domingo, 13 de março de 2011

Chumbo Grosso

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Chumbo Grosso (Hot Fuzz, 2007)

Estreia oficial: 14 de fevereiro de 2007
Estreia no Brasil: só lançado em DVD

IMDb



Depois do ótimo "Todo Mundo Quase Morto" (2004), os roteiristas Simon Pegg e Edgar Wright (este também é o diretor dos filmes) juntaram-se novamente nesse ótimo "Chumbo Grosso". O filme é uma comédia que, acima de tudo, homenageia os filmes policiais, ao mesmo tempo em que parodia os mesmos.

O próprio Simon Pegg é Nicholas Angel, o melhor policial de Londres, que é relocado para o interior pois deixa os outros policiais "mal na foto", de tão competente que é. A partir daí, Angel começa a estranhar o baixo índice de criminalidade do local, e se vê envolvido em uma trama bastante intrigante.

O humor tipicamente inglês, ácido, crítico e cínico, é o que torna o filme tão bom. Às vezes, a trama toma ares mais sérios, e nem parece uma comédia, como nas bem dirigidas cenas de ação.

Simon Pegg e Nick Frost (que também atuaram juntos em "Todo Mundo Quase Morto") têm uma química muito boa, e parte da graça do filme reside nessa interação. Jim Broadbent também está muito bem. E a minúscula participação de Bill Nighy é hilária.

Mas o melhor mesmo é o seu roteiro inteligente, com diálogos rápidos, engraçados e situações inusitadas. A boa edição também colabora para o ótimo ritmo que o longa tem. Mesmo as cenas inicias, de apresentação, não soam aborrecidas nem cansativas.

Enfim, com um ótimo casamento entre ritmo, ação e humor, Simon Pegg e Edgar Wright criam mais um excelente filme. Tomara que essa parceria renda ainda muitos outros.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski
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No geral eu gosto muito do tipo de humor inglês. Neste "Chumbo Grosso" eu apenas gosto. É que ao mesmo tempo que tem uma cena de decaptação ao estilo de filmes como "Premonição" (Final Destination, 2000), tem tiroteios imensos sem que ninguém seja alvejado. Não curti isso.

Em compensação as referências e zoações ao estilo de filmes como "Caçadores de Emoção" (Point Break, 1991) e "Bad Boys 2" (Bad Boys II, 2003) são cômicas e funcionam no filme.

Por fim, um filme para se assisitir num dia em que não se quer pensar muito, quer rir e ver algumas cenas de ação.

É isso.


por Oscar R. Júnior



 

 

sábado, 12 de março de 2011

Um Parto de Viagem

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Parto de Viagem, Um (Due Date, 2010)


Estreia oficial: 3 de novembro de 2010
Estreia no Brasil: 5 de novembro de 2010
IMDb



Todd Phillips é um diretor de filmes 'masculinos'. Explico. Em seus filmes, as mulheres não têm vez, não há personagens femininos interessantes, elas são sempre o interesse romântico do protagonista, como em "Caindo na Estrada" (Road Trip, 2000), as esposas chatas como em "Dias Incríveis" (Old School, 2003), as gostosonas de biquini como em "Starsky & Hutch" (2004), prostitutas doces ou esposas histéricas como em "Se Beber, Não Case" (The Hangover, 2009), ou simplesmente alguém do outro lado do telefone, como neste seu mais novo filme, "Um Parto de Viagem" (Due Date, 2010).

Não que isso seja exclusividade do diretor. Esse tipo de comédia já é quase um gênero. Tanto que esse filme é uma versão atual de "Antes Só do que Mal Acompanhado" (Planes, Trains & Automobiles, 1987), dirigido por John Hughes e estrelado por John Candy e Steve Martin. Porém, Todd Phillips tem seu diferencial. E o politicamente incorreto parece ser uma de suas marcas, já que o diretor não mede esforços para fazer humor.

Bom, a história, como no filme de John Hughes, é sobre o encontro inusitado de dois homens completamente diferentes que acabam embarcando em uma viagem cruzando os EUA. Porém as semelhanças param por aí, já que os personagens não poderiam ser mais diferentes dos que os da produção de 1987.

Robert Downey Jr. é o retrato do 'almofadinha' contemporâneo, que vive dentro dos conformes. Já Zach Galifianakis é o oposto: um 'projeto' de ator, nada convencional. E é na química entre os dois personagens que reside o 'algo mais' do longa. Downey Jr. é um ator sempre competente, Galifianakis é sempre hilário, e a conjunção destas duas figuras gera situações inusitadas e boas gargalhadas.

É justamente na crítica do 'politicamente correto' que está o melhor do filme, e o melhor do cinema de Todd Phillips. Não é tão bom quanto "Se Beber, Não Case", mas é bastante engraçado.


por Melissa Lipinski
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Comédia escrachada. A história é bem bobinha. O filme é tolo mas consegue ter algumas cenas engraçadas.

Só conheço Zach Galifianakis, tipo muito, muito estranho, pois já vi algo parecido no "Se Beber, Não Case" (The Hangoover, 2009) e na série "Bored to Death". Já Robert Downey Jr. é só o cara extressado o filme inteiro.

Ou seja, dei algumas risadas, achei algumas cenas apelativas demais e por aí vai.


por Oscar R. Júnior


sexta-feira, 11 de março de 2011

Um Lugar Qualquer

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Lugar Qualquer, Um (Somewhere, 2010)

Estreia oficial: 3 de setembro de 2010
Estreia no Brasil: 28 de janeiro de 2011
IMDb



Sofia Coppola nasceu e cresceu em Hollywood, entre atores e diretores de cinema. Portanto, não é de se estranhar que suas duas obras mais contundentes transitem neste meio. Primeiro com o belíssimo e delicado "Encontros e Desencontros" (seu melhor filme até hoje), e agora, este "Um Lugar Qualquer".

O filme fala, resumidamente, sobre o vazio. E Coppola utiliza-se da profissão de ator para demonstrar isso. Vazio da carreira, vazio da vida. Stephen Dorff é Johnny Marco, um ator bem sucedido que parece flutuar na sua própria vida, nunca fazendo algo significativo. Ele vai de um lugar para outro apenas porque as pessoas dizem para ele fazê-lo. Sua conexão com a maioria das pessoas também é algo efêmero, já que se baseia na sua figura como ator, e não em quem realmente ele é.

Desta forma, é simplesmente notável que Sofia Coppola consiga fazer com que nós espectadores nos identifiquemos com esse sujeito. Uma mistura de pena e empatia. A atuação de Dorff, sempre contida, também ajuda nesse sentido, já que ele cria Johnny como um sujeito introspectivo e monossilábico.

Outra opção acertada da diretora são os planos longos, que servem para enfatizar o cotidiano vazio do personagem. Um dos mais belos e representativos do filme, com certeza é o que Johnny bóia em uma grande piscina, e acaba, lentamente, sendo levado ao canto do enquadramento, o qual, imóvel, corta sua cabeça do quadro: como na vida de Johnny, ele sempre está flutuando pelos cantos, sendo levado por outras pessoas. Ou então, outro momento belíssimo, na cena em que vemos Johnny e sua filha pegando sol, e que a princípio parece um momento de comunhão entre os dois personagens, apenas para, na verdade, revelar - quando abre-se o plano - a superficialidade daquela relação, já que eles estão ali, na companhia de outras pessoas, como que dividindo aquele momento que deveria ser só deles.

E é uma pena que, no final, Sofia Coppola não consiga amarrar tão bem sua história como fez em "Encontros e Desencontros", e acaba pecando ao criar um desfecho que soa infantil e tolo. Porém, nada que desmereça o trabalho como um todo.

Enfim, Coppola nos dá, mais uma vez, um belíssimo filme sobre a melancolia. E, nada melhor do que utilizar-se de um ambiente que conhece tão bem para fazer isso.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski
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Ok, tenho que admitir que não sou muito fã da Sofia Copola mas até que curti esse filme. Ele aparenta se mais paradão mas até que não. É quase uma história de reaproximação entre pai e filha.

Infelizmente isso é o máximo que consigo falar do filme.


por Oscar R. Júnior


quinta-feira, 10 de março de 2011

Bruna Surfistinha

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Bruna Surfistinha (2011)

Estreia oficial | no Brasil: 25 de fevereiro de 2011
IMDb



"Bruna Surfistinha" é um filme com bons momentos e boa atuação de Deborah Secco, mas que acaba diluindo-se em uma fraca narrativa, com uma narração em off totalmente desnecessária.
O roteiro (de José de Carvalho, Homero Olivetto e Antônia Pellegrino) parece escrito em episódios, sem a preocupação em vincular emocionalmente a trajetória da garota, e quando, o tenta fazer, descamba para um melodrama sentimentalóide. E, o que é pior, a história jamais tenta explicar as razões para as ações da protagonista: por que Bruna (ou melhor, Raquel) sai de casa? É verdade que há problemas em sua família, mas qual família não os tem? Por que ela decide se tornar uma prostituta? O roteiro parece bem mais interessado em afirmar como a 'Bruna' tornou-se tão popular entre seus clientes, ao mesmo tempo em que parece (não intencionalmente) apontar para o fato de que a moça teria um talento nato para a prostituição.

Mas o pior de tudo é mesmo a narração em off, que insiste em 'traduzir' tudo o que estamos vendo na tela, soando sempre repetitiva. A narração é tão desnecessária que quase consegue estragar a melhor cena do filme: em seu primeiro programa, Bruna não consegue dissimular a dor que está sentindo quando faz sexo com seu cliente; mas, aos poucos, seu olhar vai se tornando mais decidido. É quando a protagonista encara a câmera de frente, como que desafiando o próprio espectador. A força da cena é tamanha, que mesmo quando a tal narração entra, reiterando tudo aquilo que estamos vendo - que ela não chorou, nem pediu pra que ele parasse - mesmo assim, é a cena mais comovente do longa.

E se a cena funciona deve-se, em grande parte, à forte atuação de Deborah Secco, que depois de aparecer no cinema como uma sex symbol inespressiva em "Meu Tio Matou um Cara" (2004), e em um dos piores filmes ao qual já assisiti, "A Cartomante" (2004), finalmente mostra-se uma atriz competente. Sua atuação é tão intensa que, por vezes, quase nos esquecemos das falhas no roteiro. Seu único excesso na composição da personagem (na minha opinião) é a irritante mania de sempre se sentar com as pernas, não apenas abertas, mas escancaradas, tentando (acho) demonstrar que, por mais que utilize seu corpo para ganhar dinheiro e dar prazer, no fundo, ela ainda mantém aspectos da garota imatura que foi um dia. Porém, a ação só consegue se mostrar forçada e não natural. Porém, um pequeno deslize frente a uma atuação contundente.

E, se falei que quase nos esquecemos das falhas do roteiro, é porque nem mesmo Secco, nem as ótimas atuações de Drica Moraes, Cássio Gabus Mendes (que consegue superar até mesmo o esquematismo clichê de seu 'príncipe encantado') e Fabiula Nascimento conseguem dissimular o sentimentalismo barato por trás da história. Que, perde-se em sua estrutura, a partir da metade do filme, para assumir uma narrativa moralista de redenção da personagem.

Ganhando pontos por alguns diálogos espirituosos e engraçados, e algumas situações cômicas, assim como algumas sacadas inteligentes de seu diretor - o estreante em longas Marcus Baldini - como por exemplo a economia de palavras para expor alguns personagens, e a construção sempre egocêntrica da personagem-título (que, mesmo que seja mérito da atriz, sempre tem a direção de alguém), é uma pena que o filme seja sabotado por sua parte final, que insiste em retratar toda prostituta como sendo alguém que precise de um 'anjo da guarda' para resgatá-la de sua vida miserável, o que acaba comprometendo seu resultado.

Enfim, "Bruna Surfistinha" consegue alguns méritos graças, principalmente, às suas atuações e à força de sua protagonista - mas não da sua personagem.


por Melissa Lipinski
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Vou começar pelo que gostei. O elenco. É a melhor atuação que já vi da Deborah Secco, mas isso se deve ao fato dela ser uma atriz mediana no geral. Quem quase rouba a cena são a Drica Moares e o Cássio Gabus Mendes. Estão excelentes.

Sobre a história. É fraca. A personagem principal não tem motivação. Ou melhor, não nos é mostrado uma razão decente para que ela entre nessa vida. Não que eu necessite saber o porquê ela virou prostituta, mas quando o filme mostra momentos dela na casa dos pais, eles dão margem para que eu queira um motivo. No filme a razão está muito, mas muito artificial mesmo. Tão artificial quanto a atuação do irmão da Bruna Surfistinha, ele consegue ser o pior em cena.

Na verdade o que mais me incomodou no filme é que ele glamuriza muito a personagem principal. No filme aparenta que ela sente prazer em todas as transas que faz. Parece que foi tudo muito fácil, mas vamos e convenhamos: não é um vida fácil. As únicas coisas ruins que acontecem com ela é o irmão xingá-la, a outra prostituta roubá-la e o fato dela cair nas drogas. Nenhum cara bateu nela, nenhum a forçou a transar de alguma forma mais bruta. É quase como se ela nunca tivesse dado o c*. É o que parece. Isso me incomodou bastante.

Humm, e tem a narração em off da Deborah que poderia ser totalmente extirpada. Totalmente.

Por fim, faço um destaque para a Fabiula Nascimento. Ela é a outra prostituta que tem um filho e tudo mais. Ela está ótima nesse filme e eu recomendo outro que tem ela no elenco: "Estômago" (2007, direção de Marcos Jorge).

É isso.


por Oscar R. Júnior


quarta-feira, 9 de março de 2011

O Besouro Verde

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Besouro Verde, O (The Green Hornet, 2011)

Estreia oficial: 12 de janeiro de 2011
Estreia no Brasil: 18 de fevereiro de 2011
IMDb



O cineasta francês Michel Gondry até agora não tinha me decepcionado. Muito pelo contrário, estava virando cada vez mais sua fã. Desde sua estreia em longas com o crítico "Natureza Quase Humana" (2001), passando pelo onírico "Sonhando Acordado" (2006), o nostálgico "Rebobine, Por Favor" (2008), até sua obra-prima "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças" (2004), todos contavam com uma direção inspirada, que primava pelo estímulo visual do espectador.
Entretanto, com este "O Besouro Verde", Gondry pisa feio na bola. Não só o roteiro do filme é fraco, mas a direção parece ter sido realizada por um "Michael Bay da vida", o que é realmente preocupante.

A história é baseada no personagem criado para o rádio, por George W. Trendle, na década de 30, e que depois virou série de TV nos anos 60 (a qual tornou Bruce Lee conhecido; ele é, inclusive homenageado aqui, através de um desenho feito pelo atual Kato, papel de Lee na série). Acompanhamos como o playboy babaca e imaturo, Britt Reid (Seth Rogen), torna-se o Besouro Verde. O problema aqui, é que o protagonista não se faz passar por inconsequente, ele realmente o é.

Mas não só o protagonista é mal desenvolvido. O conflito entre pai (Tom Wilkinson) e filho (Rogen) soa falso e não convence. O vilão (Christoph Waltz), que até tem uma introdução promissora graças à participação eficiente de James Franco, jamais é desenvolvido com eficiência. Fora os diálogos (que, em excesso) soam maçantes e repetitivos. Sem falar em Lenore Case, personagem totalmente idiota de Cameron Diaz - acho que nunca vi uma mocinha tão mal desenvolvida.

Porém, é verdade que algumas piadas funcionam. E o grande destaque do filme é mesmo Kato (Jay Chou). Porém, os roteiristas (Seth Rogen e Evan Goldberg) parecem não querer que Kato roube o posto de herói de Britt e, da mesma forma, logo desperdiçam esse personagem. Porém, as sequências de luta encenadas por Chou funcionam, embora eu tenha achado que não trazem realmente nada de novo.

Por fim, apesar de uma ou outra cena inspirada, Michel Gondry parece ter dirigido este "O Besouro Verde" em estado de sonolência profunda, resultando em um filme tão idiota e desnecessário quanto seu protagonista, Britt Reid.


por Melissa Lipinski
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Ok, achei que era baseado em uma história em quadrinhos e descubro que não. Besouro Verde foi primeiro uma série de rádio, chegou a ser série de TV entre 1966 e 1967 (com Van Williams e Bruce Lee), tendo somente uma temporada. E agora virou novamente filme. E, segundo o IMDb, já houveram mais 2 versões, outra série de TV em 1940 e um curta em 2006. Mas vamos ao filme.

A história é um tanto fraca. Personagens mal construídos e sem motivação plausível. Atuação bem mediana até mesmo a do Christoph Waltz, que renderia muito mais.

Por outro lado a parte cômica do filme foi bem engraçada. Ri ao menos. Próximo do fim o filme vai descambando em cenas fracas e pirotecnias sem fim e tem um final bem brochante.

Por fim, não sei o que deu na cabeça do diretor Michel Gondry fazer um filme assim. Ele que já dirigiu os bons "Rebobine, Por Favor" (Be Kind Rewind, 2008), "Sonhando Acordado" (La Science de Rêves, 2006) e o maravilhoso "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças" (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, 2004), vem e me dirige esse "O Besouro Verde". Infelizmente isso aconteceu.


por Oscar R. Júnior


terça-feira, 8 de março de 2011

Rango

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Rango (Rango, 2011)

Estreia oficial: 2 de março de 2011
Estreia no Brasil: 9 de março de 2011
IMDb



Gore Verbinski é um diretor que adora variar os gêneros dos filmes que dirige, já passou pelos infantis ("O Ratinho Encrenqueiro", 1997), comédia romântica ("A Mexicana", 2001), suspense/terror ("O Chamado", 2002), drama intimista ("O Sol de Cada Manhã", 2005) e aventura/fantasia (os três primeiros "Piratas do Caribe", 2003, 2005 e 2007), chegando agora no mundo da animação. E não decepciona, ao criar um desenho que também é um western.

"Rango" é uma animação que faz uma rivalidade à altura com as criadas pela Pixar, tanto tecnicamente quanto com relação ao conteúdo, uma história que vai encantar crianças ao mesmo tempo que envolve os mais crescidinhos, com um enredo complexo e repleto de referências a filmes famosos.

A galeria de personagens criada em "Rango" é impressionante. São animais que trazem as mazelas de sua vida em cada marca de seu rosto castigado. Todos os personagens típicos do western estão aí: os pistoleiros malvados, a mocinha rebelde, o índio velho, os fazendeiros oprimidos… a lista vai longe. E, embora os personagens sejam feios e sofridos, há também lugar para os mais 'fofinhos' (para agradar à criançada), como as corujas mariachis ou a pequena Priscilla, uma aparente inocente 'filhota', cujos grandes olhos doces opõem-se à dureza da sua realidade, já que a própria menina carrega consigo armas de fogo.

Já o personagem-título dessa história é, também, o seu grande diferencial. Uma espécie de mistura de Clint Eastwood e os "três amigos" ("Three Amigos!", filme estrelado por Steve Martin, Chevy Chase e Martin Short, de 1986), Rango é um camaleão que viveu toda sua vida num aquário, sozinho, o que o fez desenvolver uma grande imaginação. Pensando ser um ator capaz de desempenhar qualquer papel, quando Rango, acidentalmente, é lançado no meio do deserto e acaba indo parar numa cidadezinha no meio do oeste norte-americano, ele acaba assumindo a 'persona' de lenda local, pistoleiro, que acaba virando o xerife de Poeira (o nome da cidade). Esse personagem foi claramente baseado no personagem de Clint Eastwood em "Por um Punhado de Dólares" (1964), o pistoleiro sem nome; inclusive a roupa que Rango utiliza na sequência final, com o famoso poncho imortalizado por Eastwood.

Aliás, como falei, o filme é repleto de referências. Além do já citado, os filmes de Sergio Leone são a grande inspiração aqui. A cobra Jake é uma versão 'reptiliana' do bandido de Lee Van Cleef em "O Bom, o Mal e o Feio" (1966), com seu chapéu preto com abas retas e seu bigodinho. A trilha sonora de Hans Zimmer também é claramente inspirada nas compostas por Ennio Morricone para esses e outros filmes. Há também referência a John Wayne, ao ilustrar um personagem que caminha da mesma forma que o ator o fazia. Assim como uma homenagem a grandes sucessos do Cinema, como "Apocalypse Now", "Star Wars", "Indiana Jones" e "Pulp Fiction" (nos créditos finais). E a filmes estrelados por Johnny Depp (que empresta sua voz a Rango), como "Don Juan" e uma sequência hilária de "Medo e Delírio".

Mas é dos filmes de western que Gore Verbinski tira sua maior inspiração, e todas as sequências clássicas deste gênero tão consagrado estão presentes: duelo na rua principal da cidade, brigas nos saloons, perseguição envolvendo carruagens. Além, claro de elementos importantes, como o relógio que parece se mover lentamente, um agente funerário que parece já estar fazendo o caixão do protagonista, e por aí vai. Além dos enquadramentos super fechados que Verbinski utiliza, e que foram tão magistralmente usados por Leone, mostrando as expressões nos rostos de seus personagens. Para fechar as homenagens, o próprio Clint Eastwood aparece de uma forma inusitada, como um espírito que, justamente, vem declarar toda a importância que o oeste norte-americano teve (e ainda tem) na cultura daquele país.

Visulamente, "Rango" também lembra as antigas produções do 'velho oeste'. A fotografia, belíssima, utiliza-se de grandes planos gerais para mostrar a imensidão de suas áridas paisagens e os tons avermelhados do pôr-do-sol. Assim como enquadramentos menos usuais, que colocam objetos em primeiro plano, e a ação propriamente dira em segundo, como a entrada do herói no sallon, tendo o ventilador (e apenas o som deste) em primeiro plano; ou quando Rango caminha pelas ruas e é visto por entre garrafas d'água quebradas penduradas em varandas. Belíssimo.

Enfim, "Rango" transita de forma fluida entre momentos de maior tensão, mais cômicos e aqueles mais poéticos, como quando o protagonista parte em sua jornada de auto-descobrimento e cruza o deserto que parece chorar com a sua partida, ou quando ele atravessa uma estrada super movimentada na intenção de tirar sua própria vida.

Será que finalmente a Pixar ganhou um estúdio 'rival' que esteja à sua altura? Essa foi só a primeira animação feita pela Industrial Light & Magic. E que venham as outras!

Fica a dica!


por Melissa Lipinski

P.S: A dublagem brasileira é muito bem realizada.
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Rango é uma dessas animações que têm vários e vários níveis de entendimento e muitas referências.

Bem, vi o filme dublado e curti muito a dublagem. Bem feita e feita por dubladores mesmo. Só não encontrei a lista dos dubladores brasileiros, não achei na internet e não lembro dos nomes que vi ao final do filme.

Mas vamos lá. Como o dublador original do Rango é o Johnny Depp, no início do filme o Rango tem um monólogo e interpreta vários personagens que Depp, entre eles Don Juan ("Don Juan DeMarco", 1994). Assim como quando ele é quase atropelado pelo carro do filme "Medo e Delírio" ("Fear and Loathing in Las Vegas", 1998). Muito boa. Mais pra depois da metade do filme começam as referências ao "Apocalypse Now" e "Star Wars". Como o filme é do estilo Western não poderia faltar o Clint Eastwood em seus filmes de faroeste. E o próprio Clint aparece, com seus Oscars num carrinho de golf.

Isso porque cito os que percebi, vários devem ter passado desapercebidos por mim. E vale a pena. Muito bem construído, muito bem animado com uma ténica incrivelmente boa.

Por fim, recomendo. Recomendo a todos.


por Oscar R. Júnior



 

segunda-feira, 7 de março de 2011

Abutres

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Abutres (Carancho, 2010)

Estreia oficial: 6 de maio de 2010
Estreia no Brasil: 3 de dezembro de 2010
IMDb



Ricardo Darín é um dos melhores atores do cenário atual (e não me refiro apenas ao cinema argentino). Sua composição de personagens é sempre um trabalho incrível. A cada novo filme o ator parece se superar. Aqui, nesse "Abutres", Darín faz mais um trabalho impecável como Sosa, um advogado que representa um escritório de indenizações por acidentes. O sujeito vive da miséria alheia, correndo atrás de ambulâncias dos para-médicos para conseguir novos clientes.
É numa dessas suas noites que conhece Luján, uma médica que exibe claramente o cansaço de sua desgastante profissão, e utiliza-se de anestésicos para tentar aliviar (pelo menos por instantes) o estresse da sua vida, e a dor (física, ou talvez seja apenas psicológica) de ter que, diariamente, tratar com a desgraça dos outros. E a atriz Martina Gusman também faz um trabalho delicado e competente ao retratar essa mulher.

E é o relacionamento desses dois personagens sofridos que "Abutres" enfoca. Não que seja apenas isso. O longa primeiro mostra um pouco do cotidiano dessas duas pessoas. E, aqui, a arte do filme é extremamente competente em ilustrar os ambientes em que os dois personagens vivem. Seja no escritório decadente em que Sosa trabalha, ou no hospital onde Luján atua, com suas lâmpadas frias e seus espaços opressivamente sufocantes.

A direção de Pablo Trapero é, mais uma vez em sua curta carreira, excepcional. Dos planos mais abertos do começo do filme, quando ainda estamos conhecendo os personagens da história, e que servem também para mostrar o caos em que aquelas duas pessoas vivem, sempre envolto em violência - a qual, diga-se de passagem, o diretor não se acanha em mostrar, fazendo com que o sofrimento das pessoas mostradas seja ainda mais pungente. Aos planos mais fechados, a partir do momento em que Sosa e Luján começam seu relacionamento, evidenciando assim a proximidade emocional daqueles personagens sofridos.

Trapero também utiliza-se dos longos planos (algun sendo planos-sequência) que estão virando sua marca como diretor. E dois, particularmente, são construídos de forma a gerar uma tensão absurda no espectador - o primeiro que envolve uma batida e, o segundo, o plano final do filme, que é de tirar o fôlego!

Enfim, atuações emocionantes, roteiro bem construído, direção impecável e aspectos técnicos muito bem estruturados, o que mais pode-se querer em um filme?

Fica a dica!


por Melissa Lipinski
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Juntando um bom roteiro, bons atores e uma boa direção temos um excelente filme. Obvio. Mas vai além disso.

A história é bem construída, com diálogos precisos. Tanto Ricardo Darín quanto Martina Gusman nos transmitem toda a emoção de suas personagens. Darín é um advogado sem licença que tira proveito de processos por acidentes de trânsito. Gusman é uma médica que trabalha em dois lugares e está totalmente sobrecarregada. Muito boa a interação dos dois.

Recomendo.

P.S. Recomendo também o filme "Leonera", que também é dirigido por Pablo Trapero e tem como personagem principal a Martina Gusman.


por Oscar R. Júnior


domingo, 6 de março de 2011

Burlesque

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Burlesque (Burlesque, 2010)

Estreia oficial: 24 de novembro de 2010
Estreia no Brasil: 11 de fevereiro de 2011
IMDb



Sei que o termo 'clichê' já está se tornando clichê aqui no blog, de tanto que uso. Mas não tenho culpa se as produções não têm mais originalidade hoje em dia… E clichê, mais uma vez, é a palavra certa para definir este "Burlesque".
A história é aquela velha conhecida: garota do interior que vai para a cidade grande para se tornar "alguém". Daí vêm os obstáculos, as dificuldades, e por fim, a realização do sonho, sem antes, claro, encontrar um grande amor. Christina Aguilera é Ali, a caipira que sai do Iowa para se tornar uma dançarina/cantora em Los Angeles. Ela acaba indo parar no Burlesque, um clube noturno comandado por Tess (Cher). Primeiro, a garota é contratada como garçonete, até conseguir sua grande chance de atuar nos palcos e mostrar seu grande talento.

Não que tudo seja ruim aqui. Com certeza alguns grupos musicais são muito bem realizados e coreografados, e com músicas contagiantes. Mas, em sua maioria, o filme não consegue ultrapassar o medíocre.

O roteiro é previsível. Talvez uma de suas únicas vantagens seja que a protagonista, apesar de ser do interior e sonhadora, não é uma tapada completa, ingênua até dizer chega e que cai no conto do vigário. Ali tem atitude, isso não se pode negar, e corre atrás de seus objetivos.

Porém nada é exatamente original. Esse novo exemplar de musical não traz nada que o diferencie de tantos outros do gênero. Sim, falei que alguns números musicais são bem realizados. Porém não passam de reciclagens ou releituras de tantos outros já vistos em filmes como "Cabaré" (1972), "Flashdance" (1983), "Moulin Rouge" (2001), "Chicago" (2001), e até no fraco "Nine" (2009). Aliás, algumas cenas de passagem (que são mostradas para incrementar o filme e mostrar a evolução da história) são risíveis de tão clichês (olha a palavra aí de novo!).

Os personagens também são o festival dos estereótipos. Tem a chefe durona mas legal. O seu ajudante gay e engraçado, que serve como a veia cômica da história. O empresário interesseiro e que promete mundos e fundos à heroína. O mocinho gentil e apaixonado. E, claro, a vilã - a concorrente número um da protagonista. Infelizmente, os atores não conseguem transformá-los em algo mais do que realmente são: caricaturas de personagens. E, por mais que Christina Aguilera e Cher sejam realmente talentosas em sua real profissão - como cantoras, infelizmente não se pode dizer o mesmo com relação à suas atuações, que realmente deixam a desejar. Os únicos momentos menos sofríveis ficam por conta do talentoso Stanley Tucci, que consegue trazer um pouco de graça e sensibilidade ao seu personagem, mas que também não opera milagres!

Com números musicais em excesso - e alguns simplesmente injustificados (como um número chatíssimo que só está presente para Cher cantar uma música 'solo'); uma fotografia também previsível (o contra-luz constante sobre os cabelos de Aguilera, que lhe dão uma aura iluminada, chega a irritar); e uma direção de arte bonita, é verdade, mas que, igualmente, não traz nada de novo; "Burlesque" é um filme totalmente dispensável.

Acho que mais vale procurar algumas músicas dessas duas excelentes cantoras para ouvir do que assistir a esse filme.


por Melissa Lipinski
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Já faz um tempo que não assistia a um musical. Preferia não tê-lo feito com esse "Burlesque". Ele tem umas músicas interessantes, mas tem algumas totalmente desnecessárias, incluindo a que a Cher canta sozinha.

A história do filme é muito boba e totalmente previsível. A menina do interior que vai para a cidade grande porque quer cantar. Quase como aquele filme "Lua de Cristal", com a Xuxa, hehe.

Com mais alguns clichês e o filme está lá.


por Oscar R. Júnior


 

sábado, 5 de março de 2011

Kick-Ass - Quebrando Tudo

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Kick-Ass - Quebrando Tudo (Kick-Ass, 2010)

Estreia oficial: 26 de março de 2010
Estreia no Brasil: 18 de junho de 2010
 
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Este "Kick-Ass" é inspirado em quadrinhos homônimos, os quais não conheço e, portanto, não saberia dizer se a adaptação foi precisa. Mas, como obra audiovisual, funciona.

O filme gira em torno de Dave Lizewski (Aaron Johnson), um 'nerd' que, fã de quadrinhos, decide transformar-se em um super herói da vida real, dando vida a seu alter-ego, Kick-Ass. Porém, logo Dave nota que a vida real não é como nos quadrinhos, e o que ele mais faz, é tomar porrada. Tanto, que acaba tendo tantas placas de metais pelo corpo que não sente muita dor. Por outro lado, Kick-Ass acaba conhecendo alguns 'heróis' pelo seu caminho, como Big Daddy (Nicolas Cage) e Hit Girl (Chloe Moretz).

"Kick-Ass" é um filme interessante, pois, por mais que seja um filme voltado para adolescentes, não faz reservas quanto ao uso da violência. E é mérito do diretor Matthew Vaughn ter encontrado o equilíbrio ideal entre o humor que cerca o longa e a violência que permeia as sequências de ação. Assim, o filme consegue transitar eficientemente entre a comédia (que vem principalmente quando Dave assume seu alter ego) e a violência, que não poupa ninguém, nem a pequena Mindy (ou Hit Girl).

A fotografia de Ben Davis também é eficiente ao utilizar cores bem contrastantes e intensas, relembrando o universo dos quadrinhos.

Mas, o filme jamais funcionaria se não fosse pelo carisma de seus protagonistas. Aaron Johnson (até então desconhecido) compõe de forma correta o adolescente inseguro e 'normal', com o qual o espectador é facilmente identificado. Nicolas Cage está bem como Big Daddy/Damon Macready, um sujeito que busca sua vingança pessoal usando sua pequena filha Mindy para ajudá-lo. E é justamente a pequena Chloe Moretz quem rouba a cena, com sua invencível Hit Girl. O carisma da menina é insuperável, e sua composição transita entre a doçura de uma menina de 11 anos, e a segurança de uma assassina de vilões. E é mérito da atriz se realmente acreditamos que aquela garotinha seja capaz de fazer o que faz, inclusive sendo ela a responsável por enfrentar o grande vilão do filme.

Enfim, "Kick Ass" pode não agradar a todos, já que a grande quantidade de violência pode chocar a muitos. Mas a verdade é que é um filme bastante corajoso justamente por usar mostrar tal violência, já que a história se passa no "mundo real". E nada mais real do que sangue jorrando quando alguém é baleado ou quando uma perna é cortada por uma espada.

Acabei de ler que farão uma continuação. Espero que esta não decepcione. Afinal de contas, a Hit-Girl não mereceria estar numa 'bomba'.

Fica a dica!



por Melissa Lipinski
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Era para ser um filme non-sense mas puxando pra comédia. Bem, acho que tem vários pontos cômicos, mas o filme se passa no sangue. Daí não fica tão engraçado. Pelo menos achei isso.

Dos personagens o mais interessante é a Hit-Girl/Mindy (Chloe Moretz). Muito boa essa garotinha que já tinha brilhado no filme "
(500) Dias com Ela".

No geral, rende umas gargalhadas pelas situações.


por Oscar R. Júnior



sexta-feira, 4 de março de 2011

A Rainha do Castelo de Ar

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Rainha do Castelo de Ar, A (Luftslottet Som Sprängdes, 2009)

Estreia oficial: 27 de novembro de 2009
Estreia no Brasil: sem data prevista
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Este terceiro filme da trilogia "Millenniun" põe fim à interessante saga de Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist. Não que o filme não tenha falhas, pois os seus 142 minutos trazem muitos personagens novos, o que torna-o um pouco confuso (principalmente para aqueles que não leram os livros e não estão familiarizados com eles).

Mas a sempre marcante presença de Noomi Rapace compensa. Ela domina tão bem a personagem que, mesmo não tendo a maioria das cenas, é ela quem 'manda' no filme, que perde força e dinamismo toda vez que ela não está em cena. Por outro lado, nada muda a falta de expressividade do protagonista Michael Nyqvist (que interpreta Mikael Blomkvist). O ator está ainda pior do que no segundo filme.

A história continua de onde o capítulo anterior desta trilogia tinha parado. Lisbeth Salander é levada ao hospital, depois de quase ser morta pelo seu pai. A partir daí, Mikael Blomkvist e sua irmã, a advogada de Lisbeth, Annika Giannini (interpretada por Annika Hallin), movem céu e terra para provar a inocência de Lisbeth e desmantelar uma facção da própria polícia.

Como falei, a gama de personagens neste filme é muito grande. E, como eles não têm a chance de ser bem desenvolvidos, acaba sendo um pouco confuso identificar quem é quem e qual a sua relevância na história.

Gostei particularmente de como o suspense vai sendo lentamente construído para ter seu ápice no julgamento de Lisbeth, quando o Dr. Peter Teleborian (Anders Ahlbom) é desmascarado. A montagem paralela entre o julgamento e as prisões dos policiais corruptos pode até não trazer nada de novo, mas funciona no sentido narrativo.

Por fim, por mais que seu ritmo possa ser irregular e o seu desfecho não tenha muita emoção, acho que o longa fecha dignamente a saga de Lisbeth e Blomkvist.

Agora nos resta esperar pela versão estadunidense, encabeçada por David Fincher. Tomara que não seja uma decepcão...


por Melissa Lipinski

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Finalmente o último filme dessa trilogia. Os personagens continuam parecidos. A Lisbeth sendo a mais interessante e melhor interpretada; E o Blomkvist continua sem graça e ofuscado pela Lisbeth.

Apesar da inserção de diversos personagens novos, o filme é bem dinâmico e nos prende a trama. Gostei bastante.

E o filme tem um desfecho legal, já esperado, mas muito legal. hehe.

Por hora é isso, recomendo.


por Oscar R. Júnior