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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull, 2008)

Estreia oficial: 21 de maio de 2008
Estreia no Brasil: 21 de maio de 2008
IMDb



O arqueólogo Henry Jones Junior (ou Indiana Jones como ele mesmo preferia ser chamado) marcou a década de 1980 com sua sede de aventura, buscando e preservando objetos históricos e míticos, com seu jeito cínico e divertido, mas acima de tudo, humano - e suas interações com seus companheiros em cada episódio da série serviram, entre outras coisas, para humanizar o protagonista, seja com sua ex-namorada Marion (Karen Allen), com seu pequeno ajudante Short Round (Jonathan Ke Quan) e, obviamente, com seu carismático pai (Sean Connery).

É um pena, portanto, que Steven Spielberg e George Lucas resolveram desenterrar o herói para mais uma aventura, 'maculando' a imagem que tínhamos dele, e fazendo com que a qualidade da série desabasse.

Tendo que preencher a falta de personagens importantes da série, como o professor Henry Jones (Connery, que não aceitou participar do projeto), o grande amigo e colega da Universidade, Marcus Brody (Denholm Elliot, falecido em 1992), e o amigo de aventuras Sallah (John Rhys-Davies, que pediu um cachê muito alto), o roteirista David Koepp (partindo de uma ideia de Lucas e Jeff Nathanson) foi obrigado a incluir novos personagens, que, nem de longe alcançam o carisma e a profundidade dos três citados; como o novo parceiro de Indiana, o extremamente mal desenvolvido Mac (Ray Winstone); ou o reitor da Universidade vivido por Jim Broadbent, que até mostra-se competente (com seu habitual talento), mas que aparece tão pouco que não dá tempo de evoluir; ou o pior de todos, o professor Oxley, vivido por John Hurt de maneira vazia já que seu personagem é deixado em transe (literalmente) durante a maior parte do filme.

A ideia de trazer um jovem entusiasmado, Mutt (Shia LaBeouf), fazendo o contraponto ao já envelhecido arqueológo foi, inegavelmente, uma boa ideia, já que poderia recriar a dinâmica entre Indy e seu pai vista em "A Última Cruzada", e há cenas em que os autores tentam voltar a isso. Porém não conseguem fazer com que a interação soe verdadeira e fluida como na do longa anterior, e acaba parecendo forçada (ainda que engraçada, principalmente para os fãs mais antigos do herói de chapéu de feltro e chicote). A volta de Marion à série também parece forçar a barra, assim como a tentaiva (fracassada) de retomar a antiga química entre ela e o herói: seus desentendimentos e entendimentos soam sempre falsos e pouco inspirados, movidos por motivos fracos.

Mas o grande erro de composição dos personagens reside mesmo em como retrataram o próprio Indiana Jones. Parecendo um infalível super-herói, Indy (apesar de ainda tomar decisões equivocadas) jamais aparenta estar realmente em perigo, jogando fora um dos pontos mais fortes da antiga trilogia - o fato dele ser um 'homem comum' que passa por situações extraordinárias. E, se antes o próprio herói espantavasse com a própria sorte, agora parece ciente de sua invulnerabilidade.

Entretanto Harrison Ford continua vivendo-o de forma impecável, com seu charme e carisma habituais. Como conter um sorriso ao ver o próprio Indiana sorrindo cinicamente quando a vilã Irina Spalko tenta ler sua mente? Ele sabe que ela jamais conseguirá, sua mente é confusa, intrincada demais. Nós também sabemos disso. E Irina descobre, constatando o óbvio.

O que me leva a falar exatamente dela, a vilã interpretada por Cate Banchett. Sem sombra de dúvidas é a pior antagonista de toda a saga (senão a pior) e uma das piores atuações da atriz, que deixa seu terrível sotaque ser a sua única composição.

Quanto ao roteiro propriamente dito, não sei dizer se Spielberg opinou na sua confecção, mas chega a ser engraçado (e mal desenvolvido, diga-se de passagem) que o seu tema preferido - alienígenas - esteja agora presente numa aventura de seu maior herói. Aliás, a história funciona até o momento em que a trupe liderada por Jones chega à selva Amazônica, a partir daí, passa a ser uma sequência de situações mal desenvolvidas que culmina num final igualmente patético.

Quanto às cenas de ação - tão bem dirigidas por Spielberg nos longas anteriores, como a perseguição dos caminhões nazistas em "Os Caçadores da Arca Perdida", ou a corrida de carrinhos de mina em "O Templo da Perdição", ou a briga sobre o tanque nazista em "A Última Cruzada" - são extremamente aborrecidas e sem criatividade, com exceção de uma perseguição de moto que acontece logo no início do filme, fazendo com que o espectador apenas fique na esperança de uma boa dose de adrenalina, que nunca se concretiza.

Mas nenhum desse equívocos seria incontornável se realmente acreditássemos na história que estamos vendo, o que não acontece em nenhum momento, em parte devido ao uso indiscriminado da computação gráfica, que desumaniza as cenas. Assim, quando vemos Mutt locomovendo-se por cipós acompanhado de macacos digitais, rimos de vergonha; ou quando vemos formigas gigantes que devoram tudo e todos que vêem pela frente, ficamos impassíveis, sem sentir ao menos um arrepio (eu particularmente senti raiva), diferentemente do que acontecia em "O Templo da Perdição", quando víamos gigantes e asquerosos insetos subindo pelo corpo de Willie (Kate Capshaw), e nos sentíamos tão angustiados quanto a personagem, justamente por acreditar no que estávamos vendo.

Porém, o longa tem seus bons momentos - e todos são 'resquícios' da trilogia inicial: como o logo da Paramount fundindo-se em uma imagem real (agora com um tom mais bem humorado), ou a linha vermelha que aparece sobre um mapa, mostrando o trajeto aéreo do personagem. Mas principalmente na fotografia de Janusz Kaminski (e que acompanha Spielberg em todos os seus longas desde "A Lista de Schindler", de 1993), e que mantém a estética criada por Douglas Slocombe, com suas silhuetas demarcadas em sombra (a primeira vez que o herói surge, aqui, é extremamente inspirada e saudosista), e com o tom sépia que domina a saga, dando-lhe um tom clássico e realmente elegante. Isso sem falar na trilha musical mais do que consagrada de John Williams.

Enfim, "O Reino da Caveira de Cristal" acaba deixando um tom amargo na boca dos fãs mais ardorosos desse herói que marcou a infância de muita gente (e aí me incluo). Seria melhor tê-lo conservado apenas como uma boa memória do que atualizá-lo de forma decepcionante.


por Melissa Lipinski
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Minha pontuação para este filme se deve ao fato do filme em si, porque se fosse pelo conjunto ele ia ser pior ainda por 'sujar' a saga "Indiana Jones". Na verdade ele não estraga pois considero Indiana Jones como uma trilogia. Sim, eu desprezo este episódio. Mas vamos lá.

Interessante o Indiana Jones ser apresentado por sua sombra. Legal ele ainda usar o chicote para se livrar dos soviéticos. Mas agora ele sobreviver a um teste nuclear por estar dentro de uma geladeira? Um pouco demais. Assim como aquele papo do Indiana Jones e o seu amigo George "Mac" McHale (Ray Winstone). Mac é um agente duplo, ou triplo, ou quádruplo... Um negócio confuso, só serve para tentar (eu disse, tentar) despistar um roteiro mal feito. Mas até aí vai.

O que não rola são as cenas de perseguição requentadas de outros filmes. Como assim? Praticamente refazem algumas sequências só que agora algumas são com Harrison Ford e outras com o Shia LaBeouf. E convenhamos, na primeira cena em que este aparece. já sabemos qual a relação dele com o Indiana.

Mas o que mais me estarreceu no filme é a relação com os extraterrestres. Puxa vida, depois de todo o trabalho com a tal caveira de cristal simplesmente os ETs ligarem as turbinas e irem embora? O que é isso? E quando você pensa que não podia terminar, o filme termina com um casamento! Que triste!

Decepcionante.


por Oscar R. Júnior


terça-feira, 13 de setembro de 2011

Ghost Town - Um Espírito Atrás de Mim

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Ghost Town - Um Espírito Atrás de Mim (Ghost Town, 2008)

Estreia oficial: 19 de setembro de 2008
Estreia no Brasil: lançado diretamente em DVD
IMDb



"Ghost Town" é um daqueles filmes esquecíveis. Uma história bobinha de redenção e auto-conhecimento do protagonista, com aquela irritante mensagem positiva no final. Enfim, mais do mesmo.

O roteiro não foge a essa regra, e traz espíritos presos à Terra por ainda terem assuntos pendentes por aqui. O dentista Pincus (Ricky Gervais), depois de passar por uma experiência de quase morte, começa a ver estes espíritos, que insistem em serem ajudados. Entre eles, está Frank (Greg Kinnear), que pede auxílio para separar sua viúva Gwen (Téa Leoni) de um advogado com quem ela vai se casar. Assim, Pincus e Gwen, que são vizinhos, começam um relacionamento que não vai tardar em passar da amizade para algo mais. Previsível e meloso.

O grande problema do longa é que seus roteiristas (John Kamps e David Koepp, este último também o diretor) tratam-no como uma comédia romântica, seguindo todas as regras do manual do gênero, desperdiçando o que o filme tem de melhor, o humor ácido e irônico de Ricky Gervais.

Sim, o comediante consegue transformar algumas situações clichês em cenas engraçadas, mas o roteiro não o ajuda, e logo a história despenca para o romance água-com-açúcar e forçado entre Pincus e Gwen. Os melhores momentos são aqueles em que os fantasmas tentam convercer o dentista a ajudá-los, ou as cenas que mostram a personalidade grosseira, cínica e anti-social do protagonista. Nelas o filme ganha em humor e qualidade. Mas, quando volta-se para o romance, desperdiça os bons momentos que havia criado, e nem o carisma de Greg Kinnear é suficiente para reverter a situação.

Para piorar, a transformação que o personagem de Gervais sofre é tão descabida e inverossímel que fica difícil embarcar na trama, por mais que seja uma comédia romântica. E, ao final, quando o filme dá o seu último suspiro, e você até pensa que o desfecho vai te surpreender; ele serve apenas para reafirmar a previsibilidade do roteiro.

Enfim, poderia resumir este filme como o desperdício de bons talentos, tanto o de Greg Kinnear como o do cômico Ricky Gervais.


por Melissa Lipinski


domingo, 3 de julho de 2011

Rebobine, Por Favor

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Rebobine, Por Favor - Uma Locadora Muito Louca (Be Kind, Rewind, 2008)

Estreia oficial: 22 de fevereiro de 2008
Estreia no Brasil: 30 de janeiro de 2009
IMDb



Michel Gondry é um cineasta conhecido pela sua inovação e criatividade. Desde os videoclipes que dirigiu até seus longas, as dificuldades técnicas nunca foram problemas para o diretor, que, chegou a criar efeitos visuais com fotografias, ou ainda contornar o uso de efeitos digitais construindo cenários que suprissem o seu uso. Neste aspecto, pode-se dizer que este "Rebobine, Por Favor" tem um quê de auto-biográfico.

Dirigindo pela primeira vez uma história de sua autoria exclusiva ("Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças", de 2004, foi co-escrito com Charlie Kaufman; e "Natureza Quase Humana", de 2001, escrito apenas por Kaufman), o roteiro gira em torno de dois amigos, Mike (Mos Def) e Jerry (Jack Black), que decidem recriar grandes obras cinematográficas hollywoodianas depois que Jerry sofre um acidente e desmagnetiza todas as fitas VHS da locadora onde Mike trabalha. Locadora esta cujo dono, Elroy Fletcher (Danny Glover), está prestes a ser despejado para que haja a modernização do prédio. Assim, quando os filmes "suecados" (como chamam as fitas que Mike e Jerry regravam) começam a fazer um enorme sucesso, surge um última oportunidade de salvar o empreendimento do Sr. Fletcher.

E é nas regravações das superproduções do cinema estadunidense que o filme ganha o seu charme. "Conduzindo Miss Daisy", "2001 - Uma Odisséia no Espaço", "Caça-Fantasmas", "A Hora do Rush 2", "O Rei Leão", "Os Donos da Rua", "King Kong", "Carrie - A Estranha", "Robocop", "Rocky"… A lista de filmes suecados é longa. E é justamente quando Gondry, emulando um único plano sequência, mostra uma série de filmes "suecados" sendo gravados, a cena mais bela do longa. A nostalgia é inevitável.

Por vezes uma clara homenagem aos longas recriados, por outras incluindo certa crítica àquelas produções, "Rebobine, Por Favor" é uma clara alusão ao processo de produção de filmes. Gondry, através de Mike e Jerry, vai revelando (mesmo que de forma artesanal e sem que os personagens saibam o porquê estão utilizando determinados recursos) métodos e técnicas de realização. Como na cena onde, depois de gravar vários depoimentos em fitas K7 que servirão como base de um pseudo-documentário, os protagonistas espalham estas fitas sobre uma mesa e, a partir delas, determinam a ordem das cenas do filme que estão prestes a realizar; mesmo artifício que muitos roteiristas fazem ao escrever, porém em vez das fitas, utilizam cartelas.

Mas como falei, Gondry não apenas homenageia o cinema, também o critica. E sua crítica vai além, pois alfineta a produção contemporânea de filmes não pelo viés do lugar comum, criticando a indústria (não que esta saia ilesa da crítica). O seu olhar volta-se para o público consumidor, que é quem procura por filmes descerebrados, levando à massiva produção destes.

Enfim, "Rebobine, Por Favor" é engraçado quando volta-se para a produção caseira dos filmes "suecados" de Mike e Jerry, e tocante quando torna-se uma bela homenagem (sem perder a visão crítica) ao Cinema.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski


domingo, 26 de junho de 2011

Tokyo!

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Tokyo! (Tokyo!, 2008)

Estreia oficial: 16 de agosto de 2008
Estreia no Brasil: 13 de novembro de 2009
IMDb



"Tokyo!" vem na onda dos filmes que tendem a homenagear as cidades-título. Aqui, a ideia era que três diretores (não japoneses) tecessem suas impressões sobre a capital japonesa. Michael Gondry, Leos Carax e Joon-Ho Bong mostram episódios que, por mais dissonantes que possam parecer, acabam mostrando o quão hipócrita, incompreensiva ou opressiva é a sociedade moderna.

Em "Interior Design", conseguimos ver a marca de seu realizador, Michel Gondry. Uma história com ares realistas mas que acaba mostrando-se uma fábula fantasiosa, com uma sutil crítica à sociedade. E a objetificação da personagem é uma clara alegoria daquilo que acontece aos habitantes das grandes metrópoles.

No segmento "Merde", de Carax, um monstro que habita os esgotos da capital nipônica começa a aterrorizar a população quando vai à superfície. Certamente, dos três médias-metragens, é o mais escancaradamente crítico. Carax não poupa "meias-palavras" para alfinetar o abuso das tecnologias (afinal, o Japão é o berço de todos os avanços nesta área), a antiga relação do país com os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, a corrupção do governo... São críticas e mais críticas, desde estas mais escancaradas às mais sutis, relacionadas ao comportamento humano. O personagem Merde, brilhantemente interpretado por Denis Lavant, é um monstro, uma ameaça, mas, simultaneamente, uma cria da própria sociedade.

O último episódio, o mais intimista, "Shaking Tokio", de Bong, conta a história de um hikikomori, designação para um fenômeno social moderno no qual as pessoas isolam-se em suas casas, evitando qualquer relação com outros seres humanos. A sensibilidade do diretor e a belíssima fotografia fazem deste o segmento mais 'palatável' dentre os três. Os silêncios orquestrados por Bong dizem bem mais do que seus diálogos, e a atuação contida de Teruyuki Kagawa é perfeita.

Enfim, "Tokyo!" é uma mistura de estilos de três diretores que olham com um olhar mais crítico do que condescendente, não para a capital japonesa propriamente dita, mas para a sociedade moderna captalista. Porém, sem perder a sensibilidade e a poesia jamais!

Fica a dica!


por Melissa Lipinski


   

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Homem de Ferro

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Homem de Ferro (Iron Man, 2008)

Estreia Oficial: 30 de abril de 2008
Estreia no Brasil: 30 de abril de 2008
IMDb


 
"Homem de Ferro", como todo primeiro filme de um super-herói, é um filme que mostra como ele 'nasceu'. Aqui, é o milionário mulherengo Tony Stark (Robert Downey Jr.) quem, depois de quase morrer em um atentado no Afeganistão, se transforma no poderoso Homem de Ferro.

Porém, mesmo sendo um longa de apresentação, o filme não perde tempo com explicações desnecessárias, e parte diretamente para a ação, prendendo logo a atenção do espectador. Aliás, as sequências de ação são muito bem dirigidas por Jon Favreau.

O longa acerta também na sua parcela de crítica social, ao enfocar a indústria armamentista e a sua repercusão (claro que não de forma tão contundente como o fez "O Senhor das Armas", 2005).

Mas é claro que o grande destaque deste "Homem de Ferro" é o carisma de seu protagonista. Tony Stark é um gênio. E ele sabe disso. E, assim como todo gênio, é cínico e sarcástico ao extremo. Não bastasse tudo isso, ele sabe usar todo o seu charme de forma a seduzir as mulheres. E Robert Downey Jr. encarna Tony Stark com perfeição.

Além de Downey Jr., Jeff Bridges também está muito bem, como Obadiah Stane, e não se entrega ao óbvio, evitando construir um vilão caricato (tão comum em filmes de super-heróis), ainda que o roteiro peque em não explicar exatamente quais são as motivações que façam o sujeito ter tanta raiva de Stark a ponto de querer eliminá-lo. Já Gwyneth Paltrow consegue a façanha de transformar a sua Pepper Potts em algo mais do que o simples interesse romântico do herói, tornando-a bastante carismática.

E aqui vai uma curiosidade: o computador particular de Tony Stark, Jarvis, que é também seu grande companheiro, é dublado pelo talentoso Paul Bettany, que consegue transmitir humor e irreverência apenas com sua voz.

Enfim, bastante superior a outros filmes de herói que vemos por aí (apenas gosto mais das franquias "Batman" - os do Christopher Nolan; e "X-Men" - exceção feita a "X-Men Origens: Wolverine", de 2009), "Homem de Ferro" é divertido o suficiente, tem ação o suficiente, e um protagonista suficientemente carismático. Uma ótima diversão.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski

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Iron Man, aí está um filme baseado em quadrinhos que eu realmente gostei. Das adaptações da Marvel Comics para o cinema, somente deste "Homem de Ferro" e de "X-Men" que eu gostei. A adaptação do "Homem-Aranha" não chega a me incomodar, mas não me apeteceu.

Robert Downey Jr. está fabuloso nesse papel. Parece que foi feito pra ele. Ele está em casa e sua interação com o resto do elenco é formidável. Obviamente o restante do elenco também está muito bem, com destaque para a Gwyneth Paltrow e para Jeff Bridges.

Muito bom. Recomendo.


por Oscar R. Júnior


segunda-feira, 1 de março de 2010

Paris 36

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Paris 36 (Faubourg 36, 2008)

Estreia Oficial: 24 de setembro de 2008
Estreia no Brasil: sem data prevista
IMDb



"Paris 36" não traz nada de novo: parece que você já viu este filme, que fala principalmente de amor numa trupe de teatro de vaudeville.

Ambientada numa Paris pré-Segunda Guerra Mundial, onde a classe operária começava a se sindicalizar, a história poderia muito bem se passar em qualquer outro momento, pois esse pano de fundo histórico que o roteiro incorpora, em nada muda o curso da trama, que se foca inteiramente nas relações de amizade dos membros do teatro e no amor... principalmente no amor pelo teatro. É mais ou menos aquela história do "o show não pode parar".

Não que a história não cative, pois a verdade é que você fica entretido, apesar de o filme ser um pouco longo demais. Mas há coisas que não dá pra entender, por exemplo: por que contar a história em flashback? Isso só faz com que um bom momento que poderia ser de tensão (olha o spolier! Aquele em que o protagonista Pigoil tenta se matar) seja eclipsado - já que sabemos que este não irá morrer, visto que é ele quem conta a história para um inspetor de polícia no momento em que é preso por ter cometido um crime. Por que não contar de forma linear? Para tentar inovar? Mas já faz um bom tempo que histórias contadas em flashbacks não são inovação... Mas enfim, há deslizes no roteiro sim, mas as cenas de música são tão singelas e emocionantes que acabamos nos envolvento com a história.

Destaque nas atuações ficam por parte de Gérard Jugnot, que faz Pigoil (eu já tinha gostado do ator em "A Voz do Coração", de 2004), e Nora Arnezeder, que interpreta a jovem cantora Douce, que encanta a cada nova canção que entoa.

A música indicada ao Oscar, "Loin de Paname", cantada por Arnezeder, é muito delicada e empolgante, e faz com que, ao final do filme, fiquemos com vontade de correr para ouvir mais uma vez toda a sua trilha musical.

Enfim, é um bom divertimento. Não chega a ser marcante ou inesquecível. Mas vale a pena dar uma conferida, ainda mais se você for fã de uma boa música francesa.


por Melissa Lipinski


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Il Divo

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Il Divo (Il Divo, 2008)

Estreia Oficial: 28 de maio de 2008
Estreia no Brasil: só em festivais por enquanto


Aqui a história contada é sobre a carreira política de Giulio Andreotti, um dos políticos italianos mais conhecidos mundo afora, e que foi sete vezes primeiro-ministro daquele país.

O roteiro é um misto de admiração e horror pelos feitos de Andreotti. Suas articulações políticas, sua ligação com o clero, com grandes empresários, e inclusive com a máfia, e as consequências de suas ações e palavras (como alguns assassinatos) são aqui demonstrados de forma clara e crítica.

Porém não tão clara assim é a aparição de tantos personagens na tela... é muito confuso. É um entra e sai de gente desconhecida, que não se consegue identificar muito bem quem é quem nessa dança de poder e corrupção que o filme aborda.

Junto a isso, uma trilha sonora inusitada - não diria ruim, mas diferente - dá um tom moderno à essa biografia. Não conheço muito bem a história de Andreotti, mas há aqui, visivelmente, muitas licenças poéticas, o que acaba tornando o personagem e sua história muito mais cinematográfica.

A maquiagem (indicada ao Oscar) é muito boa, e transforma o ator Toni Servillo (que também atua em "Gomorra", outro bom filme italiano) em Andreotti, que é quase uma caricatura viva, com sua cara enrugada e suas orelhas de abano. E pesquisando na internet, é incrível a semelhança que conseguiram.

Enfim, vale a pena conferir. Se você entender um pouco mais sobre a história recente da Itália, então, vai gostar ainda mais!


por Melissa Lipinski


quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Guerra ao Terror

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.


Guerra ao Terror (The Hurt Locker, 2008)

Estreia Oficial: 04 de setembro de 2008
Estreia no Brasil: 05 de fevereiro de 2010
IMDb


Estava bastante ansiosa para assistir a este “Guerra ao Terror”, visto que tem arrebatado elogios da crítica internacional e vários prêmios. E o filme vale a pena, é um ótimo exemplar de filmes de guerra, pendendo muito mais para o lado psicológico do que para as batalhas em si. Não que não haja explosões e coisas do gênero, até porque o desfecho da seqüência inicial é de tirar o fôlego!

O filme tem uma estética bastante crua, remetendo a um documentário do dia-a-dia de soldados estadunidenses especializados em desarmamento de bombas no Iraque. Não fosse por poucos rostos conhecidos (que, diga-se de passagem, logo saem de cena) poderíamos tomar a produção realmente como um documentário, tamanho é o realismo de sua fotografia.

O roteiro é muito competente ao mostrar a banalização da vida em um cenário de guerra sem sentido, onde os soldados estadunidenses encontram-se sem motivações, ou até mesmo sem saber o porquê de estarem e um país totalmente hostil à sua ocupação.

O sargento William James é o personagem mais polêmico e perturbador, e, consequentemente, o mais interessante. Ele sente prazer em correr riscos, às vezes, colocando toda a sua unidade em perigo; porém, não é tratado como um estereótipo de um soldado que não liga para ninguém, pois apresenta momentos de extrema humanidade e amor ao próximo. Parte dessa compaixão e empatia que acabamos sentindo pelo personagem deve-se à atuação certeira do ator Jeremy Renner, que faz uma composição séria, fugindo do caricato. Aliás, o elenco inteiro é eficiente, e transforma o filme em bem mais do que um filme de guerra, faz com que presenciemos um verdadeiro questionamento sobre a brutalidade e falta de sentido das guerras em geral.

Eficiente também é a direção de Kathryn Bigelow, que, aliada à edição, transmite tensão ao espectador e a constante presença do perigo presente em uma guerra.

Mas o filme não é perfeito. É um pouco longo demais e acaba por perder o ritmo em seu segundo ato. A introdução dos personagens também é um pouco corrida, e demora até conseguirmos identificar quem é quem no campo de batalha.

Mas no geral, “Guerra ao Terror” não decepciona, pois não é só a constatação de uma guerra sem sentido; é sim um retrato de como o ser humano pode perder a sua humanidade e agir de acordo com seus instintos mais agressivos, sem ter o mínimo de respeito e compaixão pelo próximo, às vezes, sem nenhum constrangimento ou arrependimento.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski
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O filme se passa, em maior parte, na Guerra do Iraque. Mostra a contagem regressiva dos dias para ir embora de uma equipe de desarmamento de bombas. Apesar de no inicio do filme confundir o rosto de alguns personagens conseguimos entender o que está se passando com eles. A partir da metade do filme senti que ele ficou com uma narrativa mais lenta e não tão interessante, mesmo com umas cenas parecidas com do “Tropa de Elite”, de guerra no meio da cidade. No final com o retorno do soldado ao Iraque, fica a sensação: ele tá fazendo o que gosta e o que sabe fazer.

Gostei: os atores mais conhecidos como Guy Pearce e Ralph Fiennes morrem precocemente, deixando a história para atores “menos” conhecidos.


por Oscar R. Júnior