quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Red - Aposentados e Perigosos

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Red - Aposentados e Perigosos (Red, 2010)

Estreia oficial: 12 de outubro de 2010
Estreia no Brasil: 12 de novembro de 2010

IMDb



"Red" é uma adaptação de uma graphic novel (que não conheço). E, logo no início da trama, vê-se a influência dos quadrinhos na narrativa: em uma cena absurda, a casa do protagonista, Frank Moses (Bruce Willis), é transformada em peneira por um grupo de atiradores de elite, numa divertida sequência de ação. O que seria um exagero realista, torna-se plausível dentro da lógica exagerada do filme. Outra cena que segue essa regra, é quando o mesmo Moses desce tranquilamente de um carro em meio a um cavalo de pau, participando de um tiroteio. A cena é absurdamente divertida.

Mas não, o filme não é tudo isso... Tirando essas sequências aí de cima, sobram situações clichês e não inspiradas. E, se há alguma coisa que consegue salvar o filme de um desastre é o seu elenco inspiradíssimo.

Bruce Willis está muito à vontade fazendo o que sabe fazer melhor... sendo ele mesmo, com sua cara cínica e impassível, de quem está cansado de ver toda aquela ação. Morgan Freeman é sempre indiscutível: competente. Brian Cox rouba a cena com seu sotaque russo. E Mary-Louise Parker dá o contraponto "normal" ideal àquelas figuras estranhas que são os 'RED'. Mas nada se compara a ver Helen Mirren mandando ver numa super metralhadora ou John Malkovich entregando-se aos excessos de atuação aos quais tanto gosta de forma tão divertida (e vê-lo segurando um porco rosa é a melhor coisa do filme).

Claro que não poderia deixar de comentar as participações especialíssimas de Richard Dreyfuss e Ernest Borgnine. E, se elas não chamam a atenção por sua qualidade, o fazem simplesmente por trazer essas duas lendas de volta às telas. Fazia tempo que não via Dreyfuss (infelizmente), e nem sabia que Borgnine ainda esta vivo!!!

E, se há pecados em "Red" como os clichês, a edição um pouco arrastada e o final totalmente sem graça, eles são totalmente 'desculpáveis' pela presença magnética do seu elenco de peso.

O que sobra é um filme de ação despretensioso e engraçado.


por Melissa Lipinski

 


terça-feira, 30 de novembro de 2010

Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos (You Will Meet a Tall Dark Stranger, 2010)

Estreia Oficial: 22 de setembro de 2010
Estreia no Brasil: 26 de novembro de 2010 
IMDb



46º filme da carreira de Woody Allen como diretor… é uma marca impressionante.

Bom, alguma coisa aqui tinha que ser impressionante, já que o filme não o é.

Contando uma história cheia de desilusões amorosas e com personagens que não dizem a que vieram, Woody Allen vem confirmando que não anda numa fase assim tão boa… Analisando sua carreira nos últimos 10 anos (e 10 filmes), temos uma obra-prima ("Match Point", 2005), um filme realmente bom ("Vicky Cristina Barcelona", de 2008), quatro medianos, com bons momentos ("Trapaceiros", 2000, "Melinda e Melinda", 2004, "Scoop", 2006 e "Tudo Pode Dar Certo", 2009), dois ruins ("Dirigindo no Escuro", 2002 e "Igual a Tudo na Vida", 2003) e dois que não deveriam ter sido feitos ("O Escorpião de Jade", 2001 e "O Sonho de Cassandra", 2007). Ou seja, em 10 anos, 2 filmes que podem figurar entre memoráveis. Tá, estou sendo muito crítica, tem diretor que não consegue isso em toda a sua carreira… Mas enfim, não estou falando em qualquer diretor… E sim de Woody Allen, (sim, sou fã confessa) o cineasta que entre 1977 e 1987 nos presenteou com, pelo menos, quatro obras-primas do cinema (estou me referindo a "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" - 1977, "Manhattan" - 1979, "A Rosa Púrpura do Cairo" - 1985 e "Hannah e Suas Irmãs - 1986), isso sem falar de outros filmes realmente muito bons desse período, mas que nem sempre são cotados nessas listas de melhores por aí afora, como "Zelig" (1983), "Broadway Danny Rose" (1984) e "A Era do Rádio (1987). Ou seja, em 10 anos (77-87), 7 filmes tidos como muito bons a excelentes. Portanto, dou-me ao direito (ou seria melhor, à ousadia) de falar que sua última fase não tem sido das melhores…

Acho que o diretor desistiu, com os anos, de um olhar mais de perto de seus personagens (exceção feita a "Match Point"), e o que se vê atualmente, são filmes ainda bastante cínicos e pessimistas (afinal, estamos falando de Woody Allen, e esta é sua 'marca registrada'), mas que não nos envolvem em seus personagens, pois não somos apresentados a eles de forma contundente, e sim de maneira rasa, superficial, e muitas vezes, como nesse "Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos", também caricata.

Mas vou me ater ao filme. A história encontra com seus personagens já desiludidos, tanto com relação ao amor, quanto à vida. Alfie (Anthony Hopkins) largou da esposa, Helena (Gemma Jones), e vai se casar com a prostituta Charmaine (Lucy Punch). A filha de Alfie e Helena, Sally (Naomi Watts), não consegue engravidar e, desgostosa de seu casamento com Roy (Josh Brolin), acaba se apaixonando por seu chefe Greg (Antonio Banderas). Já Roy, um escritor frustrado e sem talento, começa a se interessar pela vizinha Dia (Freida Pinto), uma jovem musicista que só veste vermelho (what?).

Enfim, pela breve configuração da história já se nota o tom derrotista e frustrado da narrativa. E isso jamais seria um problema - afinal, a maioria dos "woody allen" são assim - se os personagens fossem construídos de maneira sólida e palpável. Mas o que vemos são figuras alegóricas e caricatas que vagam pela trama sem saber ao que vieram. São sombras dentro de uma vida sem sentido. Bom, se o diretor pretendia dizer que a vida é tão ridícula e fugaz que não importa o que você faça, jamais conseguirá satisfação naquilo que busca, tanto profissional quanto sentimentalmente, não precisava ter realizado esse filme. Afinal de contas, só ali nos primeiros parágrafos, citei uma meia dúzia de filmes bons que dizem exatamente isso.

Então, pra que realizar esse filme? (Olha eu de novo sendo dura com o Woddy Allen!)

Tá, o filme tem seus momentos engraçados. E os atores estão bem em suas atuações… E fazem o possível com o material que têm em mãos. Mas ainda assim não consigo ter uma resposta para a minha pergunta.

Além do mais, Allen faz um uso abusivo e sem propósito da narração em off (já que sem ela, entenderíamos o filme da mesma maneira). Acho que ele quis o narrador apenas para citar Shakespeare no início do filme. Mas, pensando bem, a frase do bardo inglês não poderia definir melhor essa obra: "A vida é apenas uma sombra ambulante, um pobre cômico que se empavona e agita por uma hora no palco, sem que seja, após, ouvido; é uma história contada por idiotas, cheia de som e fúria, que nada significa". Woody Allen, no entanto, não soube dosar a mão no seu cinismo e pessimismo com relação à vida (ou a tudo). Ele olha tudo de longe, esquecendo que o que queremos é poder compartilhar desse seu olhar, o que jamais acontece.

Um filme que não marca, não diz a que veio, nada significa. E, ainda por cima, contado por idiotas…


por Melissa Lipinski


Retomando

Depois de um mês tenso, repleto de correrias e gravações (foram 2 curtas-metragem em menos de 15 dias!!!), estamos retomando nossa vida rotineira.

Devido à produção dos curtas - que tomavem 25 horas diárias de nossas vidas - tivemos que abrir mão de assistir a filmes nesse período, e portanto, também dos comentários que tecemos sobre esses.

Mas enfim, estamos voltando "ao normal" (jamais à calmaria!) e já fomos conferir alguns filmes....

Ainda hoje publicarei as impressões sobre o primeiro filme visto nesta retomada...

É isso!

Bons filmes a todos!


por Mel

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Out of service for a while...

Bom, já deu pra perceber que os posts deste mês que passou foram poucos, ainda mais no final do mês. Isso porque estamos trabalhando à toda. Além dos trabalhos fixos, estamos em pré-produção de dois curtas-metragem que estamos dirigindo.

Então, neste mês de novembro, quando gravaremos os filmes, estaremos fora do ar por um tempo.

Mas antes mesmo do final do ano retomaremos o blog...


por Mel e Oscar

domingo, 31 de outubro de 2010

Melinda e Melinda

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Melinda e Melinda (Melinda and Melinda, 2004)

Estreia Oficial: 29 de outubro de 2004
Estreia no Brasil: 26 de maio de 2005
 
IMDb



Em "Melinda e Melinda", de Woody Allen, os princípios básicos da semelhança e repetição e da diferença e variação mostram-se bem evidentes, e aparecem concomitantemente ao longo do roteiro.

Na personagem principal, Melinda, já se notam esses dois princípios bem nitidamente. A começar pelo seu nome, que é o mesmo tanto na história de tragédia como na de comédia. Entretanto, é em Melinda que as diferenças também são mais gritantes, sendo notada já na composição da personagem nas diferentes histórias, desde o seu figurino até a maneira da atriz interpretar a personagem.

Algumas diferenças e variações notadas comparando-se as duas histórias - tragédia e comédia: na tragédia, Melinda é uma antiga conhecida de algumas das personagens; na comédia, passam a conhecê-la no instante que a história começa. Na comédia, ela passa a ser o centro das atenções na cena na qual primeiramente aparece; na tragédia, é como que rejeitada pelos anfitriões. Na tragédia, Melinda possui filhos; na comédia, não.

Algumas semelhanças e repetições notadas tanto na tragédia como na comédia: em ambas as histórias Melinda tem encontros fracassados com dentistas; ela acaba se apaixonando por pianistas; tem um passado semelhante, de desventuras amorosas; e não se dá muito bem nas entrevistas de emprego que realiza. As semelhanças não ocorrem só com a personagem principal. Tanto na tragédia como na comédia, no casal amigo da personagem, os maridos são atores fracassados; há um confrontamento de uma personagem com o espelho (mesmo não sendo a mesma personagem nas diferentes histórias); safaris são citados; aparece uma lâmpada "mágica"; e há uma tentativa de suicídio quando uma personagem tenta saltar pela janela (novamente, não é a mesma personagem que executa a ação). Os ambientes também se repetem, como um bistrô de vinhos e um hipódromo.

Quanto ao desenvolvimento, o filme propõe-se a brincar e tentar encontrar as diferenças entre o que realmente é a tragédia e a comédia; será que elas são tão diferentes assim? Acho que ele consegue mostrar que a grande diferença está em como encaramos a vida, e que, no fundo, esta não faz sentido nenhum, sendo triste ou engraçada.

Durante todo o filme, os personagens buscam saber quem realmente são, conhecer-se de verdade. Acho que por essa razão, Woody Allen insiste tanto em enfatizar nomes no filme, pois de certa maneira, o nome é aquilo que primeiro determina quem você é.

Acho que dentro da sua proposição, "Melinda e Melinda" tem uma unidade, já que mostra diferenças de composição entre uma tragédia e uma comédia.


por Melissa Lipinski



 


** Texto originalmente escrito em 2006, durante o Curso de Graduação em Comunicação Social - Cinema e Vídeo, para a disciplina de Teoria do Cinema.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Cidade Baixa

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Cidade Baixa (2005)

Estreia Oficial | no Brasil: 4 de novembro de 2005

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"Cidade Baixa" conta a história de Deco (Lázaro Ramos) e Naldinho (Wagner Moura), dois amigos desde a infância, que vêem essa amizade ser abalada de uma hora para a outra pela presença de Karinna (Alice Braga), uma prostituta que pede, aos dois, uma carona para chegar a Salvador.

"Cidade Baixa" não é um filme de palavras, pois seus diálogos são, de certa maneira, econômicos - os personagens falam apenas o essencial. Entretanto, os personagens demonstram tudo o que estão sentindo através de suas ações e olhares - em uma linguagem bastante psicológica, que prende a atenção do espectador.

Sem se apegar a clichês, o filme consegue retratar sentimentos intensos - e consegue transmitir tal intensidade através de imagens. Que ganham ainda mais força com a atuação 'visceral' dos três protagonistas, principalmente o personagem de Lázaro Ramos, que demonstra ser o mais tridimensional e consegue a maior identificação com o espectador.

Talvez um dos pontos fortes de "Cidade Baixa" seja a universalidade da sua história; pois, assim como se passa na Cidade Baixa de Salvador, poderia muito bem se passar em qualquer outro lugar. Porém, isto não implica em uma 'desimportância' do lugar onde a história se passa, muito pelo contrário, o cenário possui tamanha influência sobre a trama, que é como se fosse um personagem. E isso é bastante visível na naturalidade com que algumas palavras são ditas pelos protagonistas, e que só soam verossimilhantes pois o filme possui esse olhar que vem de dentro; de dentro da Cidade Baixa e que faz com que o espectador seja também transposto para lá. E é justamente essa verossimilhança, aliada à ótima atuação dos protagonistas, que dá ao filme um toque documental.

Outro ponto alto do filme é a importância que é dada aos personagens. Tudo no filme, desde a fotografia de Toca Seabra até a trilha sonora de Carlinhos Brown está em função deles. O que chama a atenção é, como já citei, a proximidade com o espectador - e talvez isso se dê graças à escolha do diretor Sérgio Machado por planos próximos como closes, que geram uma aproximação física muito grande, o que amplifica as sensações transmitidas ao público.

A escolha feita pelo diretor em deixar o final em aberto também faz com que a história ganhe força e aumenta a interação com o espectador, que ajuda a concebê-la de maneira íntima e particular. Não é uma história onde tudo é dito, mas é deixado a cargo do próprio espectador tirar as suas conclusões.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski






** Texto originalmente escrito em 2005, durante o Curso de Graduação em Comunicação Social - Cinema e Vídeo, para a disciplina de Antropologia.

sábado, 9 de outubro de 2010

Cabra-Cega

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Cabra-Cega (2004)

Estreia Oficial | no Brasil: 8 de abril de 2005

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"Cabra-Cega" é o terceiro longa-metragem de Toni Venturi, e conta a história de Tiago (Leonardo Medeiros) - ativista da esquerda revolucionária - que luta contra a ditadura militar instaurada no país na década de 60. Porém, depois de ferido em um confronto com o Exército, fica impossibilitado de sair do local onde está escondido – o apartamento de classe média de Pedro (Michel Bercovitch), onde recebe os cuidados e a ajuda de Rosa (Débora Duboc), companheira na luta contra a ditadura. E é em meio a este confinamento forçado, que começam a surgir desconfianças e neuras. Além de Tiago ter que enfrentar a realidade do fracasso da oposição frente ao governo.

O filme fala de uma época que a história “oficial” do país tenta esconder. Uma época que foi deixada para trás, e quase não é comentada com as gerações mais novas. Sob este aspecto, o longa tem grande validade, já que trata desta “ferida aberta” da história brasileira, que parece não ter previsão para “sarar”. Trata da ditadura militar assumindo o ponto de vista dos revolucionários. E é um assunto que volta e meia ressurge na mídia, como há pouco tempo atrás, com a divulgação de fotos que se acreditavam ser do jornalista Vladimir Herzog.

É com o público mais jovem que o longa tenta um diálogo maior, e, para tanto, utiliza-se de sua estética para conseguir esta aproximação: o uso da câmera na mão durante todo o filme é um bom exemplo disso. A trilha sonora também auxilia neste quesito, já que utiliza músicas da época remixadas e, algumas também, regravadas por Fernanda Porto (que fez a trilha sonora do filme). E é justamente a trilha sonora um dos pontos mais fortes do longa, pontuando de forma adequada várias passagens da trama.

A montagem bastante fragmentada deixa a história um pouco confusa em certos momentos. E o uso da câmera na mão durante toda a trama (que até pode ser justificado pelo baixo orçamento e pelo espaço físico limitado das filmagens) chega a cansar em alguns momentos.

Apesar do assunto válido e interessante, o filme deixa um pouco de lado o contexto histórico vivido pelo país durante a ditadura militar, para se ater em demasia no romance entre os personagens Tiago e Rosa, apostando em clichês e cenas sentimentalóides demais, fazendo com que o filme perca parte da sua força.

Quanto ao elenco, o único que se sobressai é mesmo Leonardo Medeiros, que faz um excelente trabalho. Em contrapartida, o baixo desempenho de Michel Bercovitch atrapalha o resultado final.


por Melissa Lipinski







** Texto originalmente escrito em 2005, durante o Curso de Graduação em Comunicação Social - Cinema e Vídeo, para a disciplina de Cinema Brasileiro.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Gente Grande

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Gente Grande (Grown Ups, 2010)

Estreia Oficial: 25 de junho de 2010
Estreia no Brasil: 24 de setembro de 2010
IMDb



Não sou muito fã de Adam Sandler. Tirando "Embriagado de Amor" (de 2002, dirigido por Paul Thomas Anderson, onde Sandler realmente se supera!), não acho que nenhum de seus filmes mereça mais do que um leve "engraçadinho". E esse "Gente Grande" não é diferente.

Também tenho que admitir que nunca vi um filme inteiro de Rob Schneider, o pouco que via de cada um dos seus filmes me fazia desistir de qualquer tentativa de vê-los na íntegra. Acho-o medíocre e sem graça nenhuma.

O roteiro é fraco, e depois que os cinco amigos de infância - Adam Sandler, Kevin James, Chris Rock, David Spade e Rob Schneider - se reúnem em uma casa de campo (depois da morte de um antigo treinador de basquete) para reviver os antigos tempos, a história empaca, pois a partir daí, nada acontece. Os personagens não são desenvolvidos. E as lições de moral são tão falsas e hipócritas, que quase não dá pra acreditar.

Porém, antes disso, até os amigos se reencontrarem, o filme até que funciona. E isso porque a química entre os atores é muito boa. Algumas piadas são realmente engraçadas (principalmente as de Kevin James e Chris Rock) e os atores parecem estar bem à vontade... Infelizmente isso não é o necessário para segurar o filme... Até porque os protagonistas parecem estar se divertindo mais do que o público.

Nem dá pra analisar o filme tecnicamente... afinal, não há o que analisar. É aquele tipo de filme que você assiste, mas não sabe porque cargas d'água teve essa ideia. Arte, fotografia, montagem... tudo está ali sem importância narrativa nenhuma. Enfim, mais uma comédia sem graça, clichê e facilmente esquecível.


por Melissa Lipinski


terça-feira, 5 de outubro de 2010

Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme (Wall Street: Money Never Sleeps, 2010)

Estreia Oficial: 24 de setembro de 2010
Estreia no Basil: 24 de setembro de 2010 
IMDb



Que cenário poderia ser melhor para trazer de volta à tona o inescrupuloso Gordon Gekko do que a crise financeira que assolou o mundo inteiro em 2008? E eis que Oliver Stone (e o roteirista Allan Loeb) não fazem feio.

Agora, Gordon Gekko ressurge no mundo dos negócios depois de alguns anos de prisão. E não foi só o mundo de Wall Street que mudou muito nesse tempo. A montagem que Oliver Stone utiliza aqui também é bastante diferente da que usou no primeiro filme (de 1987). Se antes seguíamos as informações que eram transmitidas por telefones e papeizinhos, agora estamos diante da velocidade da internet, da qual nasce uma narrativa com um ritmo bem mais acelerado, com uma montagem frenética, cheia de múltiplas telas, mostrando várias ações concomitantes. Claro que Stone não está fazendo nada de novo, afinal o perfil do espectador também mudou (hoje, os filmes são bem mais rápidos), mas comparendo-se as duas produções isso fica bem evidente. E, ainda que seja um pouco longo demais e, tirando uma ou outra transição que achei 'deselegante' e que me tiraram da trama, o ritmo do filme não altera o principal: seus personagens.

E, se eram eles que davam coesão ao filme original, aqui acontece a mesma coisa. São os personagens a alma do filme. Se antes Gekko era o vilão da história e 'tinha o que merecia', agora ele surge meio que como um anti-herói, ainda sem muitos escrúpulos, mas, ao final, fazendo a coisa certa. E Michael Douglas parece estar muito a vontade voltando à pele do personagem que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator, e rouba cada cena em que aparece, com a mesma auto-confiança e carisma dos velhos tempos. E, se Shia LaBeouf, como protagonista, consegue levar o filme de maneira segura e humana, é Josh Brolin, como o vilão, quem entra em cena de igual para igual com Douglas. Há também a participação competente de Frank Langella, que parece dar um pouco de moralidade (pena que por pouco tempo) àquele mundo corrupto de Wall Street. Abro um parênteses para a curiosa e excelente participação de Charlie Sheen, o protagonista do filme de 1987, que parece não ter aprendido com seu antigo mestre... Ou será que aprendeu bem demais?

Porém, tenho que dizer que Carey Mulligan é o ponto fraco do filme. Não que ela trabalhe mal, pois é uma boa atriz, mas o problema é a sua personagem. Ou melhor, o roteiro se centrar tanto no envolvimento romântico da sua personagem com o de LaBeouf.

Parece que Oliver Stone também envelheceu e ficou mais sentimental. Afinal "Wall Street - Poder e Cobiça" (1987) era muito mais racional, e aí estava o ponto forte da produção. Já esse "Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme" parece querer dar uma importância bem maior aos sentimentos, perdendo a sua força, já que parece apelar para a emoção do espectador e não confiar no seu intelecto.

Detalhes que enfraquecem o longa, mas, de maneira nenhuma, tornam-o um filme ruim.


por Melissa Lipinski


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Oscar: 81ª Edição - 2008

*Apresentadção: Hugh Jackman

FILME
- O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button)
- Frost/Nixon (Frost/Nixon)
- Milk - A Voz da Igualdade (Milk)
- O Leitor (The Reader)
- Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire)

DIREÇÃO
- David Fincher - O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button)
- Ron Howard - Frost/Nixon (Frost/Nixon)
- Gus Van Sant - Milk - A Voz da Igualdade (Milk)
- Stephen Daldry - O Leitor (The Reader)
- Danny Boyle - Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire)

ATOR
- Richard Jenkins - O Visitante (The Visitor)
- Frank Langella - Frost/Nixon (Frost/Nixon)
- Sean Penn - Milk - A Voz da Igualdade (Milk)
- Brad Pitt - O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button)
- Mickey Rourke - O Lutador (The Wrestler)

ATOR COADJUVANTE (Foi o segundo Oscar póstumo nas categorias de atuação)
- Josh Brolin - Milk - A Voz da Igualdade (Milk)
- Robert Downey Jr. - Trovão Tropical (Tropic Thunder)
- Philip Seymour Hoffman – Dúvida (Doubt)
- Heath Ledger - Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Night)
- Michael Shannon - Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road)

ATRIZ
- Anne Hathaway - O Casamento de Rachel (Rachel Getting Married)
- Angelina Jolie - A Troca (Changeling)
- Melissa Leo - Rio Congelado (Frozen River)
- Meryl Streep - Dúvida (Doubt)
- Kate Winslet - O Leitor (The Reader)

ATRIZ COADJUVANTE
- Amy Adams - Dúvida (Doubt)
- Penélope Cruz - Vicky Cristina Barcelona (Vicky Cristina Barcelona)
- Viola Davis - Dúvida (Doubt)
- Taraji P. Henson - O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button)
- Marisa Tomei - O Lutador (The Wrestler)

FILME DE ANIMAÇÃO
- Bolt - O Supercão (Bolt)
- Kung Fu Panda (Kung Fu Panda)
- WALL-E (WALL-E)

FILME ESTRANGEIRO
- O Grupo Baader Meinhof (Der Baader Meinhof Komplex) - Alemanha
- Entre os Muros da Escola (Entre les Murs) - França
- A Partida (Okuribito) - Japão
- Revanche - Áustria
- Valsa com Bashir (Vals Im Bashir) - Israel

ROTEIRO ORIGINAL
- Courtney Hunt - Rio Congelado (Frozen River)
- Mike Leigh - Simplesmente Feliz (Happy-Go-Lucky)
- Martin McDonagh - Na Mira do Chefe (In Bruges)
- Dustin Lance Black - Milk - A Voz da Igualdade (Milk)
- Andrew Stanton, Jim Reardon e Pete Docter - WALL-E (WALL-E)

ROTEIRO ADAPTADO
- Eric Roth e Robin Swicord - O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button)
- John Patrick Shanley - Dúvida (Doubt)
- Peter Morgan - Frost/Nixon (Frost/Nixon)
- David Hare - O Leitor (The Reader)
- Simon Beaufoy - Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire)

EDIÇÃO
- Kirk Baxer & Angus Wall - O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button)
- Lee Smith - Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Night)
- Mike Hill & Dan Hanley - Frost/Nixon (Frost/Nixon)
- Elliot Graham - Milk - A Voz da Igualdade (Milk)
- Chris Dickens - Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire)

MAQUIAGEM
- Greg Cannom - O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button)
- John Caglione Jr. & Conor O’Sullivan - Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Night)
- Mike Elizalde e Thom Floutz - Hellboy 2: O Exército Dourado (Hellboy II: The Golden Army)

DIREÇÃO DE ARTE
- James J. Murakami & Gary Fettis - A Troca (Changeling)
- Donald Graham Burt & Victor J. Zolfo - O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button)
- Nathan Crowley & Peter Lando - Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Night)
- Michael Carlin & Rebecca Alleway - A Duquesa (The Duchess)
- Kristi Zea & Debra Zchutt - Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road)

FIGURINO
- Catherine Martin - Austrália (Australia)
- Jacqueline West - O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button)
- Michael O’Connor - A Duquesa (The Duchess)
- Danny Glicker - Milk - A Voz da Igualdade (Milk)
- Albert Wolsky - Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road)

FOTOGRAFIA
- Tom Stern - A Troca (Changeling)
- Claudio Miranda - O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button)
- Wally Pfister - Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Night)
- Chris Menges e Roger Deakins - O Leitor (The Reader)
- Anthony Dod Mantle - Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire)

TRILHA SONORA
- Alexandre Desplat - O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button)
- James Newton Howard – Um Ato de Liberdade (Defiance)
- Danny Elfman - Milk - A Voz da Igualdade (Milk)
- A. R. Rahman - Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire)
- Thomas Newman - WALL-E (WALL-E)

CANÇÃO
- “Down to Earth” - Peter Gabriel e Thomas Newman - WALL-E (WALL-E)
- “Jai Ho” - A. R. Rahman e Gulzar - Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire)
- “O Saya” - A. R. Rahman e Maya Arulpragasam - Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire)

EFEITOS VISUAIS
- Eric Barba, Steve Preeg, Burt Dalton e Craig Barron - O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button)
- Nick Davis, Chris Corbould, Tim Webber e Paul Franklin - Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Night)
- John Nelson, Ben Snow, Dan Sudick and Shane Mahan - Homem de Ferro (Iron Man)

MIXAGEM DE SOM
- David Parker, Michael Semanick, Ren Klyce e Mark Weingarten - O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button)
- Lora Hirschberg, Gary Rizzo e Ed Novick - Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Night)
- Ian Tapp, Richard Pryke e Resul Pookutty - Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire)
- Tom Myers, Michael Semanick e Ben Burtt - WALL-E (WALL-E)
- Chris Jenkins, Frank A. Montaño e Petr Forejt - Procurado (Wanted)

EDIÇÃO DE SOM
- Richard King - Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Night)
- Frank Eulner e Christopher Boyes - Homem de Ferro (Iron Man)
- Glenn Freemantle e Tom Sayers - Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire)
- Bem Burtt e Matthew Wood - WALL-E (WALL-E)
- Wylie Stateman - Procurado (Wanted)

DOCUMENTÁRIO
- The Betrayal (Nerakhoon)
- Encounters at the End of the World
- The Garden
- Man on Wire
- Trouble the Water

DOCUMENTÁRIO CURTA-METRAGEM
- The Conscience of Nhem En
- The Final Inch
- Smile Pinki
- The Witness from the Balcony of Room 306

CURTA-METRAGEM
- Auf der Strecke (On the Line)
- Manon sur Le Bitume (Manon on the Asphalt)
- New Boy
- Grisen (The Pig)
- Spielzeugland (Toy Land)

CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
- La Maison en Petits Cubes
- Ubornaya Istoriya - Lybovnaya Istoriya (Lavatory - Lovestory)
- Oktapodi
- Presto
- This Way Up

PRÊMIO HONORÁRIO
- Jerry Lewis