

Estreia oficial | no Brasil: 15 de outubro de 2010
 
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"Como Esquecer" é uma adaptação de um livro homônimo (escrito por Myriam Campello, o qual não li). Porém, baseando-me no próprio filme, eu diria que o livro é superior a este. Isto porque a diretora Malu de Martino apóia-se veementemente na veia literária - que se dá pelos diálogos literais e narração em off - o que acaba enfraquecendo a obra cinematográfica.

Não que ter diálogos literais seja ruim. No cinema, há exemplos de que isso funciona muito bem. Agora me vêm à lembrança "
Brilho de uma Paixão". Mas aqui, parece que os seis roteiristas (sempre acho que muitos roteiristas juntos acabam prejudicando a história) não souberam confiar muito na interpretação do espectador, e os diálogos parecem explicar tudo o que a personagem está sentindo; fora a narração em off que sempre surge reiterativa e desnecessária. Ou seja, essa repetição de imagem, interpretação e narração esvazia do público qualquer chance de pensar ou sentir aquilo que a protagonista está sentindo. A sensação acaba vindo ao espectador de forma mecânica e falsa.

Não que o filme seja uma perda total. Há bons momentos. Principalmente quando os três atores principais, Ana Paula Arósio (como Júlia), Murilo Rosa (como Hugo) e Natália Lage (como Lisa) conseguem se desprender um pouco do texto e parecem improvisar, mais soltos e à vontade. E isso se dá principalmente a partir da metade do filme quando a personagem Helena (Arieta Correia) entra em cena. Pena que esses momentos sejam poucos e aconteçam tardiamente, quando o espectador já teve uma primeira má impressão.

Além do roteiro equivocado, e opções de direção duvidosas, a fotografia também não ajuda, e parece nunca salientar o que as cenas têm de melhor, ficando sempre aquele luz "de elevador". Sem elegância, sem profundidade, sem dramaticidade.

Há momentos no filme, inclusive, que parecem ser colocados apenas para que este seja considerado mais 'cult', inteligente ou sofisticado, como quando se discute a obra de Virginia Woolf. Não há nenhuma razão para isso, além de ser uma discussão rasa e que não nos acrescenta em nada sobre as personagens.

Particularmente me irritei com o excesso de flashbacks de Júlia. Por mais que esses apareçam de forma interessante, feitos por uma handycam, como se fosse sua companheira quem estivesse gravando, porém sem que esta apareça alguma vez sequer. Isso aguça a imaginação, fazendo-nos supor quem será essa personagem que destruiu com os sentimentos da protagonista. Ao mesmo tempo em que evidencia como a protagonista estava feliz. Porém o recurso é usado à exaustão. E chega uma hora que dá vontade de gritar: "podem parar com os flashbacks, nós já entendemos o seu propósito!!".

Porém, se há um ponto positivo no longa, esse se deve ao fato de nunca encarar a relação homossexual como algo caricato. E, por mais que o personagem de Murilo Rosa no início do filme soe um pouco exagerado, com relação aos relacionamentos não há estereótipos, muito menos panfletarismo. Se há algum mérito da diretora Malu de Martino, pode-se dizer que é esse.


por Melissa Lipinski
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Ok. O que chamou bastante a atenção mas de forma negativa foi a fotografia. Os enquadramentos são muito fracos e executados muito formalmente. Poderia contribuir com o filme mas não o ajudam.

Mesmo contando com bons atores, os personagens não conseguem se desenvolver. O texto não ajuda, a narração em off é totalmente dispensável. Alguns personagens são dispensáveis também, como a personagem da aluna universitária. Ela só soma para a história o fato da personagem da Ana Paula Arósio ser ríspida e insensível.

O que gostei foram alguns momento do filme e a história. A execução achei fraca.

É isso.


por Oscar R. Júnior

 


domingo, 6 de fevereiro de 2011

Lixo Extraordinário

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Lixo Extraordinário (Waste Land, 2010)

Estreia oficial: 24 de janeiro de 2010
Estreia no Brasil: 21 de janeiro de 2011
IMDb



Vik Muniz é, atualmente, talvez o artista plástico brasileiro de maior expressão internacional. Há anos ele é conhecido pelo trabalho que faz transformando lixo em arte. Mas, mesmo conhecendo o seu trabalho, é impressionante o efeito alcançado por este "Lixo Extraordinário", ao mostrar seu processo criativo e seu projeto para trabalhar no Jardim Gramacho (o maior aterro sanitário do mundo), com a ajuda de alguns dos catadores de material reciclável que lá trabalham.

Ao entrar "no mundo" dos catadores, tudo impressiona. A quantidade de lixo, o número de pessoas que trabalham lá, a força de vontade de algumas delas, e, principalmente, a felicidade com que aquelas pessoas parecem ter, mesmo trabalhando ali, em meio à sujeira e ao mau cheiro.

E os personagens escolhidos por Vik Muniz para ajudá-lo em sua obra, e que se tornam os protagonistas do documentário, são pessoas interessantíssimas. É incrível ver Tião, por exemplo, o líder do sindicato dos catadores, discutindo Maquiavel. Ou um senhor de idade que trabalha catando lixo há mais de 20 anos e que tem pensamentos de extrema importância com relação a conscientizar as pessoas a reciclarem o lixo.

Mas, para mim, o mais extraordinário do filme, é o projeto de Vik Muniz. Até mais da metade do filme, ainda nós espectadores (assim como os trabalhadores do Jardim Gramacho) não temos noção do tamanho da obra que Muniz pretendia realizar. E, quando finalmente, conseguimos vê-la pela primeira vez, o efeito é emocionante. Não só pela beleza da obra em si (o que já seria suficiente). Mas porque naquele instante, tomamos consciência de que seu projeto mudará a vida de todos os seus participantes.

E a felicidade que os co-autores das obras sentem ao vê-las é algo que vai ficar na minha memória por muito tempo. Marcante. Não tem como não se emocionar com a reação de cada um deles ao receber uma cópia do quadro que contém a sua própria imagem. Como ficar indiferente ao ouvir a Irmã falar que foi através daquele quadro que ela "ficou famosa no mundo inteiro"? E assim, tanto catadores quanto espectadores descobrem que o projeto mudará a vida deles para sempre.

E é bom ver que os realizadores desse documentário tinham essa preocupação. Vê-los discutindo sobre como afetarão a vida dessas pessoas e o que podem fazer para ajudá-las dá o toque de importância social que o documentário carrega. O que Vik Muniz (e imagino que o restante dos realizadores também) não imaginava é que essas pessoas (e o projeto) iria mudar profundamente também a sua vida.

Finalmente, a diretora Lucy Walker (co-dirigida pelo brasileiro João Jardim) juntamente com seu diretor de fotografia, Dudu Miranda, captam imagens de incrível beleza dentro de um local que só nos evoca sujeira. Incrível.

Enfim, o documentário é tocante e impressionante. Basta dizer que só as fotografias que Vik Muniz tira dos catadores de material reciclável já são belíssimas. O que falar então das obras feitas sobre essas imagens com o 'lixo'?

Fica a dica!


por Melissa Lipinski
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Não sei como descrever o que gostei no documentário. Achei muito interessante nos ser apresentado à proposta inicial de Vik Muniz e Fábio, e como eles a alteram bastante quando se deparam com as pessoas do Jardim Gramacho. Antes pensavam ser pessoas que estão nesta situação e seriam infelizes, mas perceberam que as pessoas são felizes. São felizes mesmo estando em um lixão, separando lixo que a população enviou misturado. Incrível.

Recomendo também assistir ao documentário "Estamira" (2004), de Marcos Prado. Muito bom também e nos revela uma senhora que vive em um lixão e não vê nenhum motivo para sair de lá.

Ambos são muito bons. Espero que este "Lixo Extraordinário" tenha sucesso também no Oscar 2011, no qual está concorrendo.


por Oscar
R. Júnior


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Incontrolável

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Incontrolável (Unstoppable, 2010)

Estreia oficial: 10 de novembro de 2010
Estreia no Brasil: 7 de janeiro de 2011
IMDb


 
Tenho que admitir que não sou fã de Tony Scott. Geralmente acho seus trabalhos rasos, onde só a ação em si é o que importa, sem maiores cuidados para desenvolver personagens. E isso vem desde "Top Gun - Ases Indomáveis" (1986), passando pelos descartáveis "Dias de Trovão" (1990), "Revenge - A Vingança" (1990), "Amor à Queima Roupa" (1993) e "O Sequestro do Metrô 123" (2009) e pelos fracos "Maré Vermelha" (1995) e "Inimigo do Estado" (1998). Somente três de seus trabalhos merecem algum destaque: a estética crua e o roteiro forte de "Chamas da Vingança" (2004), o surpreendente "Déjà Vu" (2006), e (para mim) o melhor de seus longas, o inteligente "Jogo de Espiões" (2001).

Devo dizer que, apesar de eficiente e bem realizado, esse "Incontrolável" não foge à regra da maioria de seus longas, e a ação é o ponto forte do filme. É também a quinta parceria do diretor inglês com Denzel Washington, o que é uma marca considerável.

Assim como em "Inimigo do Estado" e "O Sequestro do Metrô 123", os heróis de Tony Scott não são homens da lei ou da justiça, mas homens 'comuns', do povo, trabalhadores de uma sociedade que talvez já esteja saturada pelos ditos 'super-heróis' e que precisa ver que qualquer um pode salvar o dia, a sua cidade ou o seu país.

Quase como resgatando os filmes catástrofes que faziam sucesso nos idos anos 70 e 80, Scott volta a tratar de um desastre em proporções menores se comparado com os filmes megalomaníacos de hoje em dia, que sempre têm como resultado da destruição iminente, o planeta ou até mesmo o universo. Tony Scott prefere enfocar um trem que, desgovernado em alta velocidade, pode-se chocar com uma cidade do interior dos EUA. Como em alguns de seus vagões transporta um conteúdo tóxico e inflamável, o choque do trem pode destruir toda a cidade.

Mas a história não é o que realmente importa aqui, já que seus personagens e situações soam forçados e caricatos. Mas é a ação quem domina e prevalece. E é ela quem faz com que o espectador fique grudado na cadeira durante toda a duração do filme para ver como vai se resolver essa história.

E Tony Scott sabe como filmar cenas de ação. Elas são realmente bem dirigidas e editadas. Os enquadramentos parecem nos colocar praticamente dentro da ação. Particularmente não gosto dos efeitos 'plásticos' que o diretor emprega (em abundância), como a câmera rápida estilizada nos finais de algumas sequências, apenas para potencializar a sensação de perigo, mas é uma questão estética do diretor. Os efeitos visuais também são muito bons.

E é engraçado notar que, dentre uma frota de trens toda em azul e amarelo, o único com a cor vermelha (sangue) é justamente o trem 777, que está desgovernado. Detalhes da direção de arte. Fico aqui imaginando se o número do trem não tem alguma ligação com 666... Será que o diretor (ou o roteirista Mark Bomback) não quis, a princípio, colocar o número 'do demônio' no trem até que alguém disse que seria forçar muito a barra e então ele alterou para 777? Estou apenas conjecturando...

Enfim, pra quem gosta de ação eletrizante, e o que é melhor, que não ofenda nossos neurônios, "Incontrolável" é uma boa pedida.


por Melissa Lipinski

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Há meses atrás assisti a um filme chamado "O Sequestro do Metrô 123". Uma porcaria feia mesmo que é do mesmo diretor (Tony Scott). Logo devo admitir que tinha um preconceito enorme para com esse "Incontrolável", sendo que no filme do metrô, Denzel Washington interpreta um controlador de tráfego. Nesse ele faz um condutor de trens. Tive que vencer meus pensamentos pré-concebidos e sentar para assisti-lo.

Preciso fazer uma ressalva ao diretor Tony Scott. Ele já fez filmes que gostei como "Um Tira da Pesada II" e "Deja Vu" . Em compensação já dirigiu alguns detestáveis como "Top Gun - Ases Indomáveis" e o "O Sequestro do Metrô 123".

Já no "Incontrolável" ele acertou. O filme cumpre bem a função e nos entretêm sem agredir nossa inteligência. Tem boas atuações e personagens dignamente contruídos. Tem, obviamente, cena de explosão, vida por um fio e tudo o que um filme de quase catastrofe pode oferecer. Simples assim.


por Oscar R. Júnior


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Namorados Para Sempre

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Namorados Para Sempre (Blue Valentine, 2010)

Estreia oficial: 27 de dezembro de 2010
Estreia no Brasil: sem data prevista
IMDb



"Namorados Para Sempre" (infeliz tradução para o português de "Blue Valentine"), escrito e dirigido por Derek Cianfrance, é um olhar devastador - e deprimente - sobre o nascimento e a decadência de um relacionamento amoroso.

E são nos pequenos detalhes que o longa ganha qualidade. Detalhes de caracterização. Detalhes de atuação. Detalhes nos diálogos. Tudo junto que transforma um simples drama num filme contundente e lancinante.

Ryan Gosling e Michelle Williams são Dean e Cindy. Logo no começo de seu casamento, nasce sua filha Frankie (Faith Wladyka). E o filme vai nos mostrando, intercaladamente, como os dois se conheceram e se apaixonaram, e como transformaram o casamento em um mar de palavras não ditas e sentimentos não demonstrados.

A maquiagem é muito bem feita e, juntamente com o trabalho dos atores, convence o espectador de que está realmente vendo aquelas duas pessoas em duas épocas diferentes da vida. A primeira cheia de sonhos e possibilidades. A segunda, repleta de amargura e ressentimento.

E é incrível a atuação do casal principal. Chega a dar raiva da inércia que Dean e Cindy deixaram se apossar de seu casamento. Se Dean a princípio achava que o casamento seria seu porto seguro, Cindy o viu como uma forma de se aventurar para fora da sua própria vida e família desestruturada. Nenhum dos dois alcançou o que buscava. E é triste perceber como a relação dos dois vai se deteriorando.

É como se o diretor não seguisse a ordem cronológica dos fatos para, exatamente, nos mostrar aonde eles erraram. Felizmente (para nós espectadores, e infelizmente para os protagonistas), as respostas não são fáceis nem estão explícitas. Talvez nem haja uma só resposta...

Enfim, "Namorados Para Sempre" não é uma história 'bonitinha', é sobre a exaustão da esperança, da morte interior de cada parte daquele casal.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski

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A dupla principal do filme (Ryan Gosling e Michelle Williams) está muito bem. Parece um romance que anda mal das pernas e ficamos sambando de um lado pra outro pensando em qual dos dois personagens nos apoiamos. No grosseiro e imprevisível Dean. Ou na gélida e insossa Cindy.

Gostei também da montagem. Muito bem executada e totalmente auxiliada pela maquiagem para que consigamos diferenciar o que é "atual" do que é "passado". Na verdade a maquiagem fez um belíssimo trabalho fazendo com que Ryan Gosling tenha uma calvície incrível. Muito bom, mas só percebe-se no filme pois no trailer não tem nenhuma cena dessa.

É isso.


por Oscar R. Júnior


 

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Scott Pilgrim Contra o Mundo

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Scott Pilgrim Contra o Mundo (Scott Pilgrim vs. the World, 2010)

Estreia oficial: 13 de agosto de 2010
Estreia no Brasil: 5 de novembro de 2010
IMDb



"Scott Pilgrim Contra o Mundo" é um filme de nerd para nerds. Explico. Baseado numa graphic novel (que não conheço), o filme tem uma estética que muitas vezes lembra bastante quadrinhos. Porém, na grande maioria do filme, ele parece bem mais um videogame. Quadrinhos e videogames… Poderia ser mais nerd?

Sim! É só ver seu protagonista. Interpretado por Michael Cera (que vem se especializando em 'tipos nerds'), Scott Pilgrim é o nerd que todo nerd gostaria de ser. Ele toca em uma banda de garagem (e aparentemente é um ótimo baixista) e (pasmem!) é muito bom com as mulheres. Mesmo estando se recuperando de um 'pé na bunda', o rapaz conta com várias ex-namoradas.

A história tem início quando Scott conhece e se apaixona por Ramona Flowers (Mary Elizabeth Winstead), termina seu namoro com Knives Chau (Ellen Wong), e, para continuar o relacionamento com Ramona, tem que enfrentar uma liga composta por seus sete ex-namorados.

O que chama a atenção no filme é, sobretudo, a sua estética. O diretor Edgar Wright (do ótimo e hilário "Todo Mundo Quase Morto", 2004) opta por retratar a cidade onde se passa a história (Toronto, Canadá) de forma realista, quase deprimente, com suas cores frias decorrentes de um inverno nevoso, porém, isso serve de contraponto para os personagens fantásticos, coloridos e cheios de super poderes; onomatopéias que aparecem sobre as imagens ou letreiros que dão características-chave dos personagens quando estes aparecem pela primeira vez (o que lembra em muito os quadrinhos); ou outros grafismos como os pontos ganhos depois de uma batalha, ou os rastros deixados pelos movimentos durante as brigas (que lembram videogames).

Aliás, a edição do longa é um charme à parte, e vejo que a grande injustiça do
Oscar deste ano foi não ter incluído Jonathan Amos e Paul Machliss entre seus indicados. Eles mereciam. Além do ritmo super ágil, as telas divididas e os letreiros que remetem à passagem de tempo lembram novamente os quadrinhos. Mas não pára por aí, e a sacada genial da edição vem através de raccords de movimentos interessantes entre as cenas, quando os personagens estão em certa posição num ambiente e (com um corte invisível) aparecem na mesma posição em um lugar diferente, dando uma fluidez incrível à narrativa. E também os cortes inusitados, que ajudam a contar uma piada, "arrumando" o personagem que está sendo 'zoado', como por exemplo, quando fazem piada com o cabelo de Scott: simplesmente há um corte e o personagem aparece usando um boné para esconder seu cabelo arrepiado.

Outro fato interessante do roteiro (escrito pelo próprio Wright em parceria com Michael Bacall) é a sua metalinguagem. Embora os personagens não tenham consciência de aparentemente viverem em um videogame, também não se espantam pelo fato que, de uma hora para a outra, surjam elementos fantásticos ao seu redor, como uma espada que é tirada do próprio tórax de um personagem, como bônus de uma luta, ou o fato de outra personagem sempre aparecer com uma tarja na boca quando fala palavras mais pesadas.

A fotografia de Bill Pope é belíssima, e também nos remete a quadrinhos, com enquadramentos estáticos e que, em alguns momentos, chegam a remeter ao preto-e-branco (como no belíssimo plongée de um balanço na neve). Já em outros momentos, seus movimentos de câmera (principalmente nas cenas de brigas) nos remetem aos videogames de lutas.

A direção de arte também é ótima, e os ambiente externos frios e monocromáticos dão o contraponto ideal aos interiores super coloridos, criando uma dualidade que corrobora com a história, e que, mais uma vez lembra tanto quadrinhos e jogos de videogames, onde há sempre o bem contra o mal.

Da mesma forma, aqui, Scott tem que lutar contra os malvados ex-namorados de sua namorada. Mas o roteiro não se prende no dualismo e vai mais fundo do que isso, explorando os estereótipos de forma contundente (e até mesmo crítica) para transmitir algo mais. Aliás, é engraçado ver dois 'tipos nerds', magricelas e longe do padrão de beleza tão divulgado por Hollywood - Michael Cera e Jason Schwartzman, se enfrentando como se fossem super-herói contra super-vilão.

Mas como eu falei, é um filme de nerd para nerd. Porém, acho que não só os nerds vão curtir...

Fica a dica!


por Melissa Lipinski