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domingo, 30 de outubro de 2011

O Senhor dos Anéis: As Duas Torres

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Senhor dos Anéis: As Duas Torres, O (The Lord of the Ring: The Two Towers, 2002)

Estreia oficial: 18 de dezembro de 2002
Estreia no Brasil: 27 de dezembro de 2002
IMDb



"As Duas Torres", segundo filme da trilogia do Anel, adaptação do livro de J. R. R. Tolkien, é o que mais sofre alterações com relação à obra literária original. E, se por um lado isso pode ter aspectos positivos, por outro, apresenta algumas falhas no desenrolar da trama, no sentido de, inclusive, ir contra o 'espírito' do original.

O filme começa com o conflito entre Gandalf (Ian McKellen) e o monstro Balrog, revelando o verdadeiro destino do mago. A partir de então, o filme se divide em três linhas narrativas: Frodo (Elijah Wood), Sam, (Sean Astin) e agora também Gollum, em seu caminho a Mordor para destruir o Anel; Merry (Dominic Monaghan) e Pippin (Billy Boyd) que foram aprisionados por orcs e acabam encontrando o ent Barbárvore; e Aragorn (Viggo Mortensen), Legolas (Orlando Bloom) e Gimli (John Rhys-Davies) que, a princípio partem numa caçada para resgatar seus amigos hobbits, mas que acabam indo para Rohan, onde ajudarão o Rei Théoden e seus súditos na batalha no Abismo de Helm.

Conseguindo articular as três vertentes da história de forma coesa e fluida, Peter Jackson mostra-se um diretor eficiente. Porém, algumas alterações com relação à obra literária acabam enfraquecendo a narrativa. Acho que a mudança que mais compromete (inclusive o ritmo do filme) é aumentar a participação de Arwen (Liv Tyler). Suas aparições neste filme em nada contribuem para o andamento da história; muito pelo contrário, quebram o seu ritmo. A única justificativa que consigo enxergar para tanto, é aumentar o peso da principal personagem mulher da obra, para agradar mais o público feminino.

Essa segunda parte de "O Senhor dos Anéis" assume com mais força que seu antecessor o caráter épico da narrativa; e se antes tínhamos a história centrada mais nos personagens e em sua jornada individual (ainda que dentro da Sociedade do Anel) para que o Anel fosse transportado com segurança; agora o sofrimento deixa de ser dos personagens individualmente, e passa a ser coletivo, dos habitantes da Terra Média, que sofrem com o crescente poder de Sauron e Saruman (Christopher Lee).

Porém, isso faz com que o desenvolvimento dos personagens sejam deixados de lado em prol da ação. Assim, quando poderíamos ver Elijah Wood sobressaindo-se em sua composição de Frodo, apenas o vemos sofrendo pelo crescente peso do Anel. E assim acontece com quase todos os personagens. Sem contar aqueles que sofreram alterções bruscar em sua índole com relação ao livro, como o Rei Théoden e Faramir (este último me indignou sobremaneira); ou o fato de Gimli tornar-se apenas um alívio cômico da narrativa. Talvez somente Sean Astin destaque-se um pouco, conseguindo atribuir mais carcaterísticas a Sam do que as vistas em "A Sociedade do Anel".

Mas, se não há espaço para os personagens 'reais', o mesmo não se pode dizer de Gollum. Responsável por uma das melhores cenas do filme, Gollum demonstra ser o personagem mais complexo até esta etapa da trilogia. Isso sem mencionar a sua qualidade técnica - certamente um dos melhores personagens digitais já vistos na história do Cinema.

O que me leva a falar da parte técnica do longa, que consegue ser ainda melhor que a do seu antecessor. A batalha no Abismo de Helm, que conta com milhares de figurantes digitais, é incrível, superando a batalha vista no início do primeiro filme. E a fotografiade Andrew Lesnie continua belíssima, conferindo diferentes tons de acordo com cada lugar. Sem falar na direção de arte, que volta a se sobressair, criando novos e distintos ambientes, como Rohan (claramente inspirada em construções nórdicas) e o Abismo de Helm.

Enfim, não tão brilhante como "A Sociedade do Anel" (principalmente em função da quebra do seu ritmo e das alterações que alguns personagens sofreram em seu caráter), esse "As Duas Torres" não deixa de ser um grande filme, ainda mais porque apresenta-nos com excelência um personagem digital tão complexo. "Gollum! Gollum!"

Fica a dica!


por Melissa Lipinski


domingo, 10 de julho de 2011

Harry Potter e a Câmara Secreta

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.


Harry Potter e a Câmara Secreta (Harry Potter and the Chamber of Secrets, 2002)

Estreia oficial: 14 de novembro de 2002
Estreia no Brasil: 22 de novembro de 2002
IMDb



Este segundo capítulo da saga de Harry Potter segue a mesma linha do filme anterior, e brinda o espectador com uma boa história e ótimas interpretações coroadas com efeitos visuais muito bem realizados.

O roteiro (novamente escrito por Steve Kloves) não precisa mais apresentar-nos aos personagens principais e, portanto, não perde tempo com isso, indo direto ao ponto. Kloves também consegue evitar o tom episódico que dominava o primeiro filme, e a narrativa surge bem mais fluida.

Novamente, a direção de arte é impecável, aumentando ainda mais os detalhes e ambientes fantásticos presentes no castelo de Hogwarts. E os efeitos visuais parecem bem mais convincentes agora, ainda mais no que tange ao personagem do elfo doméstico Dobby. A partida de quadribol vista aqui também surge mais bem "acabada" do que no anterior.

O trio principal da saga novamente não decepciona. E, mais uma vez, o destaque fica por conta do elenco secundário, que conta com atores consagrados: desde o 'shakespeariano' Kenneth Branagh (que compõe seu Gilderoy Lockhart exatamente da forma como eu havia o imaginado quando li o livro); os ótimos Alan Rickman (Snape), Maggie Smith (Professora Minerva) e Richard Harris (Professor Alvo Dumbledore); a carismática Julie Walters como Molly Weasley (uma pena que ela não apareça quase nada); Jason Isaacs, que rouba a cena como o sinistro Lúcio Malfoy; até dando-se ao luxo de usar o hilário John Cleese em uma pequena participação.

Enfim, "Harry Potter e a Câmara Secreta" apresenta-se como uma evolução bem sucedida com relação ao seu antecessor, e mais uma prova incontestável de que essa saga irá conquistar, definitivamente, tanto crianças quanto adultos.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski


terça-feira, 14 de junho de 2011

Edifício Master

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Edifício Master (2002)

Estreia oficial | no Brasil: 22 de novembro de 2002
IMDb



Pode-se dizer, sem sombra de dúvidas, que Eduardo Coutinho é o maior documentarista da história do cinema brasileiro. Senão o melhor, certamente é aquele com a obra mais (merecidamente) reconhecida. Esse "Edifício Master" é apenas um dos seus ótimos filmes, que também incluem "Cabra Marcado Para Morrer" (1985), "Babilônia 2000" (1999), "Santo Forte" (2002), "Peões" (2004), "O Fim e o Princípio" (2006) e "Jogo de Cena" (2007). De todos eles, “Edifício Master” é mesmo o meu favorito.

Durante a realização deste documentário, Coutinho e sua equipe passaram uma semana entrevistando e filmando o cotidiano de moradores do tal edifício do título, um prédio de 12 andares e 23 apartamentos por andar (que totaliza 276 apartamentos!), onde moram aproximadamente 500 pessoas. Trinta e sete delas contam suas histórias para as câmeras do documentarista.

Dessa seleção de entrevistados, constroi-se um fascinante mosaico de personalidades que não só resumem a própria sociedade brasileira, como também mostram a extrema sensibilidade e humanismo do realizador.

Coutinho é hábil em, primeiro, mostrar depoimentos que dão um panorama geral do prédio e do seu passado, ambientando assim, o espectador tanto geograficamente quanto politicamente dentro desse microcosmo de Copacabana que é o Edifício Master. São depoimentos como o do síndico do prédio (Sérgio), um personagem ímpar, responsável pela melhor frase do longa: “eu uso muito Piaget, mas quando não dá, apelo pro Pinochet”.

São entre depoimentos desses personagens e cenas dos corredores do edifício que a montagem vai dando ritmo à narrativa. E os depoimentos mais gerais vão cedendo espaço para aqueles mais particulares, e assim, Coutinho vai do plano geral para o mais fechado, mais particular, com uma enorme diversidade de personalidades que relatam suas tão desiguais experiências e impressões.

Dessa forma, o cineasta vai tecendo a identificação do espectador com seus entrevistados. Alguns relatos mais felizes e esperançosos, outros totalmente desiludidos com a violência e com a vida. Uns fazem rir; outros, chorar. Todas histórias emocionantes, de personagens reais da vida real.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski



domingo, 19 de dezembro de 2010

Albergue Espanhol

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Albergue Espanhol (L'Auberge Espagnole, 2002)

Estreia Oficial: 19 de junho de 2002
Estreia no Brasil: 28 de outubro de 2003
IMdB



Esses dias revi, junto com alguns bons amigos, esse ótimo "Albergue Espanhol". E, olhando para os meus amigos (os melhores, diga-se de passagem), e com o filme passando, pensava: como é bom ter amigos!

Afinal, é sobretudo disso que fala o filme. Além, é claro, de como ser um estrangeiro em um país diferente, e da auto-descoberta e crescimento pessoal do protagonista, Xavier (Roman Duris). Mas, principalmente sobre amizade.

A grande força desse "Albergue Espanhol" está em seu elenco, e a química formada entre os integrantes do albergue é o que realmente move o filme. O companheirismo demonstrado por eles é algo tocante.

Para todos aqueles que gostam de conhecer outras culturas, o filme é um prato cheio, já que traz entre os moradores do albergue, além do francês Xavier, uma inglesa, um italiano, um dinamarquês, um alemão, uma espanhola e uma belga. Uma verdadeira salada cultural.

Destaco o personagem inglês (irmão de uma das moradoras) que chega ao albergue e que é responsável pelos momentos mais cômicos da história, além daqueles mais preconceituosos também.

Enfim, "Albergue Espanhol" retrata o crescimento por qual todos nós (ou pelo menos a grande maioria) passamos quando iniciamos a vida adulta, o crescimento pessoal, expectativas e frustrações que temos que aprender a lidar e conviver. Imperdível para ver e rever quantas vezes puder.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski