ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.
Besouro Verde, O (The Green Hornet, 2011)
Estreia oficial: 12 de janeiro de 2011
Estreia no Brasil: 18 de fevereiro de 2011
IMDb

O cineasta francês Michel Gondry até agora não tinha me decepcionado. Muito pelo contrário, estava virando cada vez mais sua fã. Desde sua estreia em longas com o crítico "Natureza Quase Humana" (2001), passando pelo onírico "Sonhando Acordado" (2006), o nostálgico "Rebobine, Por Favor" (2008), até sua obra-prima "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças" (2004), todos contavam com uma direção inspirada, que primava pelo estímulo visual do espectador.
Entretanto, com este "O Besouro Verde", Gondry pisa feio na bola. Não só o roteiro do filme é fraco, mas a direção parece ter sido realizada por um "Michael Bay da vida", o que é realmente preocupante.
A história é baseada no personagem criado para o rádio, por George W. Trendle, na década de 30, e que depois virou série de TV nos anos 60 (a qual tornou Bruce Lee conhecido; ele é, inclusive homenageado aqui, através de um desenho feito pelo atual Kato, papel de Lee na série). Acompanhamos como o playboy babaca e imaturo, Britt Reid (Seth Rogen), torna-se o Besouro Verde. O problema aqui, é que o protagonista não se faz passar por inconsequente, ele realmente o é.
Mas não só o protagonista é mal desenvolvido. O conflito entre pai (Tom Wilkinson) e filho (Rogen) soa falso e não convence. O vilão (Christoph Waltz), que até tem uma introdução promissora graças à participação eficiente de James Franco, jamais é desenvolvido com eficiência. Fora os diálogos (que, em excesso) soam maçantes e repetitivos. Sem falar em Lenore Case, personagem totalmente idiota de Cameron Diaz - acho que nunca vi uma mocinha tão mal desenvolvida.
Porém, é verdade que algumas piadas funcionam. E o grande destaque do filme é mesmo Kato (Jay Chou). Porém, os roteiristas (Seth Rogen e Evan Goldberg) parecem não querer que Kato roube o posto de herói de Britt e, da mesma forma, logo desperdiçam esse personagem. Porém, as sequências de luta encenadas por Chou funcionam, embora eu tenha achado que não trazem realmente nada de novo.
Por fim, apesar de uma ou outra cena inspirada, Michel Gondry parece ter dirigido este "O Besouro Verde" em estado de sonolência profunda, resultando em um filme tão idiota e desnecessário quanto seu protagonista, Britt Reid.
por Melissa Lipinski
-----------------------------

Ok, achei que era baseado em uma história em quadrinhos e descubro que não. Besouro Verde foi primeiro uma série de rádio, chegou a ser série de TV entre 1966 e 1967 (com Van Williams e Bruce Lee), tendo somente uma temporada. E agora virou novamente filme. E, segundo o IMDb, já houveram mais 2 versões, outra série de TV em 1940 e um curta em 2006. Mas vamos ao filme.
A história é um tanto fraca. Personagens mal construídos e sem motivação plausível. Atuação bem mediana até mesmo a do Christoph Waltz, que renderia muito mais.
Por outro lado a parte cômica do filme foi bem engraçada. Ri ao menos. Próximo do fim o filme vai descambando em cenas fracas e pirotecnias sem fim e tem um final bem brochante.
Por fim, não sei o que deu na cabeça do diretor Michel Gondry fazer um filme assim. Ele que já dirigiu os bons "Rebobine, Por Favor" (Be Kind Rewind, 2008), "Sonhando Acordado" (La Science de Rêves, 2006) e o maravilhoso "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças" (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, 2004), vem e me dirige esse "O Besouro Verde". Infelizmente isso aconteceu.
por Oscar R. Júnior
